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Pessoas cegas vão votar em braille já nas europeias
Revista PORT.COM • 20-Mai-2019
Pessoas cegas vão votar em braille já nas europeias



As pessoas cegas vão poder votar nas próximas eleições europeias de forma autónoma, segura e secreta através dos boletins em braille que vão estar disponíveis em todas as mesas de voto, «um passo extremamente importante», na opinião da ACAPO.

O Governo fez recentemente uma demonstração do voto em braille, mas também do voto eletrónico, um projeto-piloto que vai ser testado nas próximas eleições no distrito de Évora, mas que não será ainda alargado a todo o país.

O presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), presente na demonstração e que também testou as duas opções, salientou que se trata de «um passo extremamente importante» para as pessoas cegas, mesmo que pareça algo simples para a maioria das pessoas.

«É algo que nunca aconteceu no nosso país, possibilitar pela primeira vez que as pessoas com deficiência visual possam votar autonomamente, possam ter a certeza de que votam no partido ou na coligação que desejam», destacou Tomé Coelho.

O dirigente lembrou que até agora as pessoas cegas precisavam e dependiam de uma pessoa que as acompanhasse e votasse por si ao selecionar no boletim de voto o partido escolhido, o que lhes retirava a certeza de estarem a votar em quem queriam.

Para Tomé Coelho, a existência de um boletim de voto em braille dá às pessoas cegas «condições de igualdade no exercício do seu direito e no cumprimento de dever de votar».

Depois de ter testado as duas opções, o presidente da ACAPO foi claro ao defender que a melhor opção seria o voto eletrónico, apontando que a associação irá lutar para que este sistema de voto seja estendido a todo o país, já que se trata de um sistema que não permite apenas aos cegos votar, mas também a qualquer cidadão, com deficiência ou não.

A secretária de Estado da Administração Interna esclareceu que o voto eletrónico é uma ainda apenas uma experiência piloto, cujo resultado será apresentado à Assembleia da República em relatório, e cujo possível alargamento a todo o país ficará para uma próxima legislatura.

Relativamente ao funcionamento do voto em braille, a secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência explicou que quando a pessoa cega se dirigir à sua mesa de voto, ser-lhe-á entregue uma matriz que já tem um boletim de voto no interior, e graças à qual a pessoa consegue identificar os partidos e assinalar a cruz num quadrado recortado, sendo que cada partido corresponde a um número.

Antes de votar é entregue uma folha explicativa onde é feita a correspondência entre o número da candidatura e o respetivo partido para que depois a pessoa identifique facilmente na matriz o número que quer assinalar.

«Uma vez feito o voto, a pessoa tira o boletim do interior da matriz, dobra-o em quatro. Tem uma linha guia colocada na parte branca para saber que é aquela parte que tem de ficar para fora no momento que dobrar o voto em quatro», explicou Ana Sofia Antunes.

No caso do voto eletrónico, a máquina funciona de forma tátil, através de um sistema de voz e com recurso a auriculares. Está ligada a uma impressora que, no final do processo, imprime o voto em papel para depois ser colocado na urna.


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