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Emigrantes indocumentados no Canadá continuam a receber cartas de deportação
Revista PORT.COM • 15-Abr-2018
Emigrantes indocumentados no Canadá continuam a receber cartas de deportação



Há vários emigrantes indocumentados no Canadá, incluindo açorianos, que estão a receber cartas para regressarem ao seu país de origem, apesar da pressão de várias forças políticas e sociais para que o Governo de Trudeau altere a lei.

Manuel Alexandre, presidente do Comité dos Trabalhadores Indocumentados de Toronto, declarou ao semanário Milénio Stadium, que foi enviada nos últimos dias uma carta ao Primeiro-ministro, Justin Trudeau, expondo novamente a situação de muitos emigrantes naquelas condições.

“Entristece-me quando alguém me telefona a pedir ajuda, após terem recebido a carta de deportação. O último casal residia neste país há 5 anos e, dentro de um mês e qualquer coisa, teve de vender a casa, os carros, e acabar com contratos de trabalho que tinha com vários clientes. Casal ideal para desenvolver este país e dar emprego a outros. Circunstâncias destas afetam qualquer pessoa, o que por vezes nos faz irritar e falar mal do governo. Muitas vezes me dizem: “deixam entrar aqueles que exploram o sistema social, e aqueles que contribuem, são deportados”, declarou Manuel Alexandre, prometendo que vai continuar a lutar para pressionar o governo canadiano a alterar a sua posição.

“É necessário fazermos o mais possível para que este país continue a ser o brio deste mundo. O objetivo do nosso grupo é pressionar o governo atual, para que o nosso PM divida a compaixão que tem para com os combatentes do ISIS (grupo de ideologia extremista e chamado terrorista), a recebê-los para trás, e que seja dada prioridade àqueles que descontam, que contribuem para o sistema social desta nação, sem quaisquer benefícios. Este é um ponto importante de referir, pois a benevolência pode desta forma ser dividida, para benefício de todos”, acrescentou Manuel Alexandre.

Neste sentido foi apresentada uma proposta ao governo canadiano.

“O Projeto Piloto foi trabalhado por vários membros da comunidade e aperfeiçoado por colaboração de vários MPs (deputados). Quero reconhecer um grande trabalho e esforço que o nosso MP Peter Fonseca tem feito ao longo de ano e meio, mas que por qualquer razão, se afastou um pouco. Mas nós continuamos na luta, até que o Projeto Piloto desenhado, seja implementado, a nível federal”, indicou ainda o dirigente luso.

 “Como se sabe, para se obter o estatuto de residente permanente é necessário saber falar e escrever inglês ao nível do quinto ano. Tal se torna muitíssimo difícil para muitos de nós, que não sejam de origem anglófona ou francófona. Após muitos debates com vários ministros da imigração, achamos que o requerimento da língua inglesa não é a via direta para se ter sucesso neste país. O sucesso vem através da diligência, do trabalho intenso e da vontade de se afirmar na vida, sem ter de recorrer aos sistemas de assistência social. Estes foram vários pontos de discussão apresentados aos ministros. Em contrapartida, todos concordamos, que se tivermos conhecimentos da língua inglesa, tudo se torna um pouco mais fácil, pois não se fica tão dependente de outras pessoas. Mas, como referi anteriormente, esta não é a via direta para se ter sucesso neste país, pois o sistema de assistência social, tem muitos indivíduos que nasceram e cresceram neste país, e que falam muitíssimo bem o inglês. Finalmente, estamos a ter o apoio dos media. Desta forma, está chegada a hora, para que todos juntos, sejamos uma voz ativa a favor daqueles que não podem falar”, explicou Manuel Alexandre, concluindo que “desistir não está no nosso dicionário, como afirma o nosso hino nacional: Contra os canhões marchar, marchar!”.


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