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Revista PORT.COM • 13-Mar-2017
“Acredito que sermos de Portugal foi importante para a decisão final”



O grupo português Idealmed venceu o concurso internacional para o projeto de um hospital de luxo em Muscat, a capital de Omã. O concurso foi lançado pelos sultanatos do Brunei e de Omã, em conjunto com um dos maiores grupos económicos da zona do Golfo Pérsico, o Suhail Bahwan.

Entrevista a José Alexandre Cunha, administrador da Idealmed

 

O administrador da Idealmed, José Alexandre Cunha, recebeu a Revista PORT.COM no primeiro hospital edificado pelo grupo português do setor da saúde, em Coimbra. Entretanto, já há projetos com esta marca em Cabo Verde e na China, mas foi o concurso ganho em Omã que deu o mote a esta entrevista.

 

O setor português da saúde está por todo o mundo através dos médicos e enfermeiros, mas é menos comum ouvir-se falar no que a Idealmed alcançou. O que os motivou a entrar no concurso para um hospital de luxo em Omã?

Tudo começou devido a uma relação que temos com parte da comunidade médica no Dubai, não necessariamente comunidade portuguesa. Por força do reconhecimento do nosso trabalho, este conjunto de médicos tendo conhecimento que o Sultanato de Omã iria lançar um concurso internacional para um novo hospital, incentivou a Idealmed a concorrer. Como vou à Ásia todos os meses, tentei fazer o enquadramento e encontrei uma estrutura acionista singular, dado que representa o Sultanato do Brunei, o Sultanato de Omã e o Suhail Bahwan, que é um dos maiores grupos económicos da região do Golfo. Tinham ideias muito concretas, já com muitas entidades de consultoria a trabalhar com eles, para saberem com que empresas no estrangeiro poderiam trabalhar. À partida, parecia um fato à medida para um grupo com maior dimensão do que propriamente a Idealmed, mas mesmo assim achei que seria importante apresentarmos o nosso projeto, focando as nossas ferramentas de internacionalização, com o que já estamos a fazer na China e também em Cabo Verde. Logo à partida percebemos que a nossa apresentação foi bem acolhida.

 

O que lhes deixou essa impressão? No que é que focaram a apresentação?

Focámos numa lógica que nos poderia distinguir de grandes grupos com maior dimensão. Assumimos a mesma matriz que temos aqui: a qualidade das instalações, a qualidade dos recursos humanos, a qualidade tecnológica do parque instalado, tudo argumentos que acredito que os outros também focaram. O que nós fizemos de diferente foi assumir a relação que temos com a Universidade de Coimbra e com a Fundação Bissaya Barreto, uma relação de diferenciação qualitativa do ponto de vista da formação. Integrámos ainda mais vetores essenciais, como apresentarmos no nosso projeto uma empresa de engenharia especializada na construção de hospitais…

 

Então a Idealmed apresentou uma proposta que vai para além dos serviços de saúde em si…

Sim, apresentámos uma proposta com tudo o que é necessário para montar o hospital, tudo com empresas portuguesas. Nós transportamos connosco engenharias, arquitetura e a capacidade de escolher os principais fornecedores do ambiente hospital.

 

Que empresas portuguesas são essas?

Da engenharia e arquitetura é a VHM, do Porto, que tem uma grande tradição a fazer hospitais. Na área das tecnologias da informação fomos buscar a IBM portuguesa para as redes e para o software a Ideal Globaltech, que tem os melhores e mais evoluídos sistemas de gestão de hospitais que conheço a nível mundial.

 

No fundo, a proposta apresentada é uma seleção portuguesa…

Nós somos um prestador global, com áreas de competências a toda a linha. Isso ajuda, como é óbvio, a diferenciar. Quem nos escolhe, escolhe um interlocutor único, o que é essencial para quem está do lado de lá e não percebe muito de hospitais, nem quer perceber.

 

O processo de seleção foi muito longo? De onde eram as outras candidaturas?

Começou em agosto 2015 e foi-nos adjudicado em agosto de 2016, durou curiosamente um ano. O que os nossos parceiros fizeram durante esse ano foi avaliar quase 30 grupos a nível mundial, grupos de origens diferentes, como americanos, canadianos, turcos, ingleses, entre outros.

 

A candidatura da Idealmed era a única portuguesa?

Sim, e acreditamos que somos o único grupo português com este posicionamento no mercado internacional. Os grupos de saúde portugueses não estão vocacionados, nem parametrizados, para oferecer este tipo de serviços no mercado global. A Idealmed assumiu, desde 2012, esta postura. Nós assumimos que a nossa estratégia passava pela internacionalização desde o dia em que nos apresentámos em Portugal. A nossa estratégia de desenvolvimento não está em fazer mais hospitais com esta dimensão em Portugal, está em transportar conhecimento e competência para fora do país.

