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Comunidade portuguesa na Venezuela pede ajuda ao governo
Revista PORT.COM • 09-Jan-2018
Comunidade portuguesa na Venezuela pede ajuda ao governo



A comunidade portuguesa de Caracas queixou-se ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal da indiferença e da tardia reação do Governo português perante a crise que afeta os portugueses radicados na Venezuela.

“Portugal sabe perfeitamente da situação social que aqui vivemos, porque estamos nos olhos do mundo. No entanto, pretende ver uma realidade de outros tempos”, disse, no domingo, o Presidente do Centro Português de Caracas (CPC).

Rafael Gomes falava no Salão Nobre do CPC, durante um encontro com Augusto Santos Silva, em nome das duas mil famílias que integram o clube, num evento que reuniu várias centenas de portugueses.

“Elevo a voz de protesto e de preocupação pelos últimos acontecimentos, onde, de uma forma direta e frontal, a nossa comunidade de empresários foi altamente afetada”, frisou, numa alusão à descida dos preços imposta pelas autoridades locais aos supermercados.

Rafael Gomes aproveitou a ocasião para pedir a Augusto Santos Silva que “sirva de porta-voz, como alto representante do Governo de Portugal, de que já basta de tanta indiferença” de Lisboa.

“Também que sirva de porta-voz ao Governo venezuelano pelos maus-tratos de que somos vítimas há muito tempo e pelo flagelo da insegurança, a que sabemos todos estamos expostos, sem importar a nacionalidade”, disse.

O presidente do CPC denunciou “a indiferença em relação aos sequestros que se produzem diariamente”, sublinhando que uma das comunidades “mais afetadas” é a portuguesa e que “pouco ou nada se faz para mudar a situação”. “Não bastam somente boas intenções, faz falta também ação”, frisou.

Para Rafael Gomes, “a verdade está na rua, está todos os dias nos consulados”, onde os portugueses pedem documentação “para sair da Venezuela” e “nas favelas onde também há portugueses bastante carenciados”.

“Portugal não tem em conta a grande quantidade de carenciados que há na Venezuela e os programas de apoio não se agilizam em Lisboa”, disse.

As relações com as autoridades portuguesas estão também marcadas pelas deceções quando “Portugal, ou os seus representantes, lá distantes, não dão respostas às preocupações” locais.

“Portugal não facilita, aos portugueses, investimentos quando regressam à sua terra, pela situação atual que agora aqui se vive (...) e ainda não responde aos portugueses que tinham as suas poupanças num banco português”, disse.

Por outro lado, Rafael Gomes queixou-se que Lisboa “consciente das necessidades [da comunidade portuguesa] não deixou passar a oportunidade para assinar acordos com o Governo (venezuelano), que só beneficiaram empresários portugueses de Portugal e não a comunidade portuguesa aqui radicada”.

“Portugal sabe que o Centro Português, instituição de solidariedade, social e desportiva, sem fins lucrativos, não é a realidade de toda a comunidade. Apenas tem 2.000 sócios, que com dificuldades mantêm com as suas quotas a sua infraestrutura, e nunca recebeu nenhum tipo de colaboração de Portugal”, frisou.

“Na Venezuela, não nos sentimos representados pelas nossas autoridades do Governo central (...) se comparar-mos a reação de outros países estrangeiros, perante situações como as atuais, Portugal nunca reage rapidamente”, apontou.

 

“Os cidadãos portugueses que são sequestrados, expropriados, nos seus negócios ou empresas, sentem a solidão, a falta de apoio e ajuda, porque Portugal nunca se pronuncia (...) Estamos cansados de discursos herméticos, agradecemos as palavras, mas precisamos realmente de ações, que nos façam sentir realmente como cidadãos portugueses emigrados na Venezuela”, sublinhou.


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