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PORTUGAL
2018-07-05
«Apostou-se muito no combate e pouco na prevenção»

Num país em que sempre se falou demasiado de incêndios e muito pouco das florestas era imperativo ouvir quem tem responsabilidades na área e perceber, principalmente depois das tragédias do ano passado, o que se pode e se está a fazer para mudar este paradigma.

 

Uma das críticas mais incisivas que se têm feito ouvir desde a tragédia dos incêndios do ano passado é que Portugal tem uma adotado uma política florestal totalmente errada e o problema arrasta-se há décadas. Faz sentido colocar o problema assim ou neste momento já se está a trabalhar para corrigir esta situação?

Nos últimos 20 anos deu-se uma transformação acelerada nos territórios rurais, decorrente do despovoamento e do abandono de atividades agrícolas e florestais em solos marginais. Acresce que numa parte muito extensa do país, temos áreas de monocultura de espécies muito suscetíveis ao fogo (eucalipto e pinheiro) em situação de minifúndio, o que dificulta a sua gestão. Em 2006 foi criado um Sistema de Defesa de Floresta Contra Incêndios, para prevenção e combate. Na verdade, apostou-se muito no combate e pouco na prevenção. É isso que o Governo quer mudar, reequilibrando e aumentando a prevenção. Para se ter uma ideia, o país tem planeado, desde essa altura, 11200km de estradões para proteger a floresta (faixas de 125 metros de largura). Em 10 anos executou 1200 km. Só este ano vamos fazer 3600 km. Para além disso, aprovou-se a reforma da floresta, para melhorar a gestão integrada e agrupada das zonas florestais.

No seu entender quanto tempo precisa o país para se poder afirmar que o enquadramento dado às suas florestas se coaduna com as caraterísticas geográficas e sociodemográficas do país?

É um trabalho sempre contínuo, que é preciso começar já. Durante o mês de julho vão estar prontos os novos Programas Regionais de Ordenamento Florestal que vão depois ser transpostos para cada um dos municípios. Com isso, saberemos qual a vocação das nossas terras para a floresta e qual a floresta que devemos ter, contando que temos alterações climáticas que nos impõem mais cuidados com o que temos de fazer. Portanto, temos de saber articular quatro questões chave: saber ordenar, prevenir, gerir e valorizar os sistemas florestais. Dar valor à floresta pelos muitos produtos que dela saírem, mas também pagar serviços públicos que ela presta à sociedade, quando protege solos, água, biodiversidade e capta carbono.

Na sequência da campanha da limpeza das florestas lançada (e das consequentes penalizações) o Governo teve em conta a presença física de pessoas e proprietários, mas parece ter esquecido que existem muitos emigrantes com parcelas de terra e que só na altura de férias conseguem regressar ao país. De alguma forma esta situação foi acautelada?

O Governo não tem dois pesos e duas medidas no cumprimento da lei. Deu o tempo necessário e a flexibilidade que muitas vezes é preciso ter para fazer as coisas. Definiu com clareza as áreas prioritárias de intervenção. E não andou à caça à multa. Prova disso é o facto de o nível de coimas não ter aumentado exponencialmente.

Que conselhos poderá dar aos emigrantes que neste verão vêm passar férias em Portugal e são proprietários de parcelas florestais?

A floresta não se pode gerir à distância. É preciso que se informem sobre os movimentos associativos e possam aderir à Zonas de Intervenção Florestal existentes na sua terra, ou criar formas que o Governo agora disponibiliza para gestão integrada da floresta, como as Entidades de Gestão Florestal. Por outro lado, a festa do reencontro tem de ter em conta que temos de evitar comportamentos de risco e as intervenções na floresta tem de ser cuidada e acompanhada por quem sabe. Temos de reduzir o número de incêndios em Portugal.

Defende também que a fixação das pessoas no interior do país é um dos fatores críticos para se evitarem tragédias como a do ano passado?

Claro que é absolutamente essencial. Remeto para um programa que estamos a implementar que é o das “Cabras Sapadoras”, em que vamos pagar para que os animais ajudem a gerir combustíveis na floresta e tirar de lá o mato. Estas medidas visam, acima de tudo, manter as pessoas nos territórios rurais.

 

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