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PORTUGAL
2019-04-05
The last man on the moon

Aproveitei estes últimos dias, antes do começo da primavera, para repor algumas leituras em dia e colocar alguma ordem em todos os sine die que se vão acumulando ao longo dos meses quando dei de caras com o último homem que tinha estado na Lua.

Era um conjunto de notas soltas de uma das minhas conversas com o Comandante Gene Cernan, entretanto falecido, quando da sua passagem por Lisboa e com quem tive o privilégio de trabalhar e conviver. E à memória vieram-me muitas histórias daquele que foi, no dia 11 de dezembro de 1972, o último homem até hoje a pisar a solo lunar no comando da missão Apollo 17.

Retive-me por momentos na carga simbólica do “Last man on the Moon” (aliás título do livro de Gene Cerne que constitui um documento ímpar sobre a corrida espacial norte-americana) e de facto em algo que para nós, pelo menos na geração dos 50, nos parece tão próximo, mas já está tão distante.

O que mudou no mundo desde a década de 70? Para bem dizer tudo, mas com que rumo? Com que fim? Parece bizarro quando hoje dizemos: há mais de 40 anos o Homem conquistou a Lua; daí para a frente nunca mais fomos a lado nenhum, limitámo-nos a cirandar. O que ganhámos e o que perdemos se é que será alguma vez possível fazer um balanço do devir da humanidade? Não se trava o progresso, dirão todos aqueles que vivem em constante tormento com o pesadelo dos “velhos do Restelo”, mas, para mim, um dado é adquirido: perdemos, entre muitas outras coisas, um elo fundamental, perdemos o nosso próprio rumo. Mas com o rumo perdemos muito mais coisas, perdemos talvez uma das mais preciosas: deixámos de FALAR… e passámos a COMUNICAR. E é curioso como de repente passámos a ter tanta coisa para comunicar e uma necessidade tão imperiosa de o fazer. Nós, as empresas, as organizações, um sem número de agentes e atores e de tal modo que o tempo até escasseia perante esta “mórbida imposição” da aldeia global. Tempo esse que até escasseia para viver, quanto mais para falar.

Como me dizia o meu pai, na altura dividido entre os rigores de militar atravessado por uma guerra colonial e os primeiros passos de arranque do projeto (politicamente controlado) de informação na RTP “se na II Guerra tivesse havido uma televisão nunca o holocausto nazi teria assumido a sua catastrófica dimensão”.

Hoje olhamos à nossa volta e interrogamo-nos sobre quantas dimensões catastróficas foram projetadas e potenciadas, para o bem ou para o mal, nesta parafernália infinita da televisão, do Facebook, do Twitter, do Instagram, seja do que for. E será que fez alguma diferença? Afinal a imperiosa necessidade é Comunicar.

Que saudades que eu tenho da Lua.  

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