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«Fiquei sem nada, toda a minha vida ficou em Moçambique»
Revista PORT.COM • 26-Mar-2019
«Fiquei sem nada, toda a minha vida ficou em Moçambique»



Sete portugueses foram repatriados e recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e por equipas do Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal (INEM) e da Segurança Social.

Cinco homens, uma mulher e um jovem de 15 anos foram repatriados para Portugal na sequência do ciclone. Chegaram à base militar de Figo Maduro em Lisboa num Boeing 767-300ER da EuroAtlantic, fretado pelo Estado português.

«Fiquei sem nada, toda a minha vida ficou em Moçambique. Só trago a roupa que tenho no corpo. Agora vou para debaixo da ponte. Foram momentos de muita angústia porque só três ou quatros dias depois de o ciclone ter passado é que conseguimos contactar os nossos familiares», desabafou Maria Lopes, um dos sete portugueses repatriados regressados a Portugal.

Natural de Lamego, vivia há cinco anos em Moçambique e regressou com o seu marido doente e com o seu neto de 15 anos, elogiando e agradecendo o trabalho do consulado português:

«Ninguém estava à espera das consequências do ciclone. Não dá para contar. Árvores inteiras a cair em cima dos telhados. Mas árvores centenárias, não é uma árvore qualquer; não é dessas pequeninas que nós vemos, são árvores centenárias, árvores que partem logo uma casa se for preciso. Ninguém estava à espera disto. Vocês não imaginam o vento que foi. Começou a chover. Depois, durante a noite, até à meia-noite (foi) muito agressivo e parecia que aquilo ia abrandar, mas depois, até perto das quatro da manhã não dá. O vento virou ao contrário, era só levantar tudo, telhados, tudo. A nossa casa ficou sem água e sem luz, ficámos sem nada e a solução foi virmos embora para aqui, para o nosso país. O meu filho, a minha nora e minha netinha ficaram lá. Eles estão lá ainda porque porque ele casou com uma moçambicana e, então, se depois as coisas não estiverem a correr bem, depois irão para outro sítio, para casa da sogra, para o Nampula (província no norte de Moçambique que não foi afetada pelo ciclone Idai). Agora quero recuperar do trauma e estou confiante que tudo vai passar».

Segundo Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros «a boa notícia é que continuamos sem nenhum registo de portugueses entre as vítimas, que infelizmente, como sabem, são na ordem das centenas, registadas e confirmadas oficialmente. Até agora não foram registadas vítimas mortais portuguesas em Moçambique ou no Zimbabué, onde também há uma comunidade portuguesa significativa. O número de portugueses por localizar tem vindo sistematicamente a diminuir e é atualmente inferior a dez. As autoridades portuguesas irão continuar a trabalhar para localizar todos aqueles cujos familiares, amigos e colegas identificaram como carecendo de ser contactados. Os sete portugueses que pediram auxílio ao Estado constituem todos aqueles que quiseram ser repatriados. Nós vamos ter necessidade de apoiar as populações, agora para evitar epidemias, para proceder a apoio médico e sanitário, e depois, numa fase seguinte, tratar-se-á de ajudar, também, na reconstrução.»


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