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Revista PORT.COM • 29-Set-2017
Portugal e Brasil vão celebrar juntos 100 anos da travessia Atlântico Sul



O Presidente da República prestou homenagem à aviação naval portuguesa, criada há cem anos, e anunciou que em 2022 Portugal e o Brasil vão celebrar em conjunto o centenário da primeira travessia do Atlântico Sul.

O chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas falava durante uma cerimónia comemorativa dos cem anos da aviação naval, em Belém, Lisboa, junto ao monumento que assinala a travessia aérea realizada por Sacadura Cabral e Gago Coutinho no hidroavião "Lusitânia", em 1922.

"Quero realçar, pela sua esmagadora grandeza e valor científico, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, que celebraremos em conjunto com o Brasil em 2022, levada a cabo por dois ilustres oficiais da Marinha: os heroicos, então comandantes, Artur Sacadura Cabral e Carlos Gago Coutinho", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Antes, o académico Cyrne de Castro, que foi aviador nos anos 50, pediu que essa efeméride seja devidamente celebrada: "Este centenário merece que nos empenhemos numa melhor consciencialização do significado daquele feito aeronáutico e do que ele contribuiu para o prestígio de Portugal e para o desenvolvimento da segurança na navegação aérea em todo o mundo".

"Dentro de cinco anos é daqui a pouco tempo", salientou o comandante, membro da Academia de Marinha.

O Presidente da República referiu que Gago Coutinho e Sacadura Cabral, "mais do que atravessar o Atlântico num pequeno hidroavião, comprovaram o rigor do seu sistema de navegação, pioneiro entre os demais e precursor do irreversível progresso da navegação aérea".

"Por isso, aqui lhes rendo, uma vez mais, em nome de Portugal e de todos os portugueses, a minha homenagem, não esquecendo o crucial papel do primeiro no lançamento e direção no quadro da nova aviação naval", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que a aviação naval portuguesa nasceu "naqueles anos da Grande Guerra", quando "os submarinos devastavam no Atlântico e no Mediterrâneo" e foi necessário "empregar as máquinas voadoras também e sobretudo para garantir a guarda e o uso desse mar".

"Apesar da agitação política da época, dos avanços e recuos institucionais e das dificuldades que pareciam inultrapassáveis, o labor e a perseverança de meia dúzia de homens que foram o sustentáculo da aviação naval que se esboçava, tornaram possível voar sobre o mar português", prosseguiu, elogiando os "muitos e notáveis os serviços prestados ao país" até à sua integração na Força Aérea.

"A Marinha voltou a ter asas em 1993. E, tal como no passado, rapidamente cresceu e afirmou, com afinco e determinação, uma significativa aviação naval. Neste quase quarto de século de existência do helicóptero naval, a esquadrilha de helicópteros da Marinha é e continuará a ser uma unidade fundamental para as nossas operações navais", considerou.

Perante o ministro da Defesa Nacional e as chefias militares da Força Aérea e da Marinha, o Presidente da República concluiu: "Duas épocas distintas, a mesma notável Armada, a mesma Marinha, servida por pessoas competentes e temerárias. Mais uma vez se prova, e nunca é demais frisá-lo, que o valor das instituições assenta na excelência das pessoas que nelas servem".

O chefe do Estado-Maior da Armada, o almirante Silva Ribeiro, defendeu a "importância prática" de a Marinha possuir capacidade aeronaval e apontou o trabalho conjunto como a Força Aérea como "exemplo virtuoso e paradigmático de cooperação institucional", afirmando que tem sido feito "de forma notável, sem mácula, sem replicação de meios e de tarefas, e com economia de esforço e de recursos".

Durante esta cerimónia, que incluiu um desfile militar e acrobacias aéreas, foi descerrada uma placa comemorativa e depositada uma coroa de flores em memória dos mortos em serviço.  


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