 

Profissionais portugueses são bem-vindos

 

O hospital em Muscat vai basear-se sobretudo em recursos humanos portugueses?

Não. A matriz de recursos humanos vai basear-se em recursos locais, que têm inclusivamente uma formação académica muitíssimo diferenciada. Os médicos e especialistas de saúde omanis são pessoas formadas nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Alemanha, daí que tenham serviços muito sofisticados. Têm uma hospitalização pública muitíssimo interessante. Independentemente de tudo isto, para nós é importante termos alguns recursos humanos na liderança dos projetos clínicos que temos em Omã. Vamos ter lá médicos e enfermeiros portugueses, mas sem prejuízo da matriz de recursos humanos ser predominantemente local.

 

Os muitos enfermeiros portugueses que, nos últimos anos, partiram para destinos como o Reino Unido e a Irlanda, podem ter esperança em serem recrutados para este projeto?

Terão seguramente todas as oportunidades de recrutamento para um grupo como é a Idealmed, não só para países no estrangeiro nos quais estejamos presentes, mas também para Portugal.

 

Valorizam essa experiência internacional?

Num grupo de saúde que pretende continuar a abrir hospitais pelo mundo, obviamente que termos profissionais que tenham uma visão mais abrangente do mundo é algo que valorizamos.

 

Os médicos e enfermeiros omanis virão estagiar a Coimbra?

Nós funcionamos numa lógica de partilha de conhecimentos. Nós receberemos médicos e técnicos de saúde de Omã, que farão uma customização de competências em partilha com colegas portugueses, de forma a que quando voltem a Muscat possuam outras ferramentas que lhes possam ser úteis. O sentido contrário também é verdade. Nesta lógica de partilha, também enviaremos profissionais portugueses para Muscat.

 

Reencontro com a ligação histórica entre Portugal e Omã

 

Considera que a marca Portugal também tenha ajudado a valorizar a única candidatura portuguesa a concurso?

Também conta muito. Portugal tem uma imagem lá fora que, ao contrário do que muitos portugueses pensam, não é uma imagem negativa. Nós temos uma imagem de reconhecimento, competência e qualidade na grande maioria destes mercados. O triste neste processo é muitas vezes sermos nós próprios a não acreditar nas nossas competências e em vez de nos promovermos, andarmos lá fora a fazer o papel do Velho do Restelo a vender, entre aspas, as desgraças do nosso país.

 

Como é que os omanis olham para os portugueses?

Nós somos olhados como fazendo parte da própria história deles. Muscat foi uma cidade governada por portugueses e com presença de portugueses durante imensos anos. É fantástico chegar àquela região do mundo e ver que os grandes monumentos da cidade são todos portugueses. Há uma identidade cultural com Portugal que é inegável e eles enaltecem-na.

 

Mas notou muitas vezes esse conhecimento da História de Portugal? Falaram de nomes como Vasco da Gama?

Sim, muitas vezes. Eu acredito que sermos de Portugal foi importante para a decisão final. No fundo, faz parte da história dos dois países. Na primeira reunião depois de o projeto ser adjudicado, disse-lhes que isto acabava por ser um reencontro com a história. E, no fundo, nós ajudamos Omã a afirmar na região.

 

De que forma?

Tendo em conta que em Abu Dhabi e no Dubai estão presentes os melhores players do mercado mundial, o nosso projeto permite que Omã diga que tem equipamentos ao mesmo nível. E isto é muito importante porque hoje em dia Muscat é um destino turístico a nível global. É uma cidade seguríssima, lindíssima, muito organizada e com cadeias hoteleiras fabulosas, é muito importante para eles poderem afirmar que no setor da saúde têm um equipamento que está na vanguarda da saúde privada.

 

A Idealmed pretende aproveitar esta posição em Omã para abrir mais portas no Golfo Pérsico?

Isso já está a acontecer. Nós temos que ser realistas e conscientes que éramos um grupo desconhecido para a maioria das pessoas daquela região. Somos conhecidos em Portugal, em Cabo Verde e em Macau, nos sítios onde estamos fisicamente. O impacto de termos ganho esta posição, quer em termos de media como de mercado de saúde, ao sermos classificados como o grupo português do hospital dos dois sultanatos, permite-nos ser convidados para estudar outros projetos, para os quais não seríamos convidados se não tivéssemos ganho este.

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