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PORTUGAL
2018-04-13
“Não foi por acaso que Portugal foi o melhor destino do mundo em 2017”

Durante a edição deste ano da BTL, a mais importante feira de turismo do país e que decorreu no início de março, em Lisboa, a PORT.COM esteve à conversa com Pedro Machado, o presidente do Turismo do Centro. O atual momento, os desafios para o setor e, em particular, a dinâmica turística da Região Centro foram alguns dos temas centrais que dominaram a conversa.

Em 2017 o turismo em Portugal atingiu valores recorde. Que balanço faz?

O ano de 2017 foi, de facto, um ano histórico para o turismo em Portugal e, em particular, para o turismo no Centro de Portugal, que foi uma das regiões que cresceu de forma mais notória. O ano passado foi mais uma etapa num percurso de sucesso para o nosso país, que tem conquistado cada vez mais expressão internacional enquanto destino privilegiado para quem procura um local para passar férias de grande qualidade a um bom preço, sejam curtas ou de longa duração, ou organizar um congresso num sítio diferente. 

Não foi por acaso que Portugal foi considerado o melhor destino do mundo em 2017. De norte a sul do país, passando pelas ilhas, o nosso país tem muito para oferecer a quem nos procura. Desde logo, a hospitalidade das pessoas, que é uma forte imagem de marca do turismo nacional. Os portugueses sabem receber e fazem questão de deixar as melhores impressões nos visitantes. Depois, a gastronomia e os vinhos: Portugal é um paraíso para os adeptos da “slow food”, daqueles que gostam de passar tempo de qualidade a desfrutar dos melhores sabores que a gastronomia tem para oferecer. Conjugado com os cenários deslumbrantes que temos para oferecer, de natureza em estado puro ao património classificado, é mais do que justo termos passado para o topo da lista dos destinos preferenciais a nível mundial.

Uma nota muito positiva para o crescimento fora da época alta. Portugal é hoje um destino que seduz 365 dias por ano, e não apenas no verão ou em outras épocas muito específicas. O produto tradicional sol e praia, que serviu durante décadas para vender o país em mercados internacionais, foi felizmente ultrapassado. A nível central percebeu-se que esse era um modelo esgotado e que não correspondia, de todo, ao enorme potencial do país, que dispõe de inúmeras possibilidades de produtos turísticos. Essa aposta na diversidade está a ser claramente ganha, embora haja ainda muito por fazer!

O Turismo do Centro, para além da maior região turística é hoje uma referência no domínio da oferta. Qual é a sua fórmula de sucesso?

O Centro de Portugal é, como diz, a maior região turística do país e aquela que apresenta uma oferta mais diversificada. Não há uma fórmula única de sucesso, mas sim um esforço diário de todos os intervenientes na área do turismo. O Centro de Portugal tem a sorte de poder contar com empresários com visão e que arriscam em seguir as suas ideias, não caindo na tentação de replicar conceitos já estafados. Não é por acaso que a qualidade da oferta tem crescido de forma tão evidente nesta região. O esforço, trabalho e visão dos empresários, e das associações empresariais, é secundado e apoiado pelas instituições da região, desde as autarquias e comunidades intermunicipais à Comissão de Coordenação, bem como, naturalmente, pela Entidade Regional Turismo Centro de Portugal.

Esse esforço é visível todos os dias, na procura de novos produtos turísticos e novas experiências que possam cativar os visitantes. Também é visível, cada vez mais, na melhoria da oferta a nível das unidades turísticas, quer pela construção de novos edifícios, quer, e sobretudo, pela requalificação da oferta já existente.

Claro que nada disto teria resultados tão positivos ao nível do crescimento da procura se na base não estivesse uma região por si só tão maravilhosa e com tanto ainda por descobrir. O Centro de Portugal é um território único, capaz de atrair o visitante mais curioso, exigente, crítico e criativo.

É fácil gerir e comunicar uma oferta turística tão diversificada e com tantos produtos distintos, que vão desde a gastronomia ao turismo religioso, por exemplo, como existe hoje na região Centro?

É um desafio, que enfrentamos diariamente no Turismo Centro de Portugal, mas que é facilitado pela qualidade da oferta de que dispomos. Seria muito mais difícil se não tivéssemos produtos diferenciadores e únicos para oferecer. Se dispuséssemos apenas de um ou dois produtos turísticos, como é a realidade de outras regiões, seguramente que a nossa missão seria menos aliciante. Aqui, a dificuldade maior é exatamente a oposta: encontrar um equilíbrio entre a diversidade que é o Centro de Portugal e encontrar o melhor que cada um dos 100 concelhos tem para oferecer a quem os visita.

