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Marcelo participa na peregrinação ao santuário de Fátima em Wiltz
Revista PORT.COM • 25-Mai-2017
Marcelo participa na peregrinação ao santuário de Fátima em Wiltz



Presidente da República portuguesa participará este ano, a título privado na 50.ª peregrinação ao santuário, acompanhado pelos Grão-duques.

Marcelo Rebelo de Sousa terminou ontem a visita oficial ao Luxemburgo, mas o dia de hoje ainda vai ser dedicado àquele país, que tem uma das maiores comunidades portuguesas do mundo.

O Chefe de Estado continua, assim, a visita a título privado e participa nos Diálogos com a Comunidade, uma iniciativa do Governo para se inteirar dos principais problemas que afetam as comunidades portuguesas.

À tarde, o Presidente participa em Wiltz, a cerca de 65 quilómetros da capital Luxemburguesa, na missa e procissão anuais em honra de Nossa Senhora de Fátima.

 

Ainda em Wiltz, encontra-se com a comunidade portuguesa, que poderá assistir gratuitamente a um concerto do cantor português David Carreira, convidado por Marcelo a atuar no Liceu do Norte. Neste encontro serão oferecidas revistas PORT.COM aos portugueses presentes para os ajudar a matar saudades de Portugal.

 

Religiosa na origem do santuário de Fátima em Wiltz orgulhosa com Marcelo

A presença do Presidente da República no Santuário de Fátima deixa "orgulhosa" uma religiosa que fazia parte do grupo de luxemburgueses que prometeu construir o local, em 1945.

"Estou orgulhosa. E o padre Colling [que teve a ideia de fazer a promessa, já falecido] também sentiria certamente uma enorme satisfação", disse a religiosa de 90 anos, que tinha 17 anos quando a promessa foi feita.

O voto de construir um santuário de Fátima naquela localidade do Norte do Luxemburgo foi feito em 13 de janeiro de 1945, durante a Batalha das Ardenas, na Segunda Guerra Mundial.

Wiltz, que ficaria conhecido como "cidade-mártir", por causa do elevado número de mortos durante a ocupação alemã, fica a vinte quilómetros de Bastogne, na Bélgica, o epicentro da batalha sangrenta que opôs alemães e aliados, e a evacuação da localidade estava iminente.

Uma dezena de luxemburgueses refugiados na cave do presbitério decidiu então fazer a promessa de construir um santuário dedicado a Fátima, se a localidade fosse salva.

Anne-Thérèse, então com 17 anos, fazia parte do grupo que se refugiou na casa paroquial, após a casa onde vivia com os pais e as duas irmãs ter sido destruída por explosões.

"Foi a primeira casa destruída em Wiltz, em dezembro de 1944", recordou.

O grupo de luxemburgueses viveu na cave da casa paroquial entre dezembro de 1944 e finais de janeiro de 1945, e Anne-Thérèse, então adolescente, recordou a noite em que tudo aconteceu.

"Foi durante o inverno, havia muita, muita neve. Ao anoitecer, as tropas alemãs vieram falar com o padre e disseram-lhe que tínhamos de deixar Wiltz, porque os americanos estavam a caminho e a cidade ia ser evacuada. Fugir durante a noite, no meio da neve, com aquele frio, na incerteza! Ficámos chocados", recordou a freira carmelita.

"Então o padre perguntou se não podíamos ficar até ao dia seguinte, porque já era de noite. Os alemães concordaram em dar-nos mais algumas horas, e nesse momento o padre decidiu fazer a promessa de construir um monumento a Nossa Senhora de Fátima se ela nos salvasse", contou.

"Eu achava que devia ser na lua [risos], nunca tinha ouvido falar em Fátima. Mas foi também o papa Pio XII que consagrou o mundo inteiro a Fátima, e foi sem dúvida por esta razão que o nosso padre teve a ideia de fazer a promessa", explicou.

O texto da promessa foi escrito "em cima de um barril de chucrute" e assinado pelos luxemburgueses que viviam na cave - incluindo por Anne-Thérèse, que entraria para o convento um ano depois, adotando o nome atual, em vez daquele com que assinou o documento, Marie-Josée Thill.

No texto, conservado nos arquivos da Arquidiocese do Luxemburgo, promete-se "construir na colina de Baessent uma 'via crucis' dedicada ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora de Fátima", em sinal de "confiança na ajuda" desta aos habitantes e "em memória do enorme sacrifício de tantas famílias" durante a guerra.

A localidade não chegou a ser evacuada e uma semana depois, a 20 de janeiro, os alemães bateram em retirada.

A promessa foi cumprida e o santuário dedicado a Fátima foi inaugurado em 1952, na colina "Op Baessent", na localidade.

Com a chegada ao Luxemburgo dos primeiros portugueses, em 1968, iniciou-se uma peregrinação na quinta-feira da Ascensão, feriado no Grão-Ducado, que hoje atrai todos os anos cerca de vinte mil imigrantes.

Para a religiosa luxemburguesa, o interesse dos portugueses pelo santuário foi essencial para a sua sobrevivência.

"Sinto uma grande satisfação e acho que foi a providência. Se não houvesse o interesse dos portugueses, o santuário se calhar já estava em ruínas ou o interesse não seria o mesmo", defendeu. "Tenho uma grande satisfação que esteja vivo, e como tenho uma grande simpatia pelos portugueses, estou muito contente".

Hoje, a peregrinação ao santuário de Fátima em Wiltz está tão associada aos imigrantes portugueses que muitos não sabem que foi criado por luxemburgueses.

"Os luxemburgueses não sabem e os portugueses também não, mas foi a providência", defendeu a religiosa.

"Para os portugueses, a peregrinação é como a festa nacional, é um local onde podem estar juntos", concluiu.


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