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Brasil quer sistematizar ensino da língua portuguesa nos PALOP
Revista PORT.COM • 20-Fev-2019
Brasil quer sistematizar ensino da língua portuguesa nos PALOP



O Governo brasileiro defendeu junto dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a sistematização dos programas curriculares do ensino do português a estrangeiros e a nacionais que tenham como primeiro idioma línguas locais.

Bruno Zétola, gestor da área de cultura do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília disse que, atualmente, o Brasil conta com centros culturais em mais de 40 países, de onde saem formados anualmente em Língua portuguesa cerca de 15.000 alunos.

Contudo, sublinhou, os centros culturais do Brasil nesses países ainda não configuram uma «marca comum», a exemplo do Instituto Camões - Centro Cultural Português ou do espanhol Cervantes.

«Estamos a começar agora esse trabalho de sistematizar e dar uma harmonia para que a nossa rede possa, no futuro, atingir mais alunos na formação do português, em várias vertentes. Vamos tentar sistematizar tudo isso», explicou o gestor.

Segundo Bruno Zétola, durante esta semana, os diretores e coordenadores pedagógicos dos centros culturais do Brasil em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe vão debater o projeto de criação da «marca comum», que passa pela sistematização das práticas curriculares e pedagógicas.

Vão igualmente trabalhar na elaboração de um currículo comum do português como língua segunda, a vertente que mais se enquadra nos PALOP.

«Em muitos países, como por exemplo Cabo Verde, Timor-Leste ou Macau, o português, embora seja a língua oficial, muitas vezes não é a hegemónica, não é a mais falada - o que não é o caso de Angola, que o português é amplamente falado ,- mas existe a perspetiva que consigamos desenvolver um currículo para essas situações específicas, para esses países, essa regiões, em que o português, embora oficial, é escassamente falado, pelo que queremos construir um currículo, valorizando o português de cada um desses lugares», adiantou.

Bruno Zétola salientou que o objetivo é também «desmistificar» a ideia de que «há um tipo de português que é o correto e os outros falares de português sejam inferiores».

«Isso acaba por levar a as pessoas a falarem nas suas línguas maternas porque se sentem envergonhadas, porque acham que o seu português não é o correto, que o seu modo de falar é menos legítimo, menos válido, que outros modos de falar», disse.

«Queremos construir um currículo valorizando essas idiossincrasias locais, valorizando esses modos, essas variantes de todos os países, valorizando justamente o caráter pluricêntrico da Língua Portuguesa, para fortalecer o idioma, para que essas pessoas se sintam mais à vontade, mais familiarizadas nesse idioma», acrescentou.


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