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Mais de 10% da população do Havai (EUA) descende de portugueses
Revista PORT.COM • 30-Set-2018
Mais de 10% da população do Havai (EUA) descende de portugueses



A Câmara de Comércio Portuguesa da Ilha do Havai (HIPCC) está a comemorar os 140 anos da chegada dos primeiros imigrantes portugueses, com uma série de eventos sob o tema ‘Saudades: o Desejo’.

Exatamente há 140 anos, a 30 de setembro de 1878, um navio de madeira composto por três mastros, de seu nome SS Priscilla, chegou ao porto de Honolulu, Havai, a partir do Funchal, arquipélago da Madeira, após ter passado 116 dias no mar com a primeira grande vaga de imigrantes portugueses.

A bordo da embarcação alemã encontravam-se as primeiras famílias de imigrantes portugueses do Havai, que chegavam para trabalhar nas culturas da cana do açúcar, café, batata doce e fruta, como trabalhadores contratados.

Segundo a Biblioteca do Congresso norte-americano, estes não foram os primeiros portugueses no Havai, já que existem registos de João (John) Elliott de Castro como sendo o primeiro imigrante português a chegar ao arquipélago em 1814 e foi médico do rei Kamehameha.

O número de chegadas não é definido. De acordo com o diário de bordo do porto, havia 80 homens, 40 mulheres e 60 crianças para um total de 180 passageiros, embora os documentos consulares portugueses indiquem um total de cerca de 120 passageiros.

 «Foi um importante destino da emigração açoriana na segunda metade do século XIX e onde reside atualmente uma vasta comunidade de descendentes de açorianos», adiantou o executivo açoriano.

«Muitos milhares de açorianos» rumaram às então chamadas ilhas Sandwich para trabalhar, sobretudo, «nas culturas da cana do açúcar, café, batata doce e fruta», até à primeira década do século XX.

«Ao longo de várias gerações, os açorianos aliaram o seu vasto património cultural com os costumes do povo do Havai e de outros que para ali emigraram, legado que permanece visível até aos dias de hoje, por exemplo, ao nível da gastronomia, com a massa sovada, conhecida como 'sweet bread', e as 'hawaiian malasadas'», salientou o executivo açoriano.

Também na religiosidade se nota a influência açoriana, com o culto ao Espírito Santo, e na construção de casas em pedra vulcânica. 

 

Paulo Teves participou nas comemorações do 140.º aniversário

O diretor regional das Comunidades dos Açores, Paulo Teves participou nas comemorações do 140.º aniversário da chegada dos primeiros imigrantes portugueses ao Havai, onde ainda existe uma forte comunidade açoriana.

Durante a deslocação a este arquipélago do Pacífico, Paulo Teves reuniu-se com membros da comunidade portuguesa da ilha de Oahu, nomeadamente com a presidente do Camões Portuguese Club Hawaii, Josephine Carreira, a presidente da Brotherhood Punchbowl Holy Ghist, Evelyn Starkey, e o responsável pelo Departamento de Línguas e Literaturas da Europa e das Américas da Universidade do Havai, Paul Chandler.

O diretor regional das Comunidades também proferiu uma comunicação sobre "Os Açores e a Diáspora" numa aula da disciplina de Português, no Departamento de Línguas e Literaturas da Europa e Américas da Universidade do Havai.

Marlene Hapai, lusodescendente e presidente do Centro Cultural e Educacional do HIPCC, sublinhou que «os portugueses, como todos os imigrantes, quando abandonaram a sua casa, ansiavam pela sua família e amigos e pelo lar que deixaram para trás. Mas eles deixaram as suas casas por causa dos seus anseios por uma nova vida, então é agridoce. E é por isso que chamamos de 'saudades' - palavra muito especial para os portugueses».

A influência portuguesa na ilha é visível no instrumento musical ‘ukulele’, que se baseia no cavaquinho, «na presença política» — em Maui, os três ‘mayors’ são de origem portuguesa — e em alguma gastronomia: é possível encontrar as típicas malassadas (bolo típico madeirense), com a grafia adaptada – “malasadas”. Na cadeia de ‘fast-food’ McDonald’s, o menu inclui salsichas portuguesas.

 

Documentário “Portuguese in Hawaii” revela informação inédita

À margem do programa comemorativo, e com o apoio do Governo dos Açores e Direção Regional das Comunidades, o realizador açoriano radicado na Califórnia, Nelson Ponta Garça, mostra a «realidade quase desconhecida» da diáspora lusa no Havai no documentário “Portuguese in Hawaii”, que estreou no dia 28 de setembro.

«Pouca gente imagina que existem tantos portugueses no Havai», disse o realizador português. A estimativa é de que «mais de 10%» da população do arquipélago, que totaliza 1,428 milhões de habitantes, seja lusodescendente.

Ao contrário do que acontece com outras comunidades luso-americanas, a diáspora portuguesa no Havai não manteve ligação com o território nem com a língua portuguesa, algo que se deve ao facto de o arquipélago ser «muito longe», explicou Ponta-Garça.

Com a duração de 42 minutos, o documentário tem produção executiva da lusodescendente Marlene Hapai, diretora do Imiloa Astronomy Center, e co-produção da RTP. Será emitido na televisão portuguesa nos próximos meses, mas ainda sem data de estreia. O documentário contou ainda com o patrocínio da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e do Governo Regional dos Açores.

O Imiloa Astronomy Center, palco da estreia, está ligado à Universidade do Havai e faz parte da Night Sky Network da agência espacial NASA. Liderado pela lusodescendente, Marlene Hapai, é «um dos mais conceituados de observação de estrelas em todo o mundo», disse Ponta-Garça.

Este filme é a terceira produção “Portuguese In”, que começou em 2014 com uma série documental de nove episódios sobre a diáspora na Califórnia, onde Ponta-Garça reside, e teve continuidade no ano passado com quatro episódios dedicados à imigração portuguesa na Nova Inglaterra.

O realizador pondera ainda rumar à Flórida para se debruçar sobre a comunidade imigrante naquele Estado, algo que não está decidido, antes de terminar a série com uma produção de maior envergadura, “Portuguese in America”.


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