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A 'viragem portuguesa' para a África Lusófona
Revista PORT.COM • 06-Abr-2019
A 'viragem portuguesa' para a África Lusófona



A ‘nova’ Angola poderá marcar definitivamente a necessária mudança na política externa portuguesa e a construção de uma nova lusofonia africana ao fim de 40 anos de incertezas e recuos. Abre igualmente um novo ciclo de oportunidades para os empresários portugueses, particularmente numa altura em que se acumulam os sinais de abrandamento económico na Europa.

Estabilizando a sua relação com Angola, Portugal abre todo um novo ciclo de influência na África Lusófona. Este é o eixo estratégico que tem estado, ao mais alto nível, na base da condução da política externa portuguesa, envolvendo a Presidência da República e o Governo como pivots centrais no que respeita ao continente africano e poderá marcar definitivamente a construção de uma nova lusofonia africana ao fim de 40 anos de incertezas e recuos.

O sucesso desta convergência terá, a médio prazo, reflexos em três áreas fundamentais, nomeadamente:

A abertura de todo um novo ciclo de oportunidade para a economia e empresários portugueses, não só em Angola, mas em toda a África Lusófona, relevante numa altura em que o abrandamento da economia na europa é já uma certeza adquirida;

O reconhecimento de Portugal como parceiro fundamental na “porta de entrada” para a África Lusófona, nomeadamente por países com a República Popular da China – intenção que ainda, na recente visita do seu Presidente ao nosso país, ficou bem expressa – com todo o reflexo político e económico dai resultante;

A capacidade de Portugal passar a ser um ator determinante em projetos estruturais noutros países africanos – nomeadamente na Guiné com a afirmação recente de altos responsáveis que apontam para a necessidade de se iniciar o processo de industrialização do país num quadro político mais estável, como parece ter saído do recente ato eleitoral – ou noutros países africanos, contando com a esfera política de influência regional do Estado Angolano. Aliás, esta dinâmica de afirmação de Angola como potência africana tem sido, cada vez mais, notória na ação política, quer interna quer externa, do Presidente João Lourenço.

 

Uma intensa ação diplomática

Não foi por mero acaso que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou que se está a iniciar «um novo ciclo histórico» no relacionamento entre Portugal e Angola, na sua recente visita àquele país africano. E ao seu estilo, na hora da despedida foi muito claro nas suas palavras: «aquilo que eu tenho é de agradecer ao povo angolano, ao Governo angolano, muito em especial ao Presidente João Lourenço, a Angola aquilo que foi o acolhimento caloroso - como tinha sido ao primeiro-ministro português, como tem sido a todos quantos vêm de Portugal e como nós gostamos que seja o acolhimento dos nossos irmãos angolanos em Portugal».

O que Marcelo fez foi não mais do que dar continuidade ao que o Presidente angolano já tinha feito, em novembro do ano passado, em Lisboa, aquando da sua visita oficial ao nosso país. E recorde-se, de não menos importância, que foi a primeira visita de um Presidente de Angola nos últimos 10 anos.

E também na altura, João Lourenço deixou bem expresso o que estava para vir: «Vamos olhar para o presente e para o futuro. Numa contagem de zero a 10 não posso dar nota 10 porque o objetivo é chegarmos ao 10, atingirmos a excelência nas nossas relações».

No mesmo sentido foi o Governo português conforme se pode ler no comunicado emitido na sequência da visita de Marcelo a Angola: “A visita de Estado de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa insere-se num ciclo excecional de visitas ao mais alto nível entre os dois países e no quadro da parceria estratégica e privilegiada entre Angola e Portugal, marcada pelo respeito recíproco e construída numa lógica de interesses comuns e benefícios mútuos”.

E importa referir que estas duas visitas foram, talvez, a parte mais visível, da intensa “ofensiva” de Portugal, principalmente neste último ano e meio. Não só neste entretanto o Presidente português esteve em S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde – onde terá lugar parte das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades deste ano – como anunciou a realização de uma cimeira entre os dois países, já em abril, com a cooperação económica, financeira, social e educativa e política na agenda dos trabalhos.

Cooperação essa que, também nós últimos meses, levou a secretária de Estado Teresa Ribeiro a um intenso périplo pela África Lusófona, nomeadamente Angola, Moçambique, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, com uma agenda muito focada nas questões económicas e do desenvolvimento sustentável.

A este quadro acresce ainda o papel de duas organizações cuja ação é muitas vezes secundarizada, mas cujo contributo tem sido fulcral para o cimentar do tecido económico, social e cultural do espaço da lusofonia, nomeadamente a UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

 

Leia o destaque na íntegra na edição de abril da Revista PORT.COM


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