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Revista PORT.COM • 16-Mar-2017
Cientistas liderados por português detetam vento meridional em Vénus



Pedro Machado lidera o projeto de investigação, mas tem colaboradores em vários pontos do mundo, como Paris ou Japão, da agência espacial japonesa.

Um grupo de cientistas internacionais liderado por um português identificou a existência de circulação de vento entre o equador e os polos, em Vénus, o que contribuiu para explicar a super rotação deste planeta.

Pedro Machado, que lidera a equipa, disse que "os nossos resultados, que são publicados hoje, mostram sem sombra de dúvidas - é complemente claro -, que existe realmente uma célula de Hadley, uma circulação meridional entre a zona equatorial e cerca de 60 graus de latitude norte, e outra célula simétrica no hemisfério sul", em Vénus.

O cientista do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA1) e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) acrescentou que o resultado do trabalho, ontem publicado na revista científica Icarus, referência na área de estudo do Sistema Solar, aponta para a existência, "como os modelos previam (...) de somente uma célula em cada hemisfério, em vez das três que existem na Terra, por exemplo".

"Termos a evidência de que existe realmente esta circulação é muito importante para tentar compreender algo que tem sido um 'puzzle' há décadas, que é o fenómeno da super rotação da atmosfera de Vénus", realçou.

Pedro Machado explicou o movimento do vento meridional, dizendo que o ar aquecido na zona equatorial recebe mais radiação, aquece e sobe.

Ao nível da altura das nuvens em Vénus, que é de cerca de 70 quilómetros de altitude, a circulação segue ao longo dos meridianos, até cerca de 60 graus de latitude e desce.

"Existe um ramo desta circulação meridional abaixo da camada de nuvens de ar mais frio, que já entregou a sua energia em excesso nas altas latitudes, e regressa ao equador, fechando a célula", resumiu o cientista.

Esta observação, defendeu, "é crucial para compreender a super rotação porque não se percebia como é que havia energia suficiente nas altas latitudes, onde recebe menos quantidade de radiação solar, para acelerar as partículas e para ter ventos".

Em Vénus, a atmosfera roda cerca de 60 vezes mais rápido do que o globo sólido, o planeta em si, "um fenómeno muito raro", apontou o investigador do instituto de astrofísica.

Vénus roda muito lentamente, "uma rotação completamente sobre si próprio é mais lenta do que o ano - uma rotação à volta do sol -, e a dinâmica da atmosfera é totalmente diferente da circulação atmosférica na Terra", onde a atmosfera acompanha a rotação do planeta, explicou Pedro Machado.


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