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Condutor e proprietário de carrinha condenados por morte de emigrantes portugueses em França
Revista PORT.COM • 14-Jun-2018
Condutor e proprietário de carrinha condenados por morte de emigrantes portugueses em França



O tribunal de Moulins, França, condenou a quatro e três anos de prisão o proprietário e o condutor de uma carrinha acidentada em março de 2016, na qual morreram 12 emigrantes portugueses.

O tribunal de Moulins, França, condenou a quatro e três anos de prisão, respetivamente, o proprietário e o condutor de uma carrinha acidentada em março de 2016, na qual morreram 12 emigrantes portugueses, revelou um dos advogados.

«Foram ambos os arguidos condenados, foram condenados em medidas de pena diferentes, que era também uma pretensão nossa, porque sempre entendemos que Arménio tinha uma culpa mais grave do que o Ricardo. E então temos uma pena de três anos para o Ricardo e de quatro a cinco anos para o Arménio», disse à agência Lusa Filipe Santos Marques, advogado dos herdeiros de sete das vítimas.

O proprietário tem ainda como sanção acessória «a proibição do exercício de atividade de transportador a título definitivo», disse o advogado, salientando «que é difícil a fiscalização, porque sempre exerceu esta atividade de forma informal». O advogado considerou o acórdão «bem preparado».

«Analisou muito bem a situação. O problema principal é a medida da pena ser baixa, mas, efetivamente, nestes casos a pena é sempre baixa. São situações muito complicadas de gerir, porque para as famílias a prisão perpétua era o ideal, mas não é viável», sublinhou.

Filipe Santos Marques realçou que, como advogado de herdeiros de vítimas coube-lhe acompanhar o processo «e permitir o envio das provas para os processos acessórios que estão a decorrer em Portugal», um em Lisboa e outro na Guarda, para fixação da indemnização.

Ricardo Martins Pinheiro, o motorista, hoje com 22 anos, era acusado de homicídio involuntário, ferimentos involuntários agravados e violação manifestamente deliberada de uma obrigação de segurança ou de prudência.

O tio, Arménio Pinto Martins, de 44 anos, proprietário do veículo, é acusado de homicídio involuntário por violação manifestamente deliberada de uma obrigação de segurança ou de prudência.

 

12 vítimas mortais

As 12 vítimas mortais, com idades entre os 7 e os 63 anos, viviam na Suíça e deslocavam-se a Portugal numa carrinha que embateu frontalmente com um veículo pesado na Estrada Nacional 79, na localidade de Moulins, centro de França, um troço da RCEA (Estrada Centro Europa e Atlântico), conhecida por ser uma estrada perigosa.

O relatório do “bureau d’enquête sur les accidents de transport terrestre” (serviço de investigação sobre os acidentes de transporte terrestre), publicado em março de 2018, indicava que «a causa direta do acidente é o comportamento inadequado e perigoso do condutor da carrinha que, sem ter a visibilidade suficiente, iniciou uma ultrapassagem a uma velocidade excessiva, com um veículo num estado deplorável (travões e pneus gastos), em sobrecarga e com um atrelado num estado técnico deficiente».

O documento acrescentava que as 12 vítimas mortais «foram transportadas de forma ilegal e perigosa (bancos acrescentados ilegalmente com fixações, cintos de segurança deficientes ou inexistentes)».

O documento concluiu, também, que «a viagem foi organizada pelo tio do condutor que organizava regularmente este tipo de transporte entre a Suíça e Portugal e que o transportador não tinha nenhuma existência legal nem respondia às obrigações definidas para as empresas de transporte».


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