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Português em greve de fome por recusa de visto a mulher cabo-verdiana
Revista PORT.COM • 05-Dez-2018
Português em greve de fome por recusa de visto a mulher cabo-verdiana



Um português encontra-se desde o início da semana em greve de fome, em frente ao Centro Comum de Vistos (CCV), na capital de Cabo Verde, Praia, por ter sido recusado o visto à mulher, de nacionalidade cabo-verdiana, com quem pretendia ir passar o Natal a Portugal.

Carlos Guterres, 60 anos, casado há três com Dulce Guterres, está há mais de oito anos em Cabo Verde. Atualmente, está sem ocupação, mas já trabalhou «com várias empresas».

Em entrevista à agência Lusa, o português disse que tem já as viagens compradas para Portugal e que pretende voltar em janeiro a Cabo Verde.

«Pedi um visto para a minha mulher me acompanhar a Portugal este Natal, onde não vou desde 2010. Quero levá-la comigo, quero abraçar os meus amigos, o meu pai que tem 94 anos, conhecer dois netos e quero levar a minha mulher comigo a Portugal. É a minha mulher, estamos casados há três anos, em comunhão de bens, e claro que não a quero deixar ficar», afirmou.

Segundo contou, o CCV recusou o visto à mulher porque o marido, português, não tem residência em Portugal.

«Então como é que eu havia de ter uma residência em Portugal se estou em Cabo Verde há mais de oito anos?», questionou.

Em declarações à agência Lusa, o cônsul de Portugal em Cabo Verde, Tiago Penedo, afirmou que Carlos Guterres contactou a embaixada tendo estado com a agente social e falou com o próprio.

«Interrompi as entrevistas que estava a fazer e atendi-o. Expliquei que a secção consultar da Embaixada não tem capacidade para se ingerir em decisões do Centro Comum de Vistos. Entrámos em contacto com o CCV, para tentar perceber as razões e transmitir também as possibilidades e sugestões possíveis de atuação», prosseguiu.

Sobre a justificação apresentada - ausência de residência em Portugal - o cônsul disse apenas que não lida «com esse tipo de legislação».

Questionado sobre as consequências de uma greve de fome neste cidadão, Tiago Penedo assegurou que, se este precisar de apoio social, como já aconteceu «por outros motivos», a Embaixada estará disponível para o ajudar.

«Estaremos aqui para o ajudar, mas não nos ingerimos na decisão de uma outra entidade», frisou.

Dulce Guterres diz-se ansiosa por conhecer Portugal, os filhos e netos do marido e também por visitar a sua irmã que lá vive.

«Vou continuar a lutar. Se existem leis, também existem seres humanos. Vou lutar por mim e pela outra pessoa. Vou lutar até ao fim, não vou desistir. Vou ficar aqui, mesmo que perca o trabalho, mesmo que perca tudo», referiu.

Por seu lado, Carlos Guterres diz que assim que chegar a Portugal vai apresentar «uma queixa no Ministério dos Negócios Estrangeiros».

Fonte consular disse à Lusa que desde o início que aconselhou o cidadão português a esperar pela decisão do recurso apresentado, mas que este terá optado por manter a intenção de partilhar o seu caso com a comunicação social.

A mesma fonte acrescentou que ao CCV foi exigida isenção e o cumprimento da lei na reapreciação que está a ser feita e que não se deixasse influenciar por causa da situação nem da atitude do marido da requerente do visto.


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