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Apagões na Venezuela: «é difícil adivinhar o que vai acontecer, mas tememos que a situação se agrave»
Revista PORT.COM • 29-Mar-2019
Apagões na Venezuela: «é difícil adivinhar o que vai acontecer, mas tememos que a situação se agrave»



Os problemas de abastecimento consequentes dos apagões são temidos por vários comerciantes portugueses na Venezuela.

Agostinho Marques é comerciante na área da restauração e começa a cozinhar empanadas e arepas às 5H30 da manhã.

«Hoje quando íamos começar a cozinhar, ficámos sem luz. Tínhamos gás, mas tivemos de fechar as portas porque não havia como cobrar, porque as pessoas não têm efetivo (dinheiro) para pagar» contou o comerciante à agência Lusa. De acordo com Agostinho, os apagões não afetam só frigoríficos e caixas registadoras, mas também equipamento de ar condicionado, comunicações e terminais de pagamento.

Marcos Vasconcelos pondera fechar definitivamente o seu negócio porque «as coisas estão a estragar-se» e «temos de responder pelos compromissos e pelo pessoal que tem uma família para manter».

No mês de março, a Venezuela sofreu dois apagões gerais, nos dias 7 e 25. O apagão de 7 de março teve origem numa falha na barragem de El Guri e deixou tudo na penumbra durante uma semana (mais de 100 horas). Na passada segunda-feira, um novo apagão deixou às escuras grande parte do sudoeste de Caracas, estendendo-se depois a outras zonas. O Governo venezuelano explicou em comunicado que este último apagão foi fruto de dois ataques terroristas, um deles, um incêndio na barragem de El Guri - a principal do país.

Gladys Gavíria é empregada de escritório de uma empresa internacional e contou à agência Lusa que teve de «caminhar desde Los Ruices até La Florida (7,3 quilómetros) a pé até casa de uma amiga, onde dormi. Não pude regressar a casa porque não podia caminhar mais».

Os transportes são um setor bastante afetado nos apagões.

«Há trabalhadores que não chegam ao trabalho porque não há autocarros e têm dificuldades para regressar às suas casas» e, embora «muita gente» da comunidade portuguesa tenha carro, «a maioria da população não tem e tem e ir trabalhar ou regressar é difícil, e até mais caro, porque durante os apagões os motoristas aproveitam para cobrar mais». A maioria dos autocarros é propriedade dos motoristas.

O Governo da Venezuela aponta as culpas a atos de sabotagem de opositores apoiados pelos Estados Unidos, ao passo que a oposição acusa o atual regime de não fazer os investimentos necessários no setor. As falhas na manutenção e a ausência de peças de reparação tem sido denunciada por engenheiros elétricos desde 2005.

 

Foto em destaque ©AFP


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