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Monumento ao emigrante, uma homenagem aos «filhos que foram»
Revista PORT.COM • 14-Dez-2019
Monumento ao emigrante, uma homenagem aos «filhos que foram»



Conhecer outro país é maravilhoso quando se fala em viajar, partir em busca de um novo emprego ou apenas explorar novos «ares». Mas quando se vive numa situação financeira instável, com família e pouca perspetiva de futuro, sair da terra natal rumo ao desconhecido torna-se uma opção possível, embora assustadora, pela oportunidade de uma vida melhor.

Muitas famílias viveram esta realidade e arriscaram longas viagens, de navio, sem saber o que encontrar. Mais do que coragem, essa era a maior prova de amor para com os seus, a ponto de todos se manterem juntos onde quer que fossem, sempre em busca de um futuro mais digno e com melhores oportunidades.

São essas as pessoas retratadas no Monumento ao Emigrante, um local dedicado a todos aqueles que partiram para terras desconhecidas em busca do sonho de dias melhores. Pessoas que sabiam que corriam grandes riscos, mas enfrentaram seu destino junto daqueles que amavam com a certeza de que o futuro lhes reservava grandes coisas.

História do Monumento ao Emigrante

É a história da família Giesteira, que deixou a Póvoa de Varzim e emigrou para o Brasil em 1955. Pai, mãe e quatro filhos viviam numa situação de pobreza na pequena cidade no distrito do Porto, dependentes de uma lavoura cuja produção era insuficiente para alimentar seis bocas.

Foi por volta de 1954, que o patriarca José Martins Giesteira realizou que não poderiam esperar a sorte e decidiu ir para o Brasil, que vivia um período de economia efervescente e sempre foi recetivo aos portugueses. Muitos, da família, opuseram-se a esse plano, inclusive a avó das crianças, que chegou a pedir à matriarca Luzia Gomes Moreira deixar um dos filhos com ela. “Onde eu estiver eles estarão, onde eu comer eles comerão, onde eu morrer eles morrerão” era a resposta de Luzia.

Sem previsão de regresso, atracaram no Porto de Santos em 1955 e fixaram-se na cidade de São Paulo. O começo foi difícil, com os seis a dividir um pequeno alojamento e a partilhar duas camas de casal. As refeições eram preparadas no próprio quarto por falta de espaço num pequeno fogão e, o dinheiro, custou a «começar a entrar». Quando o patriarca foi trabalhar nas limpezas, num banco, os dias maus começaram a dissipar-se, e a partida para o Brasil revelou-se a melhor decisão para o futuro dos Giesteira.

Quem foi Manuel Giesteira

Manuel foi para o Brasil com apenas 11 anos e, por ser o mais velho, tinha consciência da situação vivida pela família. Assim que chegou ao Brasil integrou no Seminário dos Padres Salesianos, de onde saiu aos 14 anos para trabalhar na mesma instituição bancária que o pai e ajudar nas despesas da casa. Assim, adquiriu desde cedo um «profundo desejo» de ajudar os pais, os irmãos e os menos favorecidos em geral. Este sentimento foi transversal ao longo de toda a vida de Manuel, que trabalhou como advogado e empresário no Brasil e apoiou diversas ações sociais, como a criação do site para divulgação da “doença do pezinho” (paramiloidose), típica da região de Laundos, e a criação do Instituto Manuel Moreira Giesteira de Promoção Humanitária para apoiar as crianças da favela de Cabuço, em São Paulo.

O Monumento

O marco, localizado no alto do Monte de São Félix, é simbolizado pela família Giesteira que caminha, na rampa de um navio, rumo a um novo mundo. O caminho contempla 328 degraus, com sete patamares e um total de 15 capelas que representam a Via Sacra, e conta ainda com dois jardins laterais ao longo de todo o percurso, com as bandeiras de Portugal e Brasil. A obra, construída com 100 toneladas de granito e 1.200 quilos de bronze, foi inaugurada em 5 de setembro de 1998. Na sua base encontra-se uma placa que resume a homenagem: “Aos filhos desta Terra que foram, lutaram e voltaram, e aqueles que foram, lutaram e não voltaram, mas quem não esqueceremos!”


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