ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

Foto Discurso Direto
PORTUGAL
2017-11-10
'Temos uma dívida de gratidão para com os nossos emigrantes'

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa sublinhou, na tomada de posse do novo executivo camarário, que a principal preocupação do próximo executivo será “uma política de procura de resolução dos problemas das populações na sua vida quotidiana”. Em entrevista à PORT.COM deu a conhecer os motivos e expetativas para a cidade de Viana do Castelo ao receber o II Encontro de Investidores da Diáspora.

Considera a realização do II Encontro de Investidores da Diáspora em Viana do Castelo uma mais-valia na concretização do plano camarário para os próximos quatro anos? 

Naturalmente que sim. A Câmara Municipal de Viana do Castelo tem tido uma ação de contactos permanentes com a nossa comunidade da diáspora em diversos países e esta oportunidade que a Secretaria de Estado das Comunidades nos proporcionou irá permitir que possamos mostrar aquilo que se está a fazer em Viana do Castelo, mas também abrir uma janela de oportunidades para a região, em especial para os dez municípios do Alto Minho. Este encontro vai reforçar aquilo que Viana do Castelo tem vindo a fazer, mas também de podermos estar mais presentes nas intenções de investimento e na cooperação com muitos portugueses que estão fora.

 

A autarquia tem um GAE (Gabinete de Apoio ao Emigrante). Como se tem processado a atividade deste Gabinete no apoio e facilidades aos emigrantes locais e resultados obtidos? 

Nós já temos este gabinete há alguns anos e tem sido muito importante sobretudo na informação fiscal e dos direitos dos nossos emigrantes, mas também tem funcionado como orientação para alguns investimentos ao podermos apresentar a interessados as oportunidades que têm aqui no concelho e o pacote de incentivos que temos. O balanço que faço é muito positivo e penso que é um instrumento muito importante, mesmo nesta questão da dinamização das atividades económicas e na informação a quem está fora e que por vezes não conhece algumas realidades administrativas, por vezes complexas, dos nossos concidadãos. É um balanço muito positivo e que eu acho que é um instrumento muito necessário para este apoio que temos dado a particulares e empresas.

 

Na tomada de posse do Executivo camarário referiu a criação de uma plataforma tecnológica para os emigrantes. De que se trata e que objetivos pretende alcançar? 

O que tenho sentido nos contactos permanentes com a nossa comunidade é que há uma relação muito forte deles com a nossa terra. Mas acho que devemos aproveitar as facilidades da tecnologia atual para criar condições para que possam, através do seu computador ou do seu portátil ou telefone, estar em contacto permanente com o seu concelho e com a sua cidade. O que vamos criar é uma plataforma eletrónica para que quem está lá fora na diáspora tenha acesso a informações da Câmara e possa contactar a Câmara e as Juntas de Freguesia, mas possa também conhecer alguns eventos e algumas realidades que se passam no concelho. Através dos meios de tecnologia é possível estar a ver eventos culturais, podem partilhar eventos desportivos e que possam também participar na vida da cidade e do concelho. Este é um desafio que eu lancei porque, como sabe, nos últimos anos partiram muitos jovens e que têm relações afetivas com instituições, que partilham projetos com associações culturais e desportivas no concelho e, por isso, acho que esta plataforma tecnológica vai permitir que eles continuem mais ligados à sua terra e também a participar na vida da própria cidade e do concelho.

 

Sendo Viana uma cidade de tradições bem vincadas e com uma oferta turística relevante, considera este Encontro uma plataforma de lançamento do Turismo local junto da Diáspora, fazendo de cada português um Embaixador da cidade junto das comunidades onde estão inseridos e também nos países de acolhimento? 

Como nós sabemos, hoje a nossa comunidade está muito integrada nos diversos países onde vive e são ótimos promotores e embaixadores daquilo que é o potencial de Viana do Castelo, do Alto Minho e de Portugal. Estou certo que este encontro vai também aprofundar esse conhecimento e dar a conhecer muito potencial na área do turismo, do investimento e é uma oportunidade de dar a conhecer a nossa cidade, o concelho e o Alto Minho.

 

A presença e intervenções de alguns Ministros e de vários Secretários de Estado, bem como de agências, institutos e organismos oficiais que, no plano interno, tutelam domínios relevantes em matéria de investimento em Portugal e internacionalização de empresas, testemunham o interesse e adesão que, no plano institucional, suscita a iniciativa deste evento. Como reconhece este apoio? 

