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CHINA
2019-02-01
«Mercado chinês tem potencial para as empresas portuguesas»

José Augusto Duarte, embaixador de Portugal na República Popular da China, é inequívoco no seu discurso ao afirmar que há condições para a relação entre os dois países continuar a intensificar-se nos próximos anos e que será fundamental Portugal contar com mais investimento chinês no setor industrial e incrementar o comércio entre os dois países.

Na sequência da recente visita do Presidente chinês, como vê o atual quadro de relações económicas entre Portugal e a China?

As relações políticas entre Portugal e a China são excelentes. Há excelente fluidez de contatos institucionais, há entendimento mútuo nas grandes questões bilaterais e internacionais. Estes elementos criam, naturalmente, um excelente relacionamento político. Quanto às relações económicas, têm melhorado muito na última década, com um crescimento expressivo dos investimentos chineses em Portugal e com o incremento das trocas comerciais. Mas acredito que há margem para intensificarmos ainda mais as relações económicas entre Portugal e a China. Portugal tem excelentes condições para oferecer a qualquer investidor estrangeiro e em particular à China, incluindo estabilidade e segurança, uma posição geográfica e um relacionamento privilegiado com Europa, África e América Latina. Seria bom a China tirar partido destas condições e fazer novos investimentos em Portugal, desta vez na área industrial, e estabelecer mais acordos comerciais com um país que lhe pode vender produtos de primeira qualidade a nível mundial.

Que importância poderá assumir Portugal no Projeto da nova “Rota da Seda”?

Portugal apoia o aumento da conetividade entre a Ásia e a Europa. Apoiamos a estratégia para a conectividade com a Ásia da União Europeia e acreditamos que a iniciativa da nova “Rota da Seda” também tem potencial para contribuir nesse sentido. A celebração do Memorando de Entendimento sobre Cooperação no quadro da Faixa Económica da “Rota da Seda “durante a visita do Presidente Xi Jinping, em dezembro passado, ao nosso país, reflete a convicção que Portugal pode contribuir e beneficiar deste aumento da conectividade e cooperação com a Ásia e em particular com a China. Diria mesmo que para o plano de desenvolvimento das ligações ferroviárias e marítimas da Iniciativa “Rota da Seda” fique completa – ligando efetivamente o extremo ocidental da Europa ao extremo oriental do continente euro-asiático – Portugal terá sempre um papel de enorme relevância. É de recordar que Sines é um dos grandes portos europeus de águas profundas, fazendo a ligação geográfica ideal ao Canal do Panamá e a todo o continente americano bem como a África. Julgo, por isso, que Portugal tem efetivamente condições de exceção para ter um papel da maior importância na nova rota marítima da seda.

Macau parece, cada vez mais, assumir um papel estratégico, não só em relação ao nosso país, mas à Lusofonia em geral. Porquê?

Portugal e a China já cooperam com os países de Língua Portuguesa através do Fórum Macau. O Fórum Macau é uma excelente iniciativa política que merece o reconhecimento e apoio de todos nós, com um enorme potencial para promover as relações económicas e comerciais entre a China e os países de Língua Portuguesa. É nesse sentido um dos elementos privilegiados de ligação entre a China e aqueles países. 

Que conselhos daria aos empresários portugueses que queiram apostar na China?

Qualquer investimento no estrangeiro exige uma rigorosa preparação, um estudo cuidado e uma análise muito objetiva das condições do mercado onde se pretende penetrar. A China pela sua dimensão, distância e complexidade legal e cultural apresenta desafios muito próprios. Mas apresenta simultaneamente oportunidades únicas extraordinárias. Importa transformar as aparentes dificuldades em vantagens. A grande dimensão deste mercado, por exemplo, recomenda o foco numa região específica ou mesmo numa única cidade, não nos esqueçamos que há cidades chinesas com mais população que o nosso país inteiro. Por outro lado, é essencial conhecer bem os parceiros, as redes logísticas e os hábitos de consumo chineses, hoje com uma classe média em crescimento acentuado e com uma enorme apetência por produtos de alta-qualidade.

Há uma clara aposta do Governo português neste domínio?

Sem dúvida alguma que sim. O mercado chinês apresenta um enorme potencial e inúmeras oportunidades para as empresas portuguesas, e todos nós gostaríamos de ver mais investimento português na China, mais empresas e mais agentes económicos e culturais a serem bem-sucedidos neste país.

Quais são as maiores fragilidades?

Os números ainda não são aqueles que gostaríamos. Há ainda algum desconhecimento deste mercado em Portugal e eventualmente um certo temor perante os desafios que apresenta. É necessário também compreender as condicionantes estruturais do nosso lado e do lado chinês que muitas vezes explicam algumas das dificuldades em aceder a este mercado. Da nossa parte trabalhamos diariamente para reduzir as barreiras e facilitar o acesso ao mercado chinês pelas empresas portuguesas. 

Olhando para o futuro… onde estaremos nos próximos anos?

Relativamente ao futuro próximo este ano reveste-se de grande simbolismo para a relação sino-portuguesa. Não só se celebra os 40 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a China, como se comemoram também os 20 anos da retrocessão de Macau para a China. Estas datas históricas serão assinaladas nos dois países com a organização de Festivais Culturais recíprocos que aproximarão ainda mais os dois povos e darão a conhecer mutuamente a cultura, a arte e a história dos dois países. Creio que se trata de um bom exemplo de como Portugal e a China encaram o futuro, de consolidação e fortalecimento estável da relação. Há condições para a relação entre os dois países continuar a intensificar-se nos próximos anos. Como referi gostaríamos de contar com mais investimento chinês na indústria em Portugal, e deveríamos ter mais comércio entre os dois países. São áreas que importa continuar a explorar no futuro e criarmos em conjunto as condições necessárias para o crescimento do intercâmbio comercial equilibrado entre os dois países.

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