O território do Centro de Portugal vai desde Ovar, Castro Daire, Meda e Figueira de Castelo Rodrigo, no seu limite norte, a Torres Vedras, Torres Novas, Abrantes e Vila Velha de Ródão, no extremo sul. É a maior e a mais diversa região do país e tem lugares tão genuínos como a Serra da Estrela, o Tejo Internacional, Coimbra, Aveiro, Viseu, Leiria, o Oeste ou o Médio Tejo. Os dois maiores rios que nascem em Portugal, o Mondego e o Zêzere, correm integralmente nesta região. Integra parques naturais (Serra da Estrela, Tejo Internacional e Serras de Aire e Candeeiros), reservas naturais, paisagens protegidas, monumentos naturais, quatro sítios classificados pela UNESCO como Património da Humanidade (Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro da Batalha, Convento de Cristo e Universidade de Coimbra, Alta e Sofia), e importantes destinos de turismo religioso (Fátima, Caminhos de Santiago ou turismo judaico, por exemplo). A tudo isto, acresce um vasto património imaterial.

E tem muito mais. É um paraíso para quem procura – e são cada vez mais! – destinos de turismo ativo e desportivo, por exemplo. Desde logo, porque tem a melhor costa de surf da Europa, com a Nazaré, Peniche e a Figueira da Foz.

Também pelas centenas de quilómetros de percursos sinalizados para prática de walking e cycling. Ou com as termas e spas de que a região é rica.

A diversidade do Centro de Portugal permite-nos apresentar a região como destino indicado para quem procura uma multiplicidade de produtos e experiências turísticas, como a História, a tradição e as experiências religiosas; a natureza e o desporto; a saúde e o bem-estar; a gastronomia e os vinhos; o sol, as praias, de mar ou fluviais; a neve e as montanhas... Este é um território verdadeiramente rico!

Mesmo assim, acha que podemos falar de uma oferta turística descentralizada ou continua a existir ainda uma excessiva concentração em determinados polos como, por exemplo, Lisboa ou o Algarve? 

Essa concentração em Lisboa, Porto e Algarve ainda existe, mas tem, felizmente, vindo a esbater-se. Segundo os números, ainda provisórios, do INE relativamente à atividade turística em 2017, todas as regiões apresentaram aumentos nas dormidas, mas as que subiram mais foram os Açores, com um crescimento de 15,8% em relação a 2016, o Centro de Portugal, com mais 14,5% e o Alentejo, com mais 11,7%. Só depois vêm Lisboa (8,7%) e Porto e Norte (8%), sendo que as que cresceram menos foram Algarve (5,3%) e Madeira (1,9%).

Se nos cingirmos aos números de dormidas de estrangeiros, o Centro de Portugal lidera o crescimento de forma destacada, com uma subida de 29,5%. O Alentejo, em segundo neste item, surge com um aumento de 15,9%.

Isto significa que cada vez mais visitantes procuram um Portugal diferente, menos massificado e menos postal ilustrado. E que, aterrando em Lisboa, Porto ou Algarve, viajam para outros territórios do país. 

A nível de oferta, no entanto, a capacidade instalada de camas no Algarve, em Lisboa, no Porto e na Madeira é ainda muito superior ao do resto do país. Começa a fazer sentido falar-se de uma descentralização na oferta, mas de forma ainda tímida. Há muito para fazer neste campo. 

Portugal tem vindo a diversificar mercados, principalmente para fora da Europa e os próprios números da região Centro refletem isso. É um caminho consolidado? Quais os países de maior potencial de oferta turística?

Portugal está a desbravar caminho em mercados muito promissores de origem de turistas. Países até há pouco tempo residuais na emissão de visitantes para o nosso país estão a descobri-lo. Os casos mais paradigmáticos são os Estados Unidos, Brasil e os países asiáticos, cuja procura disparou nos últimos anos. 

