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Mobilidade dos cidadãos no espaço lusófono é crucial para a CPLP
Revista PORT.COM • 15-Set-2019
Mobilidade dos cidadãos no espaço lusófono é crucial para a CPLP



O antigo secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy defendeu que a mobilidade dos cidadãos no espaço lusófono, atualmente em debate, será “um elemento crucial” para valorizar a organização.

“Hoje está em discussão, a nível de governos, a questão da mobilidade no espaço comunitário. Se conseguirmos ultrapassar alguns constrangimentos internos, a mobilidade vai permitir, numa primeira fase, a circulação de vários grupos profissionais. Estarão criadas as condições para se incrementar o intercâmbio cultural, desportivo, intelectual, empresarial, mobilidade do conhecimento e da inovação”, defendeu o diplomata moçambicano no encerramento da conferência “Perspectivas de Valorização da CPLP”, organizada pela Global CPLP Iuris – Associação Jurídica de Advogados dos Países da CPLP e pelo município de Óbidos.

Murargy, que liderou o secretariado-executivo da comunidade lusófona entre 2012 e 2016, considerou que a facilitação da circulação dos cidadãos no espaço da CPLP será “um grande e importante passo para o reencontro” dos povos dos países de língua portuguesa.

“A mobilidade é um elemento crucial para a valorização da CPLP”, sublinhou.

O antigo secretário-executivo considerou que “durante muito tempo, a CPLP foi apropriada pelos seus respetivos governos”, com cada um a utilizar a comunidade “como instrumento privilegiado da sua política externa na defesa dos seus próprios interesses junto de organizações internacionais, na promoção e difusão da língua portuguesa e na realização de algumas ações pontuais e mitigadas de cooperação em áreas sociais, sem um impacto significativo na vida real dos nossos povos”.

Mas, avisou, a CPLP não se resume aos governos dos nove países que a constituem: “É também os parlamentos, os órgãos judiciais e a sociedade civil organizada dos nossos países que também clamam por um espaço”, referiu.

Murade Murargy disse esperar que a Nova Visão Estratégica, adotada na cimeira de Brasília em 2016, “abra espaços para uma maior aproximação da comunidade aos seus cidadãos”.

A valorização da CPLP passa por definir “ações que permitem aos povos da nossa comunidade se conhecerem melhor, explorar conjuntamente, através das suas empresas, associações comerciais, as várias oportunidades que se lhes oferecem para melhorar as suas vidas”.

A língua portuguesa é outro fator de valorização da CPLP.

Além de ser “um valor económico”, deve promover uma maior aproximação entre os povos lusófonos, “através de uma cooperação solidária, fraternal, mutuamente vantajosa, sem preconceitos ou ideias preconcebidas”.

Murargy sustentou ainda que a CPLP é “uma organização que faz a diferença” e que “é cobiçada por tantos outros países que se associam”.

“Seria oportuno interrogarmo-nos sobre o motivo desta crescente tão assinalável dos membros associados”, comentou.

A CPLP tem nove países-membros (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) e tem 18 países e uma organização (Organização dos Estados Ibero-Americanos) como observadores associados.

A promoção da mobilidade na CPLP é uma proposta conjunta de Cabo Verde, que detém atualmente a presidência rotativa da organização, e de Portugal, a quem compete o secretariado-executivo.

 


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