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Portugueses nos EUA apontam vitórias e derrotas durante a presidência Obama
Revista PORT.COM • 20-Jan-2017
Portugueses nos EUA apontam vitórias e derrotas durante a presidência Obama



Três emigrantes portugueses falam sobre os mandatos de Barack Obama, o primeiro homem negro a dirigir a nação norte-americana. Algumas opiniões podem ser diferentes, mas todos concordam numa coisa: Obama deixa um país muito diferente daquele que recebeu em janeiro de 2009.

Os portugueses que residem nos EUA acreditam que Barack Obama, que deixa hoje a presidência do país, ficou aquém das suas promessas eleitorais, mas transformou o país e vai deixar saudades.

“Obama foi um Presidente honesto, sem escândalos e um grande homem de família. Um presidente com integridade, que nos fez acreditar e ter esperança. Foi um líder numa altura em que o mundo muito precisa deles”, diz à Lusa Ana Ventura Miranda, diretora do Arte Institute.

Luís Pires, diretor do jornal Luso-Americano, diz que “a história irá olhar para Obama como um Presidente simpático, extremamente humano, leal aos seus princípios e honesto, mas também consciente de que poderá ter sido traído por algum conceito demasiado liberal”.

Fernando Gonçalves Rosa, presidente da PALCUS (Portuguese-American Leadership Council of the United States), refere acreditar que o democrata “vai ser recordado como um Presidente com caráter, que não criou escândalos, mas que não conseguiu um diálogo com aqueles que a ele se opuseram”.

Fernando Rosa acrescenta que a maior derrota do democrata, aquilo que não permitiu avançar mais a sua agenda, “foi não ter conseguido criar um diálogo com a maioria republicana” que controlou as duas câmaras do Congresso desde 2010.

Os três representantes acreditam que a economia, em que o desemprego baixou de 10 por cento para 4,9 por cento e em que a recessão de 2008 foi rapidamente ultrapassada, foi a sua maior vitória.

“Embora muitos americanos ainda não sintam qualquer ganho, estruturalmente os oito anos de Obama foram um sucesso e ele impediu a economia americana do colapso total”, diz Ana Ventura Miranda.

Por outro lado, aponta Luís Pires, a sua administração “contribuiu para o aumento da dívida de 20 triliões em 2016, quando no ano 2000 era de 5,9 triliões”.

A reforma do sistema nacional de saúde, que beneficia neste momento perto de 30 milhões de americanos, é outra das vitórias apontadas.

“O Obamacare ainda tinha muitas falhas, mas era um início”, diz Ana Ventura Miranda, que não acredita que o programa vá resistir à presidência de Donald J. Trump.

A nível de política internacional, estes portugueses acreditam que Obama podia ter feito mais, mas, como nota Fernando Rosa, “o que ficará nos livros de história é que foi o Presidente que reabriu o diálogo com Cuba e deixou entender a Israel que precisa de ouvir os amigos e aliados”.

Todos concordam que ser o primeiro Presidente afro-americano já garante um lugar na história do país, mas a sua eleição também ajudou a perceber que os problemas raciais do país não estão ultrapassados.

Se, por um lado, Rosa acredita que o americano “falou aberta e honestamente sobre os problemas raciais” e que esse diálogo é positivo, Ana Miranda nota que “a divisão entre brancos e negros tem sido cada vez maior.”

“O movimento ‘Black Lives Matter’ cresceu durante a sua presidência e o sucesso de Trump é também interpretado como uma reação a esta divisão”, explica.

Ainda a nível social, estes portugueses acreditam que a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, possibilitada pela nomeação de dois juízes liberais para o Supremo Tribunal, será o acontecimento com maior ressonância histórica.

Os três representantes concordam, no entanto, que “só no futuro” se poderá avaliar melhor o resultado de muitas das suas decisões” e que esse trabalho, que começa agora a ser feito, pode ser facilitado com a eleição de Donald J. Trump, cujas propostas vão de encontro a muito do que Obama defendeu.

“O Trump é controverso para a maior parte dos americanos. Obama nunca foi, apesar de as pessoas poderem ou não concordar com as suas opiniões e políticas. Com certeza sentiremos falta da integridade e do estilo de Obama”, conclui Ana Miranda.


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