No Centro de Portugal essa nova realidade é muito visível. Entre 2016 e 2017, chegaram mais 69,1% de hóspedes dos Estados Unidos e mais 43,2% do Brasil. O Brasil já é, aliás, o quarto maior emissor de turistas para o Centro de Portugal, só atrás de Espanha, França e Itália, e à frente de Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. A procura por parte da Ásia está também em grande expansão, tendo crescido 31,5%, a que não é alheio o aumento de número de voos provenientes da China. Há uma curiosidade interessante relativamente à Ásia. A Coreia do Sul foi, em 2017, responsável por mais de 50 mil dormidas em Fátima, o que atesta de forma perfeita a importância do turismo religioso, em particular de Fátima, que atrai peregrinos de todo o mundo.

Procurar diversificar os mercados que trazem turistas ao Centro de Portugal é uma das nossas principais apostas. Para isso, a região está presente nas maiores feiras de turismo do mundo. Estivemos há poucos dias na ITB Berlim, a mais importante feira do setor na Europa, a promover contactos e a mostrar a região aos mercados da Alemanha e da Europa Central, que são outros países com grande potencial de crescimento.

É claro que tudo seria facilitado se as acessibilidades ao Centro de Portugal fossem mais convidativas. Esta é a única região que não é servida por um aeroporto, o que é um handicap muito grande, pois obriga quem nos quer visitar de longe a aterrar a algumas horas de distância. Além disso, a ferrovia é também deficiente e mesmo a rodovia precisa urgentemente de melhorias, de que o IP3 entre Coimbra e Viseu é o caso mais urgente.

Ainda assim, a aposta na internacionalização do Centro de Portugal está a resultar. Os números mais recentes são a prova de que o rumo que traçámos é o correto.

Quais são os maiores desafios que se colocam num futuro próximo?

Os maiores desafios são sempre os mais aliciantes. No caso do Centro de Portugal, o principal desafio é conseguir que a nossa marca, com toda a sua diversidade, chegue a cada vez mais mercados em todo o mundo. É para isso que vamos continuar a trabalhar de forma intensiva.

Outro desafio muito importante é assegurar que a oferta está capacitada para receber cada vez mais turistas, e turistas cada vez mais exigentes. Para isso, é fundamental continuar a apostar na requalificação da oferta e na formação dos recursos humanos. É importante assegurar que os rostos do turismo, que são os funcionários, tenham a melhor formação possível.

Finalmente, um desafio mais imediato é o de combater alguma perceção errada da região que tenha sido causada pelos incêndios do ano passado. Mostrar que, apesar da tragédia, o Centro de Portugal continua um destino maravilhoso e que os seus principais atrativos continuam intocados é um desafio para este ano.

O que representa na prática o acordo assinado com a região do Alentejo e a Extremadura espanhola?

O Centro de Portugal encontra-se fortemente empenhado em estabelecer laços fortes com regiões vizinhas, no nosso país e em Espanha.

Essa estratégia manifesta-se através de protocolos e acordos com duas entidades. A primeira é a Eurregião Euroace, que junta o Centro de Portugal, o Alentejo e a Extremadura espanhola. É uma relação privilegiada, que já vem de trás e que tem evoluído significativamente. O último acordo visa a promoção conjunta das três regiões, nos mercados internacionais, sob o mote “Dois países, um destino”. Por exemplo, em maio, na ITB China, em Xangai, que é a maior feira de viagens daquele país, as três regiões que constituem a Euroace vão promover de forma conjunta quatro produtos: gastronomia e vinhos; natureza e turismo ativo; património e cultura; e turismo religioso. Ainda este ano, iremos estar juntos num roadshow nos Estados Unidos, para apresentarmos uma estratégia comum. Faz todo o sentido que estas três regiões se apresentem de forma conjunta e consolidada nas feiras internacionais. É muito mais aquilo que nos une do que o que nos separa. Por exemplo, em conjunto temos 19 sítios classificados pela UNESCO.

Outra das frentes em que estamos inseridos é a Resoe, macrorregião do Sudoeste Europeu que junta o Centro de Portugal, o Porto e Norte de Portugal, a Galiza, as Astúrias, a Cantábria e Castela e Leão. Aqui, estamos igualmente a trabalhar numa estratégia de promoção conjunta, que tem como ideia-chave “O Caminho que nos une” e que se baseia nos Caminhos de Santiago.

Numa como noutra, a ideia central é a mesma: só temos a ganhar, a nível de escala e de reconhecimento, se nos aproximarmos dos nossos vizinhos. É um conceito que irá, certamente, conhecer bons resultados muito em breve. 

 

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