Estive presente no primeiro encontro em Sintra e fiquei muito bem impressionado com a organização e com a presença não só dos membros do Governo, mas também da presença de diversos organismos. Estas presenças de organismos e instituições relacionadas com investimento estrangeiro são muito importantes para elucidarem os nossos conterrâneos daquilo que são os instrumentos disponíveis para que, no caso de haver necessidade de intercâmbios económicos e mesmo de negócio em Portugal, eles possam conhecer as soluções e grandes opções do Governo como a reabilitação urbana, a economia, o turismo. Para os nossos empresários que estarão presentes nesta sessão, é também um momento importante para poderem conhecer mais em detalhe alguns desses processos e podermos fazer operações conjuntas daquilo que são oportunidades de investimentos. O Governo aqui neste encontro tem estado ao mais alto nível o que demonstra a sua perspetiva em relação ao potencial de investimento em Portugal dos empresários e investidores portugueses residentes no estrangeiro.

 

Os Municípios, como agentes e polos catalisadores de atração e geradores de internacionalização de empresas de base regional, têm um papel importante na captação de investimentos. Que infraestruturas e que programas dispõe a Autarquia para atrair investimentos para exploração de eventuais parcerias de negócio com empresas locais ou a constituir? 

Nós temos um Gabinete de Apoio ao Investidor, temos o nosso Gabinete de Apoio ao Emigrante, mas acima de tudo podemos, através da presença dos nossos conterrâneos, mostrar aquilo que são atividades em desenvolvimento, sectores de grande oportunidade de investimento e, acima de tudo, proporcionar às empresas portuguesas do território nacional parcerias com outras empresas portuguesas que estão lá fora. O trabalho que vamos desenvolver aqui são momentos de contacto para que possa haver troca de opiniões, de informações e que se possam preparar futuros negócios. Esse é, de facto, o nosso propósito para trabalhar.

Mais. Nós temos aqui parques empresariais, incubadoras tecnológicas e aceleradoras que vamos mostrar, criando uma montra onde estejam todas as valências que temos e, naturalmente, a partir daí, os nossos empresários, poderão criar contactos. Temos também programas de apoios e incentivos e ainda de isenções de taxas municipais e cuja informação iremos também disponibilizar.

 

A expressão económica da Diáspora e dimensão do mercado que representa como origem e destino, a um tempo, de investimento e internacionalização, permite um maior conhecimento da região por parte dos agentes económicos portugueses residentes no exterior e do seu capital de influência nas sociedades de acolhimento e junto dos respetivos decisores políticos e económicos. A Autarquia tem algum plano de ação para comunicar e promover a sua região junto deste alvo? 

Estamos, no início deste mandato, e anunciei isso mesmo na tomada de posse, a promover a internacionalização da cidade e do concelho. Este trabalho vai ser feito em parceria com a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho. Já falei com os meus colegas recentemente eleitos que vão estar presentes e a ideia é que a própria CIM Alto Minho também estabeleça pontes para promover nas comunidades o potencial do Alto Minho para que também beneficie destas oportunidades de investimento e este conhecimento mútuo entre investidores portugueses que estão cá e investidores que estão lá fora.

 

No fenómeno do associativismo económico, realidades alcançadas e metas a atingir é desejável que o potencial da Diáspora possa gerar fórmulas locais inovadoras e comprometidas de convergência empresarial enquanto instrumentos de defesa de interesses e objetivos próprios e também de promoção das relações bilaterais económicas e de investimento com Portugal. Que expetativas prevê após a realização deste Encontro?

As melhores. Antes de mais, estamos muito gratos pelo facto de a Secretaria de Estado das Comunidades ter escolhido Viana do Castelo para este segundo encontro. É de facto uma grande oportunidade para cidade, para a região e para todo o Alto Minho. Estamos com as expectativas no máximo. Primeiro para acolhermos bem aqueles que nos vão visitar e Viana do Castelo tem essa tradição de receber bem. E, em segundo lugar, de criarmos as condições para que possam levar uma boa impressão e possam conhecer a nossa cidade e o nosso distrito. Estou certo que através deste encontro, promoveremos muitas parcerias e negócios mútuos, quer para as empresas que estão em Viana do Castelo, quer para as que estão em todo mundo.

Gostava ainda de aproveitar para deixar uma mensagem aos conterrâneos que estão na diáspora e que serão bem acolhidos em Viana do Castelo em férias ou em negócio. Temos uma dívida de gratidão para com os nossos emigrantes porque são autênticos embaixadores do nosso país, da nossa língua e da nossa cultura.

OPINIÃO
Um retrato dos cientistas portugueses no estrangeiro
Daniel Bastos
Historiador
Alargamento da Ação Cultural Externa às Comunidades Portuguesas
José Cesário
Deputado do PSD
Investimentos Brasil-Portugal
Fernando Pinho
Economista, palestrante e consultor financeiro
DISCURSO DIRETO
'Encontros são uma homenagem aos empresários da diáspora'
José Luís Carneiro
PORTUGAL
'O Estado abandonou o país rural'
Nádia Piazza
PORTUGAL
José Redondo e a paixão pelo râguebi
José Redondo
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