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Malária ainda afeta os países lusófonos
Revista PORT.COM • 03-Abr-2019
Malária ainda afeta os países lusófonos



A doença continua a ser um grande problema em todos os países africanos lusófonos e um desafio em matéria de doenças tropicais.

Paulo Ferrinho, diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) declarou à agência Lusa que «a malária continua a ser um grande problema em todos os países lusófonos em África, sem exceção; não podemos dizer que a situação está controlada e, em situações de crise, como a que temos agora em Moçambique, com cheias, esperamos um agravamento da situação».

Em 2017, mais de 90% dos 219 milhões de casos de malária e 435 mil óbitos foram registados no continente africano, na sua maioria crianças com menos de cinco anos.

Do grupo de 11 países em que se verificaram 70% de casos (151 milhões) e mortes (274 mil) no ano de 2017, Moçambique foi o único país lusófono e, por isso, foi selecionado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para testar uma nova de estratégia de combate à doença. Moçambique tem a terceira maior percentagem de casos de malária no mundo e é o oitavo país onde a doença mais mata, de acordo com o relatório anual sobre a malária divulgado em novembro pela OMS. Angola está em 13º lugar e a Guiné-Bissau registou quase 144 mil casos suspeitos de malária em 2017 e 296 mortes, menciona o relatório.

Cabo Verde lidera a tabela oposta, encabeçando a lista de erradicação da doença. No entanto, registou, em 2017, um surto de paludismo com 423 casos e uma vítima mortal na ilha de Santiago. São Tomé e Príncipe também está próximo da erradicação da malária, com aproximadamente 2240 casos suspeitos e sem mortes registadas.

Paulo Ferrinho alertou também para as doenças transmitidas por mosquitos «que vão ganhando terreno». «Em Angola temos dengue, Zika, chikungunya e febre-amarela. São doenças que também estão presentes na Guiné-Bissau, mas algumas ainda não estão presentes em Moçambique, onde o grande problema é a malária em todo o território nacional, mas sobre o dengue só temos conhecimento em Nampula, no Norte».

O 5.º Congresso Nacional de Medicina Tropical irá decorrer em Lisboa, de 10 a 12 de abril, reunindo especialistas lusófonos, europeus e de outros países para debater as políticas e serviços de saúde no espaço da lusofonia, com foco no reforço dos sistemas de saúde, na promoção do acesso universal à saúde e ênfase nos sistemas de saúde dos países lusófonos, com referência à saúde dos viajantes nestes países e as migrações para a Europa.

«Vamos ter uma sessão sobre serviços de saúde para viajantes nos países lusófonos. Será uma primeira vez em que vamos fazer um levantamento do que é que se faz nos países lusófonos em relação à saúde dos viajantes. Vamos ter também uma sessão sobre migrantes, olhando para os migrantes de acordo com as necessidades em trânsito para os países de acolhimento, quais as dificuldades e o que se faz para apoiar e acolher esses migrantes».

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, deverá estar presente no evento, com Matshidiso Moeti, diretora-geral da OMS para África, e Leonardo Simão, ex-ministro da Saúde de Moçambique.


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