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Portugueses que fogem da Venezuela refazem vida em Madrid
Revista PORT.COM • 25-Jan-2018
Portugueses que fogem da Venezuela refazem vida em Madrid



Os lusodescendentes que chegam ao país 'são pessoas formadas e educadas'.

Madrid é uma cidade de refúgio de muitos luso-venezuelanos, principalmente jovens da segunda e terceira geração de emigrantes portugueses, que falam melhor castelhano e que tiveram de sair da Venezuela devido à situação económica do país.

"Viemos para Madrid devido à situação política. A economia está muito má. Estamos a tentar encontrar um futuro melhor", disse Manuel de Castro, um jovem luso-venezuelano que chegou a Madrid há seis meses e já conseguiu arranjar emprego.

Num português hesitante, Manuel de Castro explicou à agência Lusa que ajuda na medida das suas possibilidades a família que deixou na Venezuela: Aqui "já tenho trabalho, já tenho casa, tenho tudo, mas não tenho a família".

No consulado de Portugal em Madrid, as inscrições de luso-venezuelanos têm vindo a crescer nos últimos anos de forma significativa: de 95 inscritos em 2013, o número passou para 122 em 2014, 240 em 2015, 409 em 2016 e, finalmente, 728 no ano passado.

"Parece-nos evidente, os números demonstram que, com o agravamento das condições sociais, económicas e mesmo políticas na Venezuela, há um aumento correspondente e um aumento do número de chegadas aqui em Espanha", explicou o embaixador de Portugal na capital espanhola, Francisco Ribeiro de Menezes.

Embora em menor número, o crescimento de inscritos segue o mesmo padrão nos consulados de Barcelona, Sevilha e Vigo.

"Agora estamo-nos a instalar aqui e por mais que goste da Venezuela, porque sou venezuelana e adoro o meu país, acho que não é um bom momento para lá estar", confidenciou Yelitza Mendes Simões, que chegou a Madrid há dois anos para fazer o mestrado e decidiu ficar a trabalhar.

Os seus irmãos também já vieram para Espanha e estão todos muito agradecidos por terem a nacionalidade dos pais.

"Cheguei aqui como portuguesa, estou aqui como portuguesa, estou a trabalhar numa empresa portuguesa e acho que [a nacionalidade portuguesa] foi o melhor presente que me deram os meus pais", realçou Yelitza.

Centenas de milhares de migrantes tentam todos os anos chegar à Europa, que na maior parte dos casos tem a porta de entrada fechada, e apenas aqueles que têm a nacionalidade de um dos Estados-membros da União Europeia conseguem entrar sem qualquer dificuldade.

Os lusodescendentes que chegam a Espanha são "pessoas que têm o espanhol mais como primeira língua e seguramente como língua de trabalho do que o português. São pessoas formadas e educadas", explicou ainda Francisco Ribeiro de Menezes.


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