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BÉLGICA
2017-07-14
Bélgica, país de contrastes onde adoram portugueses

Há oito anos cheguei a Bruxelas, sozinha com uma enorme mala. Não conhecia praticamente nada do país, só cá tinha passado uma vez, numas férias em família, mas só de fugida, porque o cinzento dos edifícios da Comissão Europeia não fascinava ninguém. Com o tempo fui aprendendo a gostar deste país de recantos escondidos, paisagens maravilhosas e pessoas verdadeiras. A capital é também a capital dos segredos que só se conhecem aos poucos, ao longo dos anos, da surpresa a cada esquina e de uma enorme diversidade, que é também a sua grande mais-valia.

Nas primeiras recordações guardo a repreensão que ouvi por chegar cinco minutos atrasada ao médico. Eu, que até tinha levado um livro para ler nas que eu esperava serem longas horas de espera da consulta... A conta final também foi uma agradável surpresa. O sistema de saúde belga é das melhores coisinhas do mundo para um português.

Habituada à desmotivação, aos recibos verdes, aos pagamentos quando calha e a pedido, à falta de progressão e perspetivas de futuro na carreira e à falta de reconhecimento, Bruxelas foi para mim um paraíso laboral. Não há preço para o reconhecimento do nosso trabalho. 

Os belgas recebem bem o estrangeiro e dão grandes lições de tolerância e abertura de espírito. O número de voluntários civis que acorreram aos campos de milhares de refugiados envergonha os países relutantes em receber algumas dezenas destes mesmos refugiados. A reação firme e sem medo aos recentes atentados terroristas também me ensinou muito sobre a força e a união de um país conhecido por ser um poço de divergências linguísticas e não só.  

Uma outra vantagem da Bélgica é que adoram portugueses e adoram Portugal. Fascinados pela nossa simpatia, gastronomia, paisagens, meteorologia e autenticidade. Somos conhecidos por sermos bons trabalhadores - não admira, vindo de onde vimos. 

Mas a Bélgica é também um país de contrastes. Desde logo, norte e sul são separados por uma língua diferente, mas também por realidades diferentes. O norte flamengo das praias, mais limpo, mais rico e mais conservador. O sul francófono, mais popular e menos organizado. E esquecem-se sempre daquele cantinho, fora de todas as polémicas, onde falam alemão.

No meio de tudo isto, Bruxelas, um enclave com 60% da população estrangeira. Um “melting pot” de culturas, línguas, culinária, de tudo! O trânsito caótico (único no país) indica a presença das gentes de sangue quente do sul, e funde-se com a presença das omnipresentes bicicletas. Esta misturada por vezes inebriante é também uma das maiores riquezas da cidade. Aqui há supermercados e restaurantes para cada canto do planeta. Nunca poderemos ter saudades de pastéis de nata ou de caldo verde ou de uma boa bica porque os temos cá todos. E aletria, feijoada ou sopa de cação.

Quando me perguntam se tenciono voltar, a resposta é sempre a mesma: se eu tivesse o mesmo trabalho lá, já lá estava! Voltarei hoje ainda pela família. Por tudo o resto, vou ficando por cá. Ainda tenho muito para aprender e para admirar no país do mexilhão, do chocolate, da cerveja e da batata-frita. 

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