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Portugueses em El Junquito na Venezuela resistem à espera de mudança no País
Revista PORT.COM • 12-Mai-2019
Portugueses em El Junquito na Venezuela resistem à espera de mudança no País



Comércio está quase todo deserto e a estrada principal cheia de esgoto.

A comunidade portuguesa em El Junquito, a cerca de 30 quilómetros de Caracas, não desiste, aguarda uma mudança na Venezuela, resistindo às dificuldades. Admite que as portas do comércio estão abertas só para passar o tempo.

A localidade já foi um destino turístico muito concorrido. Todos dizem que era normal haver filas de carros a atravessar o centro da povoação, em busca de petiscos (famosas parrillas - carnes fritas) e uma atmosfera de montanha mais agradável.

Sexta-feira estava tudo muito diferente. Comércio quase todo deserto, a estrada principal cheia de esgoto, cheirava mal e com empregados de restaurantes muito agressivos a meterem-se à frente do carro quase a obrigar as pessoas a irem ao seu estabelecimento, sinal do desespero.

Encontrar portugueses ou lusodescendentes na povoação não é difícil. A maioria é proveniente da Madeira e encontraram naquele ambiente de montanha alguma semelhança com as terras onde nasceram.

Lucy Torres gere com o marido, galego, Elias, o estabelecimento das parrillas. Está vazio. Nem um cliente. Lucy já nasceu na Venezuela, mas os pais eram de S. Jorge, nos Açores, e o marido de Pontevedra. Fala de uma situação «horrível». Diz que nunca viveu tamanha crise. Queixa-se de tudo. Que não há internet, cortaram os telefones fixos, eletricidade falha muitas vezes. «Já estivemos quatro dias sem luz, perdemos a carne toda que estava no congelador».

Sobre a atual crise no país, o casal fala em uníssono: «Mantêm o povo oprimido e dão-lhes uma caixinha de comida». Isto para justificar que muitas pessoas não se manifestam nas ruas porque, apesar de ser pouco, sempre é alguma coisa. E «quem protesta, perde o direito aos subsídios».

Em El Junquito é tudo muito pior, porque está afastado da grande cidade. «A ambulância não funciona, os bombeiros não têm nada, no hospital não há sequer material hospitalar para curativos simples como tratar uma ferida».

A Conselheira das Comunidades Portuguesas, Maria de Lourdes Almeida, disse à agência Lusa que ofereceu toda a criação que tinha, galinhas e coelhos, porque a ração também é cara. Mas tem quatro cães e teve de comprar ração para porco porque a ração dos cães é caríssima, inacessível.

Sobre a comunidade, diz que a maioria são mais velhos, estão na agricultura ou comércio e que estão a aguentar-se com dificuldades, mas que os seus filhos estão todos a emigrar. Ficam só aqueles que continuam com as coisas que não podem deixar. E continuam na agricultura.

«Temos um clima de muita incerteza. Todos os que aqui vivemos não temos um panorama concreto do nosso futuro», afirma a conselheira, lamentando as dificuldades que existem na área da saúde.

«A questão médica continua a ser muito grave. Nos medicamentos, na assistência os hospitais estão muito deteriorados, as pessoas têm de ir para clínicas particulares e isso está a um preço elevadíssimo, porque essas clínicas estão a cobrar em dólares», afirma.

No caso dos portugueses e lusodescendentes, os que podem, quando há problemas de saúde emigram para Portugal.

Sobre o futuro diz que todos esperam que a Venezuela «possa voltar a ser a Venezuela que já foi».


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