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Português que construiu Guayana promete manter-se no país
Revista PORT.COM • 27-Ago-2019
Português que construiu Guayana promete manter-se no país



A história recente de Guayana, com um milhão de habitantes, confunde-se com a de Aníbal Morgado, um aveirense que emigrou para a Venezuela há 62 anos onde construiu 80% daquela que é a segunda maior metrópole planificada da América Latina.

Guyana é a mais importante e mais povoada cidade do Estado venezuelano de Bolívar (675 quilómetros a sudoeste de Caracas), tida como centro industrial, económico e financeiro do sul da Venezuela.

Fundada nos anos 1960, a cidade foi construída de raiz para responder à necessidade do poder central de criar uma metrópole no sul do país, com apoio do Instituto de Tecnologia do Massachussetts (MIT, em inglês).

Nela estão as principais barragens elétricas da Venezuela e as processadoras de ferro, alumínio, aço, bauxite e outros minerais, constituindo-se como ponto de passagem obrigatória para as zonas de selva do sul da Venezuela e a Amazónia.

«Tenho 52 anos como empresário e 62 anos aqui na zona. Cheguei a La Guaira (norte de Caracas, no barco Santa Maria), passei por Caracas e vim diretamente a Guayana. Quando cheguei aqui não havia nada. Tivemos a sorte de ser testemunhas, de participar no desenvolvimento de uma cidade nova, completa. Muito poucas pessoas têm essa sorte no mundo», disse à agência Lusa o administrado do Consórcio Empresarial Morgado (CEM).

Aníbal Morgado emigrou para a Venezuela em 1957, onde o irmão, Manuel Morgado, já vivia há dois anos. O seu primeiro trabalho foi na construção da Barragem de Macágua

«Cheguei com 16 anos, fui ajudante de mecânico na barragem e 30 anos depois a Somor (uma das empresas da Corporação de Empresas Morgado), liderada por nós, fez a segunda etapa de Macágua II», recordou.

«As nossas empresas já têm 52 anos na Venezuela. O Grupo de Empresas Morgado construiu 80% do que é a cidade de Guayana, em estradas, edificações, obras industriais e barragens», disse.

Construíram também para outras áreas, entre elas a Ferro-mineira do Orinoco, a Corporação Indústria Venezuelana de Alumínio (CVG VENALUM), a Siderúrgica do Orinoco Alfredo Maneiro (SIDOR).

«Éramos 23 empresas, agora há uma diminuição devido à crise, mas ainda mantemos umas oito. Um dos nossos sucessos foi o trabalho: desde as seis da manhã até às seis da tarde, de segunda a sábado, e ao domingo desde as seis da manhã até à uma da tarde. Era praticamente escravatura», explicou.

A opção foi atuar na área da construção e do alumínio e não no comércio ou padarias, como é tradicional entre a comunidade portuguesa local.

«A Venezuela era um país de muita esperança e neste momento essa esperança está bastante truncada. Essa é a grande mudança que se nota», desabafou, comentando a crise política e social que o país atravessa, sob a liderança de Nicolás Maduro.

No entanto, disse estar confiante que, «depois de passar esta tempestade, o país ressurgirá porque a Guayana sempre tem sido uma zona de muita riqueza».

Por isso, «não penso ir embora, cheguei de (férias em) Portugal há oito dias e vou sempre a Portugal, penso que aqui na Guayana há futuro», acrescentou.

Segundo o empresário, o consórcio «está estável tem muitos funcionários bons, de confiança. Há pessoas que já é a terceira geração a trabalhar aqui, os pais, os filhos e agora os netos».

«A empresa funciona sem que estejamos aqui, está organizada dessa forma, temos aqui gente capacitada» vincou.

A Venezuela conta com quase meio milhão de portugueses e lusodescendentes, um número que tem diminuído devido à crise económica, que tem levado muitos a regressarem ou a emigrarem para outras paragens.


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