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Presidente do grupo do Século de Joanesburgo gostava de investir nos media em Portugal
Revista PORT.COM • 26-Fev-2020
Presidente do grupo do Século de Joanesburgo gostava de investir nos media em Portugal



A presidente da Século Investment holding, que detém o jornal da comunidade portuguesa Século de Joanesburgo, disse que gostava de investir nos media em Portugal se surgisse «uma oportunidade».

Em entrevista à Lusa, a empresária Paula Ramos dos Santos Caetano, a segunda mulher do antigo dono do Banif, o empresário Horácio Roque (já falecido), referiu que «gostaria que o grupo crescesse, mas tudo depende de como o mercado reagirá» na África do Sul, e admitiu estar atenta ao setor em Portugal.

«Gostava» de investir nos media em Portugal, afirmou, e se surgir «uma oportunidade, com certeza», que o faria.

Outras ambições da empresária são fazer com que o jornal Século de Joanesburgo chegue aos 60 anos e que a nova casa da Ajuda de Berço, em Monsanto, Lisboa, instituição de que é uma das doadoras, seja inaugurada, como previsto, em 2021.

«Gostaria muito que ele (Século de Joanesburgo) fizesse 60 anos», afirmou, salientando que faltam para isso três anos.

Por enquanto, assegurou que a publicação «está a correr muito bem», apesar de não ser «nada fácil» geri-la num país onde «cada vez menos são os que falam português».

O digital é outro dos fatores que, na sua opinião, dificulta a gestão de um jornal.

Apesar disso, na África do Sul, o online não é tão presente e as «gráficas ainda têm algum sucesso». Além do Século de Joanesburgo, o grupo controlado pela Século Investment holding tem a segunda maior gráfica da África do Sul, que é o seu sustentáculo.

Aliás, Paula Caetana admitiu que o Século de Joanesburgo «só existe porque tem uma gráfica por detrás», que é «o grosso do grupo».

Porque «os portugueses estão muito dispersos e a comunidade portuguesa é cada vez mais pequena. E já há terceiras e quartas gerações que já não leem português. Portanto, é um pouco difícil» gerir um jornal virado para a comunidade portuguesa e «totalmente escrito em português», acrescentou.

Porém, no online, o jornal tem hoje cerca de 1 500 visualizações semanais a nível mundial, disse a CEO do grupo, para quem estes números significam que «os portugueses que saíram da África do Sul continuam a querer saber o que se passa e a gostar de ler o Século de Joanesburgo» em português.

Em papel, vende cerca de 24 a 30 mil cópias por semana, disse.

O grupo, que emprega cerca de 150 pessoas, incluindo o editor e os sete jornalistas que fazem o Século de Joanesburgo, tem um volume de negócios de cerca de 300 milhões de rands por ano (cerca de 18,6 milhões de euros), «não tem dívidas e tem lucros», assegurou.

O grupo é «um legado que o meu marido deixou», afirmou.

«A situação da África do Sul neste momento está difícil e as pessoas vão saindo, vão arranjando outras alternativas, vão para, (...) nomeadamente países que falam o inglês também. Para a Nova Zelândia, para a Austrália, para os Estados Unidos. Portanto os altos quadros praticamente saíram, não só da comunidade portuguesa, mas em geral», referiu.

Quando recebeu o legado de Horácio Roque, a gestora disse que teve de investir para que o grupo crescesse e se mantivesse.

«Na altura em que o meu marido faleceu, 2010, o mercado não estava da melhor forma e, ou continuava com o negócio e investia», ou corria o risco de fechar, relatou.

O investimento foi de cerca de 33 milhões de rands (cerca de dois milhões de euros) numa nova rotativa, o que lhe permitiu ter capacidade para produzir meio milhão de cópias hora, contou.

Na África do Sul, o grupo apoia ainda três lares de idosos para emigrantes portugueses no país.

«A comunidade portuguesa, atualmente, está muito envelhecida e precisa de lares. E infelizmente os lares, normalmente, são depósitos de velhos. As pessoas, a grande maioria, não morrem com doenças, morrem de saudade. Porque se sentem abandonados, sentem que as famílias os esqueceram», relatou

Em Portugal, aquele que considera ser o seu projeto prioritário «é uma casa para crianças desprotegidas, a casa da Ajuda de Berço», em Benfica, à qual promete dar «total apoio».

Olhando para o panorama dos média em Portugal não vê, para já, oportunidades.

«Os jornais papel têm tendência a reduzirem as publicações, exatamente por causa da forma digital», afirmou, porém, considerou que há muita gente da sua geração que «ainda gosta de ler livros de papel e jornais de papel, além de folhear o papel e de ao sábado ir à bomba de gasolina e comprar (...) o semanário e os jornais».

Por isso, admitiu que gostava de encontrar um parceiro em Portugal para fazer um projeto de média.

O que para a empresária não faz muito sentido é ter um jornal diário em Portugal: «Acho que faz mais sentido um semanário, porque hoje as notícias são ao minuto, tanto no telemóvel como na televisão"» concluiu.


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