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Marcelo levou os abraços de mais de 10 milhões ao Centro de Portugal
Revista PORT.COM • 26-Dez-2017
Marcelo levou os abraços de mais de 10 milhões ao Centro de Portugal



Em dia de Natal, o Presidente da República fez questão de estar presente nos três concelhos afetados pelo incêndio de Pedrógão Grande, em junho, e transportou consigo 'o sentimento de mais de dez milhões de portugueses'.

Beijos, abraços e 'selfies' foram uma constante ao longo de todo o dia de ontem, uma tradução dos pedidos que foi recebendo, nos últimos dias, para que levasse "um abraço" ou "um beijo" às pessoas da região afetada.

"Houve muitos que não mo disseram, mas pensaram e sentiram. O que estou aqui a fazer é a cumprir essa missão", explicou Marcelo Rebelo de Sousa.

Na vila de Pedrógão Grande, fez-se fila dentro e fora da igreja matriz para cumprimentar o Presidente da República. Em Figueiró dos Vinhos, assistiu a um concerto da Orquestra Clássica do Centro e por Castanheira alongou-se numa visita pela aldeia natal no centro da vila.

Pelo meio, almoçou com familiares das vítimas do incêndio e marcou presença na inauguração da sede da associação, que transformou uma antiga escola primária "singela" numa casa onde, de acordo com a presidente da associação, Nádia Piazza, se vai procurar construir "o futuro".

Na ocasião, o discurso do Presidente da República foi também ele centrado na reconstrução e na necessidade de se refazer a vida. Uma intervenção toda ele feita com Bárbara, de sete anos, criança de Figueiró dos Vinhos, ao seu lado, levantando-lhe as mãos sempre que falava de futuro.

"O futuro já começou aqui", notou mais tarde Marcelo Rebelo de Sousa.

No final da inauguração, houve tempo para abraços sentidos como os dados por Telma e Flávio, mãe e filho, que enfrentaram as chamas nos Troviscais, em Pedrógão Grande.

"Sabe bem saber que não se está esquecido", notou Flávio, de 14 anos.

Por Castanheira de Pera, os abraços e beijos repetiram-se, assim como os votos de "Bom Natal", quando o Presidente da República entrou na Casa do Pai Natal, apinhada de gente ansiosa por o ver, onde teve tempo para dar um abraço longo ao Pai Natal de serviço, Alcides Simão Bernardo, que perdeu a sua casa no incêndio.

Durante a visita, recebeu retratos de Matilde, de seis anos, e Margarida, de dez anos, onde se podia ler "Marcelo, o nosso presidente", jogou 'mikado' e participou no concurso local de postais de Natal.

Já na rua, depois de passar pela pista de gelo e visitar a Oficina dos Sonhos, chegou-lhe aos ouvidos de que havia comboio de Natal. "Há comboio? Temos que andar de comboio" - dito e feito.

Encafuado numa carruagem bem acima da lotação, acompanhado de autarcas e jornalistas, Marcelo cumpriu um passeio de cerca de 10 minutos pelas ruas de Castanheira de Pera, atento às iluminações de Natal, monumentos e locais turísticos da vila, uma viagem "completamente inédita" para o Chefe de Estado.

"Onde é que eu pensava, às oito da noite do dia de Natal, estar a passear, num comboio de Natal, com música de Natal, em Castanheira de Pera, depois de ter passado por uma pista de gelo", frisou o Presidente da República.

Marcelo destacou a ideia de "recriar e reimaginar e aproveitar para ser um Natal virado para o futuro" num território atingido pelos incêndios de junho.

"Cheio de miúdos, de jovens, é espetacular. Sobretudo se pensarmos naquilo que foi vivido há seis meses, esta capacidade de reconstrução e imaginação para o futuro", declarou o PR.

No fim da viagem, o Presidente da República percorreu, a pé, algumas centenas de metros até ao quartel dos bombeiros voluntários locais - trajeto que incluiu uma volta num carrossel infantil montado numa moto da polícia - para ver de perto lojas abertas ao público e casas iluminadas, naquilo que definiu como "um esforço coletivo que demonstra um espírito comunitário muito forte ".

No final da visita, Marcelo Rebelo de Sousa ficou com a sensação de que as populações "estão com um ânimo excecional", sentimento que está presente "na cabeça e no coração das pessoas.

 

Associação de Vítimas de Pedrógão "vai fazer história"

Na inauguração da sede da AVIPG, situada numa antiga escola primária da aldeia da Figueira, Marcelo Rebelo de Sousa vincou que a associação "fez história, faz história e vai fazer história neste país", considerando que acompanhar o percurso daquela instituição é também "compreender um pouco a história" dos últimos seis meses.

Para o Presidente da República, a associação apresenta um conceito que "é muito novo" em Portugal, assumindo três dimensões: a memória, o futuro e o desenvolvimento económico do território.

"Estas três dimensões juntas são muito raras", observou, sublinhando o facto de AVIPG ser "uma associação virada para o futuro e com um horizonte que não tem limite".

No entanto, notou, essa diferença da associação foi por vezes difícil de compreender pela sociedade portuguesa.

"Havia quem me perguntasse: "Mas afinal como era? Aquela iniciativa não se esgota naquilo que é justo relativamente às perdas que existiram, na ideia de se sensibilizar para o que se passou, mas quer mais. Até onde é que vão?" Estamos numa sociedade que está habituada a estas diferenças. É uma realidade nova", constatou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a associação "é diferente e é bom que seja exemplar no sentido de abrir um caminho diferente".

Durante o discurso na inauguração da sede, o Presidente da República sublinhou que a associação nasce a partir de um "momento doloroso" e que assume a dimensão da memória, não para ficar preso a ela, mas para aprender com a mesma.

A associação, notou, "quis ir mais além e quis passar uma outra dimensão que já não era de passado - uma dimensão de futuro".

E essa dimensão foi abraçada não a partir "daquela coisa banal que se diz que a vida continua", mas fazendo "uma vida diferente", recriando-a, explicou.

Por fim, vincou, a associação "reconverte-se numa verdadeira associação para o desenvolvimento económico, social, cultural e humano destas terras, sem mudar o nome", querendo "criar o futuro e ajudar a abrir pistas para esse futuro".

E isso, afirmou, não passa apenas pela reflorestação, combate aos incêndios ou proteção das populações, mas por um "olhar para um projeto de vida diferente nestas terras".


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