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Crioulos portugueses do Sri Lanka sem meios para visitar Portugal
Revista PORT.COM • 30-Mar-2019
Crioulos portugueses do Sri Lanka sem meios para visitar Portugal



A falta de financiamento impede as deslocações das comunidades burghers portuguesas no Sri Lanka.

Burghers, em holandês, significa cidadãos e passou a designar todas as pessoas com ascendência euro-asiática, incluindo holandeses e portugueses, no Sri Lanka. A comunidade de «milhares de pessoas» falantes de crioulo é originária da presença portuguesa no Ceilão no século XVII.

Hugo Cardoso, autor de uma investigação sobre falantes do crioulo português, afirmou à agência Lusa que estas comunidades manifestam o desejo de participar em festivais de folclore portugueses «por exemplo, no festival de Cantanhede (Semana Internacional de Folclore) e estes festivais estão abertos a este tipo de participação, mas é difícil conseguir o financiamento para as viagens; teriam de vir os músicos e os dançarinos; a outra opção seria trazer apenas os músicos, mas as comunidades gostariam de enviar a “performance” completa».

De acordo com o linguista da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, «há dois grupos particularmente ativos na preservação da música e da dança: um deles é constituído por pessoas mais idosas, que ainda falam bem o crioulo e depois há um grupo que forma pessoas mais novas, entre as quais alguns já não falam a língua; usam a língua nas canções, mas isso não é suficiente para preservar a língua nas suas famílias».

O material da investigação sobre as comunidades burgher portuguesas começa a estar disponível através do Arquivo das Línguas Ameaçadas (Endengered Languages Arquive), gerido pela SOAS (Universidade de Londres), em na cidade inglesa.

Segundo o investigador, a ideia que se tem vindo a desenvolver é que, quando o português desaparece de alguma sociedade, a língua inicia um processo de convergência com as outras línguas locais e, como a saída dos portugueses ocorreu em meados do século XVII, houve mais tempo para este crioulo se aproximar, em termos gramaticais, das línguas da região, o que resulta num perfil linguístico muito diferente. «Em vez de proposições, têm proposições, que vêm depois dos nomes. Os verbos vêm no final das frases e tudo isto está relacionado com o perfil linguístico das línguas dravídicas da Ásia Meridional».

A investigação de Hugo Cardoso concluiu que, apesar de existirem milhares de falantes, a transmissão da língua às gerações mais recentes está ameaçada. A solução passaria por incluir especialistas do próprio crioulo, no sentido de manter a identidade da língua, caso seja essa a vontade da comunidade.

«Faz sentido se a comunidade sentir ajuda e interesse de ajuda das instituições de Portugal, mas isso deve ser feito com muito cuidado. O meu receio nestas situações é que não seja feito com cuidado porque, se a intervenção for feita sem se saber como conservar essa língua e introduzir o português europeu, isso pode ter como resultado substituir o crioulo pelo português, que é negativo a meu ver porque este processo deve ser aditivo e não subtrativo e, por isso, tem de ser feita uma intervenção muito responsável, ou então, no limite, pode dar mais força à ideia de que aquelas línguas são incorretas e devem ser abandonadas, sem que nem o português se consiga implementar nessas regiões».

O investigador pretende estudar o português de Goa, Damão e Diu, que «não está devidamente estudado e documentado».

 

Foto em destaque ©Ponto Final Macau


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