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De Paris a Seia, mais de 1500 quilómetros de solidariedade
Revista PORT.COM • 27-Out-2017
De Paris a Seia, mais de 1500 quilómetros de solidariedade



Um casal de lusodescendentes conduziu, ao longo de 1570 quilómetros, uma carrinha carregada de roupa, mantas, calçado e brinquedos para entregar às vítimas dos incêndios no concelho de Seia.

Georges Ferreira e Mélanie Alves, que moram na cidade de Chambly, a cerca de 60 quilómetros a norte de Paris, tiraram uma semana de "férias forçadas" para irem ajudar a sua terra a bordo de uma carrinha com um cartaz em que se lê "Solidarité Incendie - France Portugal - Solidariedade Incêndio".

"Nós, emigrantes lá fora, estamos sempre perto do nosso povo aqui em Portugal. Ouvimos falar dos incêndios na minha terra. Começámos a falar há uma semana com uns amigos, pusemos um anúncio no Facebook, as pessoas começaram a doar muita roupa, calçado. Na quinta-feira andámos na recolha e viemos na sexta para baixo", explicou Georges Ferreira à Lusa.

A viagem, e a entrega dos bens, tem sido fotografada e as imagens publicadas na conta Facebook "Solidarité Incendie (Portugal)".

O casal partiu na sexta-feira de França, no sábado chegou à Igreja Evangélica de Seia com "a carrinha de cinco metros cúbicos" carregada de bens e foi distribuir diretamente às pessoas, tendo também comprado alimentos com dinheiro que conseguiram angariar em França.

Na segunda-feira, os franco-portugueses foram a Riba de Ave, terra da família de Mélanie, e Oliveira São Mateus para "recolher mais bens como produtos higiénicos, eletrodomésticos" que vão entregar esta sexta-feira de manhã em Seia.

O lusodescendente, de 39 anos, acrescentou que "em França já há outra carrinha cheia e pessoas de Tours que também querem levar uma carrinha" carregada de bens, estando a prever fazer uma nova viagem antes do final do ano.

Georges Ferreira indicou, também, que o próximo objetivo é "angariar fundos para comprar uma carrinha para andar no combate aos incêndios".

"Na minha terra, Lajes, não temos uma carrinha para andar nos incêndios. Precisamos de uma pick-up para pôr um tanque de água atrás para termos lá na Junta para começarem a apagar os fogos enquanto os bombeiros não vêm porque, coitados, os bombeiros estiveram lá para trás e para a frente e não conseguiram vir à nossa terra", afirmou.


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