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CHINA
2018-06-06
«A China está pronta para nos acolher»

Para além da relação económica entre Portugal e a China, facto relevante é o crescimento muito significativo do interesse pela Língua Portuguesa nas universidades chinesas. Esta foi uma das ideias vincadas por José Augusto Duarte, Embaixador de Portugal na China, em conversa com a PORT.COM.

Como vê o atual quadro das relações entre os dois países?

Portugal e China têm neste momento uma excelente relação.  Temos uma parceria estratégica desde 2005 que enquadra uma sólida relação a nível político e institucional. Temos uma crescente relação económica com aumento de investimentos de capitais chineses em Portugal e aumento das trocas comerciais nos dois sentidos (de Portugal para a China e da China para Portugal) e temos ainda um crescendo nas atividades que levam ao maior conhecimento da cultura e dos criadores artísticos portugueses na China e das expressões culturais chinesas em Portugal. Temos por fim, mas seguramente não menos importante que os restantes aspetos apontados, um crescimento muito significativo do interesse pela Língua Portuguesa nas Universidades chinesas (são já 32 as Universidades onde se leciona português na China) bem como dos Centros Confúcio e das Universidades que em Portugal lecionam chinês. Ora o desenvolvimento de todos estes contatos, aos mais diversos níveis, enriquece e valoriza o conhecimento mútuo, o respeito mútuo e o desenvolvimento de parcerias que só nos traz vantagens a todos.

 A alavanca económica tem tido reflexos noutros setores? Quais?

Sem dúvida que o aumento das trocas comerciais entre os dois países e sobretudo o significativo aumento dos investimentos de capitais chineses no nosso país, acabam por gerar mais contatos entre chineses e portugueses, maior conhecimento mútuo, maior espírito de parceria e curiosidade recíproca. Criam-se mais empregos em Portugal com os investimentos chineses e ficamos sócios em projetos cujo sucesso nos aproximará ainda mais. Por tudo isto, a economia, seja na vertente trocas comerciais ou na vertente investimentos, é sempre um fator de dinamização da relação entre dois Estados e dois Povos e que traz sempre consequências positivas nos âmbitos dos contatos entre sociedades, entre culturas e até entre governantes.

Que conselhos daria aos portugueses que queiram apostar na China. Empresários, agentes culturais?

Dou os mesmos conselhos aos nossos compatriotas que querem vir para a China que daria a outros que possam querer ir para qualquer outro país, geográfica e linguisticamente distante do nosso, ou seja: que tentem conhecer as regras e as leis locais na área de atuação e que estejam abertos e recetivos à ideia de lidar com normas diferentes. Que saibam que, com qualidade, todos podem aqui ter imenso sucesso seja na economia ou na cultura, mas que o sucesso é inevitavelmente reflexo do trabalho e do esforço continuados. Não basta vir uma vez à China fazer uns contatos durante três dias e tirar conclusões definitivas que serão obrigatoriamente superficiais. Temos de estudar o país, o mercado e as normas e depois investir em trabalho e dedicação para a seu tempo termos um retorno imenso e gratificante do nosso empenho. Seja no futebol, no design, nos produtos agroalimentares ou nas artes e espetáculos não tenho a menor dúvida de que a China está pronta para nos acolher, assim nós lutemos denodadamente pelo nosso próprio sucesso.

Olhando para o futuro… onde estaremos nos próximos anos?

 

Só posso fazer prognósticos com base na realidade internacional tal como ela está neste momento. Como as coisas estão e como têm evoluído nos últimos anos, e caso não haja nenhuns eventos que revolucionem esta evolução consistente das últimas décadas, no futuro não muito distante a China competirá seriamente com os EUA pelo primeiro lugar como maior economia do mundo. A China terá consequentemente um papel crescente na geoeconomia e na geopolítica à escala global. Isto trará consequências para a ordem internacional tal como a conhecemos nos dias de hoje que na prática perdura desde o século XIX que é o papel central do chamado “mundo ocidental” em termos de economia e de papel político. Não se espera que o dito “mundo ocidental” deixe de ter um papel, o que se prevê é que esse papel deixará de ser hegemónico como tem sido até agora. Por tudo isto, conhecer a China e investir nas trocas comerciais e culturais com este país é simplesmente prepararmo-nos melhor para o futuro que antevemos já hoje, sem que com isso deixemos de ser quem somos e de estarmos onde estamos ou de nos guiarmos pelos valores que nos orientam.

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