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Dia de Portugal: ««Uma só pátria na riqueza dos Portugais que as nossas comunidades criam lá fora»
Revista PORT.COM • 10-Jun-2019
Dia de Portugal: ««Uma só pátria na riqueza dos Portugais que as nossas comunidades criam lá fora»



Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, preside às comemorações do 10 de Junho em Portalegre.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou esta segunda-feira no início das comemorações do Dia de Portugal, em Portalegre, referindo que «quando somos muito bons, somos dos melhores dos melhores» e desejando que o «futuro seja mais justo».

«É necessário um Portugal mais solidário e mais humano que honramos», começou por dizer o Presidente da República.

«Uma só pátria na riqueza dos Portugais que as nossas comunidades criam lá fora. As cerimónias regressam a Portalegre 41 anos depois, nesta lindíssima cidade. Aqui estamos em Portalegre, atentos os tempos recentes que apelaram à consciência para apelar aos Portugais esquecidos», começou por dizer Marcelo.

«Um 10 de Junho em Portalegre não acaba a 10 de Junho, tem de ser mais do que um pretexto de evocação do passado. Tem de ser um compromisso de futuro para com esta terra e para com esta gente», confessou o Presidente da República, deixando uma mensagem de otimismo: «Neste dia, como sempre, somos todos Portugal, mais do que nunca, e por isso todos recordamos com orgulho e saudade. Recordamos as nossas Forças Armadas, que lá longe, nos mais diversos continentes, nos defendem».

Por sua vez, o presidente das Comemorações do Dia de Portugal em 2019, o jornalista João Miguel Tavares, advertiu que a falta de esperança e as desigualdades de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados.

«A integração na Europa do euro não correu como queríamos, construímos autoestradas onde não passam carros, traçámos planos grandiosos que nunca se cumpriram, afundámo-nos em dívida e ficámos a um passo da bancarrota. Três vezes - três vezes já - tivemos de pedir auxílio externo em 45 anos de democracia. É demasiado», declarou.

João Miguel Tavares referiu-se aos casos em torno do sistema financeiro «num país amnésico, cheio de gente que não sabe de nada, que não viu nada, que não ouviu nada». 

«Percebemos que a corrupção é um problema real, grave, disseminado, que a justiça é lenta a responder-lhe e que a classe política não se tem empenhado o suficiente a enfrentá-la. A corrupção não é apenas um assalto ao dinheiro que é de todos nós - é colocar cada jovem de Portalegre, de Viseu, de Bragança, mais longe do seu sonho», disse.

«No nosso país instalou-se esta convicção perigosa: um jovem talentoso que queira singrar na carreira exclusivamente através do seu mérito, a melhor solução que tem ao seu alcance é emigrar. Isto é uma tragédia portuguesa», declarou o jornalista, que ainda foi mais longe nos seus avisos.

«A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático. Esta perda de esperança aparece depois travestida de lucidez e rapidamente se transforma numa forma de cinismo. Achamos que temos de ser pessimistas para sermos lúcidos, que temos de ser desesperançados para sermos realistas, que temos de ser eternamente desconfiados para não sermos comidos por parvos», acentuou.

Na parte final da sua intervenção, o jornalista citou uma das ideias mais vezes repetida pelo chefe de Estado: «O senhor Presidente da República costuma dizer com frequência que os portugueses, quando querem, são os melhores do mundo. O senhor Presidente da República que me perdoe o atrevimento: não há qualquer razão para os portugueses serem melhores do que os finlandeses, os nepaleses ou os quenianos, mas tenho uma boa notícia para dar: também não precisamos de ser melhores. Para quem ainda acredita numa ideia de comunidade, os portugueses são aqueles que estão ao nosso lado. E isso conta. E conta muito", concluiu.


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