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O Pernil da Venezuela
Revista PORT.COM • 31-Dez-2017
O Pernil da Venezuela



Nicolás Maduro prometeu que o tradicional pernil não faltaria nas mesas venezuelanas este Natal e falhou.

O pernil de porco é uma tradição no Natal venezuelano, tal como em Portugal o bacalhau. Este ano, perante a falta de alimentos naquele país, o presidente tinha prometido que o pernil não faltaria nas mesas venezuelanas, com cada família a ter direito a 5 quilos de carne. 

 "Com a entrega do pernil, fomos sabotados. Um país em particular, Portugal, porque nós comprámos todo o pernil que havia na Venezuela, mas precisávamos de comprar fora para preencher todas as necessidades e sabotaram-nos a compra do pernil", disse Nicolás Maduro. "Fiz um plano, que cumprimos, mas sabotaram-nos o pernil. Os barcos que os traziam foram sabotados ", garantiu o presidente venezuelano, sem nunca concretizar em que consistiriam os alegados atos de sabotagem.

Só que, incapaz de cumprir a promessa, Nicolás Maduro apontou Portugal como responsável e o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, limitou-se a dizer que "O governo português não tem o poder de sabotar pernil de porco", afastando ainda a possibilidade de chamar o embaixador venezuelano em Lisboa para esclarecimentos, referindo que a questão não é política.

Trata-se das tais respostas diplomáticas e de que nada servem, apenas e tão só, com o intuito de proteger a comunidade de portugueses que vivem na Venezuela. Nunca se conhecem as reações de um louco e, neste caso, mais vale prevenir do que tomar a atitude acertada.

Mas a questão do pernil não fica por aqui. Os venezuelanos têm o direito de saber e conhecer as “manhas” que o seu líder usa nos discursos para iludir o povo e fazê-lo passar os maiores sacrifícios, privações e misérias. Apesar de viverem num país rico a culpa é sempre dos “gringos” e de mais alguns estados que conseguem “engolir sapos” com os discursos com que Nicolás Maduro vai enganando um povo com pouca literacia e cultura, para se manter no poder e arruinar cada vez mais um país que não merece.

Se o presidente da Venezuela honrasse os compromissos internacionais que o país assume comercialmente, talvez existisse pernil para todos no Natal. O que ele deveria dizer no seu discurso é que ainda não pagou o pernil fornecido anteriormente às empresas portuguesas e que estas reclamam 40 milhões de euros do pagamento de 2016.

Uma das empresas que fornecia pernil de porco ao Governo venezuelano, a Raporal, emitiu um comunicado, na sequência da acusação do Presidente venezuelano Nicolás Maduro sobre "a sabotagem" portuguesa no fornecimento da carne durante esta quadra natalícia. 

"É a Venezuela que não tem cumprido pontualmente as suas obrigações de pagamento dos fornecimentos realizados em 2016", refere a empresa, acrescentando que "a Agrovarius, empresa do Grupo da Iguarivarius, vendeu em 2016 para o Governo venezuelano, ao abrigo de um contrato, 14 mil toneladas de carne num valor de 63,5 milhões de euros” e deste contrato, estabelecido em 2016, “ainda permanece pendente de pagamento cerca de 40 milhões de euros, dos quais 6,9 milhões de euros dizem respeito ao cumprimento do pagamento à Raporal", esclarece a empresa, que adianta estar a receber "de forma parcelar valores a abater na conta corrente referente a este contrato, sendo que a última ocorreu em agosto de 2017".

No mesmo comunicado, a empresa adiantou que já foi recebida pelo Embaixador da Venezuela em Lisboa e que "este se comprometeu, em nome da Venezuela, a realizar o pagamento integral em falta referente ao fornecimento de 2016, até março de 2018".

A Raporal negou ter fornecido, durante o ano em curso, qualquer o produto à Venezuela e criticou as acusações de Maduro e acresceutou: "A Raporal não tem conhecimento de qualquer ato de sabotagem de Portugal em relação ao fornecimento de pernil de porco à Venezuela, mas antes confirma que é a Venezuela que não tem cumprido pontualmente as suas obrigações de pagamento dos fornecimentos realizados em 2016", pode ler-se no documento.

Moral da história: para um volume de negócios tão grande e para mais com um país em que a moeda não serve (as transações são feitas geralmente em dólares USA ou Euros) será que estas empresas nunca ouviram falar em preços FOB ou CIF, ou garantia bancária ou ainda seguros de crédito? Para o Nicolás Maduro, vamos fazer uma subscrição para comprar e oferecer-lhe uma escultura do português Rafael Bordado Pinheiro – “Queres fiado …Toma!”


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