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Grande parte dos emigrantes portugueses no Luxemburgo não quer voltar para Portugal
Revista PORT.COM • 03-Ago-2017
Grande parte dos emigrantes portugueses no Luxemburgo não quer voltar para Portugal



A ligação aos netos nascidos no Grão-Ducado e o acesso a cuidados de saúde podem levar a maioria dos emigrantes portugueses da primeira geração a decidir não voltar a Portugal após a reforma, aponta um estudo da Universidade do Luxemburgo.

O objetivo do estudo "Planos futuros e regulação do bem-estar de imigrantes portugueses idosos no Luxemburgo" era saber se a primeira geração de portugueses que foi trabalhar para o Luxemburgo prefere ficar no país ou regressar a Portugal e que fatores influenciam a decisão. A pergunta foi feita a 109 pessoas com idade média de 55 anos, 65% dos quais ainda a trabalhar.

A maioria dos inquiridos (43%) quer ficar no Luxemburgo, contra apenas 21,5% que pretende regressar a Portugal, havendo ainda 25% que disse preferir viver entre os dois países após a reforma. No entanto, quando chegaram ao Luxemburgo, a esmagadora maioria dos inquiridos (73%) pensava regressar a Portugal.

O estudo procurou saber o que os fez mudar de ideias. À cabeça das razões para ficar no Grão-Ducado estão os netos, aponta o estudo.

"Enquanto os participantes não diferiam em relação ao número de filhos, foi encontrado um efeito significativo quanto ao estatuto de avós", pode ler-se no documento.

Mais de metade do grupo que prefere ficar no Grão-Ducado (55%) tem netos a viver no país, tal como 48% dos que optam por dividir o tempo entre os dois países. Em contrapartida, só 13% dos que querem voltar a Portugal são avós. 

Outra das razões a pesar na balança é o acesso a cuidados de saúde. 

"De maneira geral, têm mais confiança no sistema de saúde do Luxemburgo: é o que eles conhecem, e mesmo os que decidem partilhar o tempo entre os dois países acabam por vir cá para as consultas com os médicos", explicou a psicóloga Stéphanie Barros Coimbra, uma das investigadoras que assina o estudo.

O inquérito também indica que aqueles que sentiram mais dificuldades de integração no país (aquilo a que no estudo se chama 'stress de aculturação') têm mais tendência para querer regressar a Portugal.

Sem surpresa, o tempo passado no Luxemburgo também pesa na decisão: o grupo que pretende regressar a Portugal viveu em média 25 anos no país, contra 32 anos no caso dos que querem ficar no Grão-Ducado ou viver entre os dois países. 

"Quanto mais tempo uma pessoa passa no país, mais se sente ligada ao Luxemburgo e provavelmente menos vontade tem de regressar, pelo menos de forma definitiva", explicou a investigadora.

Para Stéphanie Barros Coimbra, as conclusões são importantes para as políticas dirigidas aos imigrantes portugueses na terceira idade. 

"O que o nosso estudo mostra é que grande parte dos imigrantes portugueses querem ficar no Luxemburgo, e daqui a uns anos vai ser preciso adotar medidas para melhorar o quotidiano desta população e facilitar os cuidados nos lares de idosos, por causa, por exemplo, das barreiras linguísticas", defendeu a investigadora.


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