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Emigração reduz participação de lusodescendentes em tradição na Venezuela
Revista PORT.COM • 28-Jan-2020
Emigração reduz participação de lusodescendentes em tradição na Venezuela



A comunidade luso-venezuelana celebrou, pela 20.ª vez, as Festas das Fogaceiras, em honra do mártir São Sebastião, uma iniciativa que teve, segundo os organizadores, pouca participação de jovens, devido à emigração de lusodescendentes que escapam da crise no país.

«A festa mudou de uma maneira muito significativa porque nos primeiros anos de festividade tínhamos um grupo de jovens, incluindo os meu próprios filhos e os de outros organizadores, nos quais víamos garantido o futuro desta organização, mas hoje 90% dessa juventude já não está na Venezuela», disse o presidente da Associação Amigos de Terras de Santa Maria da Feira, de onde provém a tradição.

Rodrigo Ferreira falava à agência Lusa à margem das celebrações que decorreram, no domingo, no Centro Português de Caracas, que reuniram uns 150 participantes e que contou com a presença da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, que se encontra a realizar uma visita de cinco dias à Venezuela.

O responsável comentou que «as miúdas que participam na procissão», transportando uma fogaça na cabeça em agradecimento a São Sebastião por ter livrado da peste a região de Santa Maria da Feira, dentro de «seis ou sete anos poderão já não estar na Venezuela", mas disse esperar que isso não se verifique: "Seria um indicador de que a situação na Venezuela está a melhorar», salientou.

Por outro lado, explicou que «são 20 anos» de festividades «que poderiam ser 21, mas houve um ano que não se fez a festa porque havia uma greve na Venezuela entre o mês de dezembro (de 2002) e fevereiro de 2003».

Ao longo das 20 celebrações, ficaram para trás as grandes festas que reuniam quase um milhar de pessoas e que em chegaram a incluir a recriação de uma feira medieval, mas Rodrigo Ferra é da opinião que a devoção persiste e vai manter-se.

«A tradição do que é a Festa das Fogaceiras, a missa, a procissão e o convívio, está a cumprir-se como no primeiro ano. Mudámos nós mais que tudo, os que integramos a associação. Deu-nos bastante experiência. A nível pessoal, fez-me melhor pessoa, porque aprendi muitas coisas. A devoção a São Sebastião era normal e agora é maior, acredito muito mais», disse.

O representante da associação de emigrantes disse ter pedido à secretária de Estado com a tutela da diáspora que ajude a "mitigar a situação das pessoas mais carenciadas dentro da comunidade portuguesa" porque «há muita gente a passar momentos críticos» no económico e na saúde.

Uma das mordomas, Mónica Reis, lembra com nostalgia os primeiros anos da festa, em que participa desde que fazia parte do Grupo Folclórico de Danças Internacionais Duas Pátrias.

«Antes havia um jantar de gala, mas com o passar do tempo passou a ser um almoço, por causa da insegurança. Deixou de fazer-se à noite para ser apenas ao meio-dia», disse, precisando que sempre acompanhou os pais, que são originários de Santa Maria da Feira.

Ainda assim, insiste, as celebrações na Venezuela são «um dia especial para os feirenses» porque «enaltece uma vez mais o orgulho feirense e a ligação à terra natal».

«Nós sentimos muito orgulho do nosso município, que dá sempre nas vistas, tem espetáculos culturais impressionantes, está muito virado para a cultura e para o empreendedorismo e nós, aqui, acompanhamos esse desenvolvimento», frisou.

Para esta lusodescendente, «a participação dos jovens é muito fraca, não porque eles não queiram, mas porque já emigraram» devido à situação na Venezuela e «já ficam poucos filhos dos mordomos a acompanhar a festa».

«A festa não vai morrer porque vamos lutar sempre para manter vivos os nossos costumes», prometeu.


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