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Portugueses emigram cada vez menos
Revista PORT.COM • 06-Jan-2019
Portugueses emigram cada vez menos



Cerca de 90 mil portugueses emigraram no ano passado, menos 10 mil do que registado em 2016 e com o Reino Unido a manter-se como o principal destino, de acordo com o Relatório de Emigração 2017 agora divulgado.

De acordo com o expresso no Relatório da Emigração 2017 agora divulgado, a emigração portuguesa continua numa tendência de descida sustentada que estará fortemente correlacionada com a retoma da economia portuguesa, sobretudo no plano da criação de emprego, a descida do desemprego e consequente revitalização do mercado de trabalho.

Esta tendência, segundo o documento elaborado pelo Observatório da Emigração, explica-se ainda pela redução da atração de países de destino como o Reino Unido, devido ao efeito Brexit, e Angola, devido à crise económica desencadeada com a desvalorização dos preços do petróleo.

Saliente-se que a descida do número de emigrantes começou a registar-se desde 2013, ano em que se atingiu o pico de 120 mil portugueses a emigrar - o máximo deste século - passando para 115 mil em 2014, 110 mil em 2015 e 100 mil em 2016.

Em síntese ficam aqui algumas das principais conclusões do relatório:

•  Embora em 2017 a emigração portuguesa para o Reino Unido represente apenas dois terços do valor a que chegou em 2015, este país continua a ser o destino para onde emigram mais portugueses: 23 mil em 2017. Seguem-se, como principais destinos dos fluxos, com valores em torno das dez mil entradas de portugueses, a Alemanha, França, Suíça e Espanha. Fora da Europa, os principais países de destino da emigração portuguesa integram o espaço da CPLP: Angola (3 mil, em 2017), Moçambique (mil, em 2016) e Brasil (mil, em 2015). Analisando estes fluxos a partir do seu impacto no destino, verifica-se que os portugueses, tal como registado no ano anterior, continuam a representar uma parte importante das novas entradas no Luxemburgo (14% em 2017), em Macau (6.5% em 2017) e na Suíça (6.3% em 2017).

Em 2017, os portugueses foram a segunda nacionalidade mais representada entre os novos emigrantes entrados no Luxemburgo, a quarta na Suíça e em França (valores de 2016), e a sétima no Reino Unido.

•  De acordo com as novas estimativas das Nações Unidas relativas a 31 de dezembro de 2017, Portugal continua a ser, em termos acumulados, o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente (considerando apenas os países com mais de um milhão de habitantes). De acordo com aquelas estimativas, o número de emigrantes nascidos em Portugal era um pouco inferior aos dois milhões e trezentos mil, valor ligeiramente menor do que o estimado pela mesma fonte em 2015. A diferença não se traduziu, no entanto, no valor da taxa de emigração, continuando a viver fora do país cerca de 22% dos portugueses. Reforçaram-se, no entanto, quer a tendência para uma maior concentração da emigração na Europa, quer para uma acentuada perda de importância relativa dos países americanos como destino alternativo. Em contrapartida, cresceu a proporção de emigrantes portugueses estabelecidos em África (ainda que se mantenha minoritária). Refletindo o efeito acumulado desta reorientação dos fluxos e da sua intensificação nas últimas décadas, a percentagem de portugueses a viver na Europa passou de 53%, em 1990, para 62%, em 2015, e 66%, em 2017.

•  A França continua a ser o país do mundo onde vive um maior número de emigrantes nascidos em Portugal: mais de 615 mil em 2014, último ano para o qual há informação oficial disponível. Ainda com mais de 100 mil emigrantes portugueses residentes encontramos, por ordem decrescente, a Suíça (220 mil em 2017); os EUA (148 mil em 2014); o Canadá (143 mil em 2016); o Reino Unido (139 mil, em 2017); o Brasil (138 mil, em 2010) e a Alemanha (123 mil, em 2017) e a Espanha (100 mil, em 2016).

•  De acordo com os dados disponíveis para o conjunto dos países da OCDE, relativos aos censos de 2000/01 e 2010/11, a população portuguesa emigrada encontra-se em envelhecimento e continua a ser maioritariamente composta por ativos pouco qualificados, quando caracterizada em termos globais, já que existem diferenças significativas por país. A tendência para o envelhecimento resulta do facto de o recente crescimento da emigração ser ainda insuficiente para compensar a redução dos fluxos de saídas de Portugal verificada entre 1974 e finais do século XX. Em consequência, o grupo etário dos portugueses emigrados com mais de 64 anos passou, naqueles países, de 9% para 17%, entre 2001 e 2011. A par com o predomínio de ativos com baixas e muito baixas qualificações escolares, observa-se também um crescimento significativo da proporção dos mais qualificados: a percentagem de portugueses emigrados com formação superior a residir nos países da OCDE praticamente duplicou, passando de 6% para 11%, entre 2001 e 2011, aumento que acompanhou o crescimento do número de ativos com formação superior na população portuguesa a residir no país.

•   Entre 2016 e 2017, o valor nominal das remessas recebidas em Portugal cresceu cerca de 6%, sendo ligeiramente superior a 3,5 mil milhões de euros. Por países, o maior crescimento absoluto foi o das remessas recebidas da Suíça (cerca de +100 milhões de euros) e o maior crescimento relativo o das remessas recebidas do Reino Unido (+23%) e de Angola (+19%). O maior decréscimo, tanto em termos absolutos como relativos, foi o das remessas recebidas de Espanha (-25 milhões de euros, uma redução de 18% em relação a 2016). 


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