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Pedreiro português a viver na Venezuela pede ajuda a Governo para dar nacionalidade a filhos indígenas
Revista PORT.COM • 07-Ago-2019
Pedreiro português a viver na Venezuela pede ajuda a Governo para dar nacionalidade a filhos indígenas



O português foi aceite numa comunidade de indígenas do estado venezuelano de Bolívar, a sul do país, onde teve oito filhos.

O pedreiro português Domingos da Silva Garrido pediu ajuda a Portugal para obter a nacionalidade portuguesa para os seus oito filhos indígenas, que teve com uma mulher de etnia pemón, na Venezuela.

«A minha família, em Portugal, de vez em quanto ajuda-me [economicamente], mas preciso de ajuda [do Governo], porque quero dar a nacionalidade aos meus oito filhos “pemones"», disse, em declarações à agência Lusa.

Os “pemones” ou “arekunas” são indígenas do estado venezuelano de Bolívar, sul do país. Vivem no Parque Nacional Canaima, nas proximidades da fronteira com o Brasil e a Guiana, na área da planície Grande Sabana, e estima-se que sejam cerca de 3 mil.

Natural de Beiriz, Póvoa de Varzim, este português, de 58 anos, emigrou em 1979 para a Venezuela, depois de ter “tentado a sorte” em Paris (França), de onde regressou a Portugal para prestar o serviço militar, partindo depois para a Guiné-Bissau.

«Vim trabalhar para a barragem de El Guri. Como me sentia bem aqui na Venezuela, fui depois para a floresta, para a Grande Sabana, fui contratado pela empresa de construção Vieira (de portugueses) para fabricar casas e fazer trabalhos de construção», explicou.

Esteve nas comunidades indígenas de Canaima e Kabanayén.

«Conheci a que agora é a minha senhora, fiquei encantado e casei com ela. Os filhos foram nascendo, crescendo, cada vez eram mais e fiquei amarrado aí», explicou, referindo que tem mais um filho em Bolívar «com outra mulher».

Questionado sobre como foi aceite pelos indígenas “pemones”, que tradicionalmente não aceitam casamentos com outras raças, explicou que o amor permitiu vencer as dificuldades.

«O amor às vezes é mais forte que o ódio e eu não me deixei dominar. Eles não me queriam aí e todas as semanas me afugentavam, com a Guarda Nacional [a polícia militar local], mas não puderam comigo, tiveram de aceitar-me. Eu era magrinho, mas tinha mãos de trolha», disse.

Com o tempo habitou-se a alimentar-se à base de casabe (uma espécie de panqueca ou pão de mandioca), da caça e da pesca. “Fazia trabalhos nos acampamentos e quando não tinha trabalho ia a uma “quebradita” (ribeira), buscava um, dois ou três diamantes ou um pedacito de ouro e com isso já tinha para viver”, explicou.

Domingos da Silva Garrido está a viver agora, temporariamente, na cidade de Puerto Ordáz, 680 quilómetros a sul de Caracas, no Estado venezuelano de Bolívar, porque a mulher adoeceu e porque ele próprio precisa de tratamento médico.

«Agora não posso ir trabalhar na construção porque tinha uma pneumonia e não sabia. Estava na montanha e comecei a sofrer de asfixia», disse.

O português lamenta não ter podido ensinar português aos filhos, mas referiu que em casa tem duas bandeiras portuguesas e que espera visitar Portugal ainda este ano, em princípio «em dezembro, porque o ambiente é mais familiar».


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