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2018-12-04
«Tinha o sonho de ter um hotel em NY e consegui concretizá-lo»

Em Midtown, a poucos quarteirões da ONU, do MoMA, do Central Park, de Times Square e de outra mão-cheia dos lugares mais badalados, está o único hotel feito de raiz por um português em Nova Iorque. Alfredo Pedro sonhou e concretizou. Hoje é um empresário de sucesso que gere um restaurante e dois hotéis entre Nova Iorque e o Algarve e não tem “papas na língua”.

Como é que foi a sua “passagem” de Portugal para os EUA?

Nasci em Évora, mas aos 5 anos já estava em Almada. Fiz o percurso académico na capital portuguesa, mas, em 1967, emigrei com os meus pais para Nova Iorque. Continuei os estudos nos Estados Unidos e formei-me em engenharia eletrónica.  Depois fui trabalhar para a IBM, estive lá 2 anos e meio mas, entretanto, entrei no negócio da restauração, mesmo no coração de Manhattan, em 1980.

Como é que se passa da engenharia industrial para a restauração?

Como é que se passa? Foi fácil porque não gostei da IBM. Eu nasci para ser livre, não sirvo para estar fechado num escritório e apercebi-me disso muito rapidamente. O meu pai, que era muito mais inteligente do que eu, mas que não teve possibilidade de estudar, dizia-me: «Tu não vais ser ninguém, queres é futebol e boa vida». Isso mexeu comigo e disse-lhe que ia tirar o curso de engenharia para ir para a IBM. Mas apenas por brincadeira.

Nos EUA, as empresas vão às universidades buscar os alunos. Fazem uma entrevista e depois convidam-nos para uma segunda entrevista já na própria fábrica. E foi o que me aconteceu. Aceitei um trabalho que achava interessante, porque me permitia arranjar aviões e viajar pelo mundo. Achei que era o ideal para mim, mas disse logo aos meus colegas que se aparecesse alguém da IBM para me dizerem. Foi o que aconteceu, mudei o meu currículo de acordo com o que eles procuravam, eles convidaram-me e fiquei lá.

Entretanto, um amigo de infância da minha mãe trabalhava num restaurante e um dia disse-me que os donos o queriam vender. Eu não tinha experiência em restaurantes, mas tudo se aprende na vida e pronto, acabei por comprar o restaurante.

Um restaurante, em Manhattan, que tem um pouco de Portugal e do Brasil, certo?

Atualmente é já o terceiro restaurante que tenho naquela rua. Mas desde o início que a cozinha sempre foi brasileira e portuguesa, os donos também eram portugueses e eu dei continuidade, embora com um nível mais elevado.

São mais de 30 anos dedicados à restauração em pleno coração de Nova Iorque…

Sim, já tive quatro restaurantes em Manhattan durante estes anos todos. Neste momento, o atual Ipanema tem dois anos e meio. Os outros fui vendendo, porque não gosto muito de rotinas, acho que nos tiram anos de vida.

Durante todos estes anos deve ter servido muitos famosos…

Já servi a Grace Kelly, a Jacqueline Onassis, o John Kennedy, cujo filho era meu cliente semanal. Servi muitas pessoas conhecidas, que gostavam sobretudo da comida brasileira, porque a cozinha portuguesa é muito complicada. Temos uma cozinha muito boa para nós, mas não temos um prato nacional famoso no mundo. O Brasil tem a feijoada, a Itália as pastas, a Espanha a paelha… mas nós temos um handicap muito grande nesta área.

Depois da restauração veio a hotelaria. Como é que surgiu o grupo Carvi Hotels?

Eu digo sempre aos jovens para terem um sonho, porque se não temos um sonho não temos objetivos, sabendo sempre que nem todos se concretizam. Eu sempre tive o sonho de ter um hotel em Nova Iorque e consegui concretizá-lo.

