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Médico luso-venezuelano afirma que crise na saúde é mais grave do que se pensa
Revista PORT.COM • 11-Abr-2019
Médico luso-venezuelano afirma que crise na saúde é mais grave do que se pensa



Um médico luso-venezuelano alertou que a crise da saúde na Venezuela é mais grave do que se pensa e os profissionais sentem-se de «mãos atadas» para prestar cuidados aos doentes.

«A crise da saúde no país é mais grave do que as pessoas pensam. Perdemos até a medicina preventiva, que é, na hora da verdade, o que mais vale», disse à agência Lusa José Gomes Pereira, um dos médicos que atende a comunidade portuguesa local.

José Gomes Pereira falava à margem da assinatura de uma carta-compromisso, entre o Governo de Portugal, o Centro Português de Caracas, a Associação Civil Amigos de Nossa Senhora de Fátima, da localidade de Los Teques, a sul de Caracas, e a Casa Portuguesa do estado de Arágua, para a prestação de cuidados de saúde à comunidade portuguesa local.

O neurocirurgião afirmou que na Venezuela há casos graves de desnutrição e não há «medicamentos para crianças, tratamentos imunológicos». As consequências vão ser visíveis «dentro de alguns meses e nos próximos anos», sublinhou.

«Temos um atraso, do ponto de vista da saúde, de 40 anos. Aqui fazíamos operações de toda a índole, hoje não temos como fazer as operações mais simples. Estamos de 'mãos atadas' a ver como as pessoas morrem e isso é doloroso», frisou.

Orgulhoso de poder fazer «algo pela sua gente», José Gomes Pereira insistiu que a assinatura do protocolo e o apoio de Lisboa é «muito importante» porque vai permitir ajudar muitos portugueses.

O médico advertiu que, na região de Los Teques, há portugueses que, além de medicamentos, «precisam de ajuda para fazer exames médicos», dando como exemplo as dificuldades para fazer uma ressonância com contraste por não se conseguirem os químicos necessários no país e por ter um custo muito elevado.

José Gomes Pereira explicou que, ao abrigo do compromisso agora assinado, começou a atender portugueses há um mês no Centro Médico Docente El Paso, em Los Teques, num processo que passa por fazer diagnósticos, verificar medicamentos requeridos e elaborar relatórios que são entregues no consulado.

«O processo demora entre mês e mês e meio e os medicamentos chegam todos individualizados, com o nome e contatos do paciente», frisou.

Já identificou várias doenças cardiovasculares, neurológicas, casos de demência senil e de Alzheimer, mas também do quadro endocrinológico e problemas oncológicos.

Por outro lado, o cônsul honorário de Portugal em Los Teques, Pedro Gonçalves, que assinou a carta-compromisso pela Associação Civil Amigos de Nossa Senhora de Fátima, destacou que desde o início do projeto «a comunidade portuguesa está muito agradecida».

«Temos quase 30 mil portugueses, que trabalham na agricultura e floricultura, muitos deles com necessidade de medicamentos e que vão agora beneficiar desta ajuda», frisou.


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