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2018-11-01
Há condições para viver em Arcos de Valdevez

Arco de Valdevez é uma terra com futuro, tanto a nível económico como turístico. A afirmação é de João Manuel Esteves, presidente do município, que esteve recentemente com representantes de cerca de 30 associações e entidades arcuenses espalhadas por todo o mundo, no 4.º Encontro da Diáspora Arcuense.

João Manuel Esteves falou com a PORT.COM sobre as oportunidades existentes no concelho e destacou a importância que a diáspora portuguesa tem para o presente e futuro de Portugal e sobretudo de Arcos de Valdevez.

Como é que define as relações entre a autarquia de Arcos de Valdevez e a diáspora portuguesa?

Temos uma boa relação, que está sempre a melhorar, em construção sistemática, e estamos a alargar a nossa rede de contactos. Todos os anos vamos tendo conhecimento de arcuenses que estão em cargos diretivos de associações e entidades portuguesas nos vários países e, através desses “embaixadores”, podemos passar a mensagem que queremos de forma assertiva. Mostramos o que cada um de nós pode fazer, aquilo que é o chamado orgulho na nossa terra, uma parte importante para passar, sobretudo, aos lusodescendentes e também para lhes dizer o que podem fazer para atrair as pessoas a viver, investir ou trabalhar em Arcos de Valdevez.

Quais são os países onde estão mais arcuenses?

No encontro da diáspora estiveram representados os países onde estão mais arcuenses como a França, que é claramente o país onde temos mais conterrâneos, EUA, Canadá, Brasil, Venezuela, Suíça e Bélgica.

Em relação à Venezuela, e dada a crise que se vive nesse país atualmente, o que espera os emigrantes arcuenses que podem querer eventualmente regressar a Portugal?

Temos conhecimento de algumas pessoas que regressaram e que rapidamente ficaram empregadas nas fábricas da região. Há condições para voltarem a viver e trabalhar em Arcos de Valdevez. As dificuldades maiores são conseguirem condições financeiras para regressar e a parte de saírem da Venezuela sem nada, com pena de abandonarem tudo o que já construíram e que tanto lhes custou.

Nós, aqui no interior, precisamos de pessoas, tanto pela mão-de-obra, como para povoar o território, e por isso há aqui uma relação de ganho. Em conjunto com o Governo temos tentado facilitar e apoiar a vinda dos nossos compatriotas da Venezuela, face a toda esta situação muito complicada…

O município tem algum contacto com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas?

Temos vários contactos com a Secretaria de Estado das Comunidades, nomeadamente nestes encontros, onde o secretário de Estado esteve há dois anos, e no ano passado estivemos juntos em Bordéus, também numa iniciativa. É uma pena não termos conseguido ainda criar condições para ir à Venezuela, para organizar um encontro de arcuenses, o que seria até melhor e mais fácil para reunir a comunidade e trocarmos informações.

Temos feito sentir à Secretaria de Estado das Comunidades que há uma necessidade de intensificarmos essa relação. Sabemos que está a ser feito trabalho, nomeadamente em relação a muitos arcuenses. Aproveito muitas vezes os encontros para falar sobre as dificuldades que muitos compatriotas nossos passam, na Venezuela e noutros países, e tento ver se consigo identificar quem são para os ajudar a ter uma vida melhor, a regressar. Portanto, seria importante unir ainda mais os portugueses em torno daquilo que são os nossos concidadãos que estão espalhados pelo mundo.

Face à localização de Arcos de Valdevez, com aeroportos e portos de mar próximos, além das vias terrestres, como é que promove a atração de investimento para o território a nível dos investidores e dos empresários da diáspora?

Temos os parques empresariais, com infraestruturas e equipamentos para receber esses investimentos. Temos também um conjunto de incentivos que facilitam esses investimentos, desde logo uma boa relação, quer com entidades portuguesas, quer com entidade estrangeiras e câmaras de comércio.

No fundo há uma conjugação de fatores que vão desde o espaço à boa relação com as entidades portuguesas e estrangeiras, passando por um conjunto de incentivos interessantes e terminando no facto de estarmos totalmente focados para fazermos com que estes processos de instalação com as empresas sejam expeditos.

Como pensam atrair turistas para o território?

Sabemos que uma parte substancial da nossa economia está centrada no papel industrial, mas o turismo está a ganhar cada vez mais relevância. Temos desenvolvido uma série de iniciativas para promover a vila de Soajo, a aldeia de Sistelo e o Parque Nacional Peneda Gerês que, associadas a uma excelente gastronomia e à simpatia do povo, fazem com que seja possível crescermos de forma sustentável no turismo.

Temos também já uma oferta hoteleira vasta, o que permite que as pessoas se possam instalar bem e desfrutar do património natural único e ímpar de Arcos de Valdevez, até porque somos uma terra património cultural, ligada à fundação da nacionalidade portuguesa.

Para promover a nossa terra, contamos igualmente com os nossos compatriotas para passarem a mensagem a outros que ainda não conheçam Arcos de Valdevez. Ainda este ano vi que muitos dos nossos emigrantes trouxeram pessoas dos países onde residem, para visitarem e conhecerem a sua terra.

O município de Arcos de Valdevez esteve presente no Encontro de Investidores da Diáspora?

No ano passado fiz uma intervenção no II Encontro de Investidores da Diáspora, em Viana do Castelo, e este ano, se tiver oportunidade, irei marcar presença novamente, porque é nesta iniciativa que vemos que a Diáspora portuguesa tem um papel muito importante no mundo inteiro e que há agentes culturais, mas também há agentes económicos muito fortes. Como disse em Viana do Castelo, se os estrangeiros estão a investir em Portugal, então os portugueses e lusodescendentes têm de fazer o mesmo. Têm de ver que Portugal, e no nosso caso Arcos de Valdevez, pode não ter sido, mas hoje é seguramente uma terra de oportunidades. E temos de as aproveitar, como os estrangeiros já o estão a fazer.

A presença em Viana do Castelo teve algum resultado?

Sim, conheci pessoas muito interessadas e têm-nos sido solicitadas muitas informações, nomeadamente na área do turismo.

Esta iniciativa é, portanto, uma boa aposta do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora…

Como disse, é uma excelente iniciativa, porque temos uma fortíssima comunidade espalhada por todo o mundo que tem poder aquisitivo, pode investir em Portugal ou então serem ótimos promotores dos produtos portugueses, ou seja, contribuírem imenso para as nossas exportações. Isso faz crescer a economia portuguesa. Temos connosco alguns investidores que tinham em França quinhentos postos de trabalho e neste momento têm mais de mil postos em Portugal. E, portanto, o GAID é muito bem-vindo, para intensificar ainda mais a relação entre Portugal e os investidores das comunidades.

Que mensagem quer enviar aos emigrantes para poderem visitar Arcos de Valdevez e usufruírem de todas as mais-valias do concelho?

Nós temos uma panóplia imensa de bons motivos para virem a Arcos de Valdevez: magníficas paisagens e monumentos, cultura, história, boa gastronomia e excelentes vinhos. Aqui serão sempre bem recebidos e, acima de tudo, podem ajudar-nos a construir o futuro que queremos para Arcos de Valdevez, onde Portugal se fez, faz e fará.

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Paulo Pisco
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