Tudo começou num dos restaurantes que tive, onde era dono do prédio e comecei em pensar em montar uma pensão, como um hostel, mas mais familiar. Havia muito turismo português e brasileiro e comecei a pensar que seria importante que as pessoas se sentissem em casa. Abri a pensão em 1993 com 12 quartos. Foi o primeiro hotel (sem ser propriamente um hotel) português nos EUA e foi um sucesso. Há 11 anos, vendi esse prédio, abri o Carvi Hotel NYC, que fiz de raiz, e comprei uma antiga pensão degradada em Lagos, com uma vista fantástica para a praia D. Ana, que transformei no Carvi Beach Hotel. Formei o grupo Carvi que é a junção dos nomes dos meus filhos: Carlos e Victor.

Continua a ser o único português com um hotel em Nova Iorque. Tenciona abrir noutros Estados?

Sim e fui o primeiro português a ter um hotel nos EUA. O Pestana foi o segundo e têm atualmente um hotel em Miami. Se vou ter outros? Muito dificilmente. A vida são pequenos momentos e devemos saber quais são os nossos limites. Os meus filhos também estão envolvidos nos negócios, mas pessoalmente não quero abrir mais nenhum hotel. Agora quero é desfrutar.

O Carvi Hotel NYC recebe muitos portugueses?

Todo o hotel tem pormenores portugueses. Os clientes são maioritariamente americanos e estrangeiros, talvez porque os portugueses não conhecem o hotel, também por culpa minha que nunca divulguei o espaço em Portugal. Mas está sempre cheio, tem 40 quartos que se vendem facilmente. Trata-se de um hotel português e isso vê-se logo à entrada, num painel em pedra mármore feito em Lagos, muito bonito, e onde estão retratados os descobrimentos.

Falando em portugueses, como vê a comunidade portuguesa?

A comunidade portuguesa é muito fechada e as pessoas não se integram na comunidade local. Há muitos que estão cá há 50 anos e não falam inglês, porque não precisam: trabalham para portugueses, vivem na comunidade, os supermercados são portugueses… Eu tive uma vendedora que nasceu em Newark e nunca tinha vindo a Nova Iorque, é completamente surreal, é o mesmo que estar em Almada e nunca ter ido a Lisboa.

Mas também existem portugueses, como o Alfredo, que já estão plenamente integrados, sem nunca esquecerem as suas raízes.

O meu pai teve a felicidade de ter um amigo que não vivia na comunidade portuguesa e eu, que estava lá só há uma semana, fui logo estudar para a escola americana e fiz o meu percurso a lidar, no dia-a-dia, com a comunidade local.

Portugal não apoia ninguém, os emigrantes é que são uns “bobos” que andam por aí. Apoiam todas as causas, sustentam os bombeiros… Eu sou contra isso, porque o dinheiro não chega lá, só se entregarem diretamente às entidades responsáveis.

Sou um bocado rebelde, detesto os políticos e sou frontal, digo-lhe diretamente, porque vejo-os a roubar Portugal quando andam sempre a viajar, em bons hotéis, bons restaurantes. E quando aparecem aqui, os emigrantes andam sempre atrás deles, como se eles não fossem funcionários como somos todos e nós (contribuintes) não lhes pagássemos o ordenado. Eles é que têm de agradecer em estar connosco!

Também tem um lado solidário. Exemplo disso foi a ajuda que deu a algumas famílias prejudicadas pela tempestade Sandy, em 2012.

Sim, foram sobretudo americanos residentes em Nova Iorque, que foram afetados pela falta de água e eletricidade na cidade. Assim como ajudei um casal de idosos do norte de Portugal que não podiam pagar a casa às finanças. Quando ajudo ninguém precisa de saber, não preciso de homenagens e não estou cá para o show-off. 

Quais são os seus planos futuros?

Viver os pequenos momentos que a vida me dá. Traço objetivos e quando os atinjo fico satisfeito. Construir outro hotel para quê? Vai-me tirar horas de praia. E, neste momento, só preciso de calções de banho, chinelos e praia para ser feliz.

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