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Portugal é um refúgio para homossexuais que 'fogem' do Brasil
Revista PORT.COM • 10-Abr-2019
Portugal é um refúgio para homossexuais que 'fogem' do Brasil



Jornal espanhol El Mundo diz que país vizinho é um 'porto seguro' para a comunidade LGBTI brasileira.

O jornal espanhol El Mundo publicou, esta semana, um artigo em que revela que, desde que Jair Bolsonaro foi eleito, Portugal transformou-se num porto de abrigo para a comunidade LGBTI que foge do Brasil devido aos ataques homofóbicos.

O jornal começa por contar a história de Ariadna Seixas, uma mulher transexual que decidiu fugir de Florianópolis devido às ameaças de morte constantes.

A brasileira conta que era proprietária de um café na cidade e que, durante anos, nunca teve problemas com ninguém. Contudo, nas semanas que antecederam as eleições, à medida que aumentava a possibilidade de Jair Bolsonaro assumir a presidência do Brasil, ela e o marido começaram a ser ameaçados nas redes sociais.

«Chamavam-nos pervertidos, diziam que nos iam matar», lembra. O casal ainda tentou ignorar os insultos, mas no dia seguinte à vitória de Bolsonaro, um grupo de pessoas invadiu o estabelecimento, roubou tudo o que tinham de valor e destruiu o restante.

«Para nós foi óbvio que o ataque estava ligado à nossa escolha. Bolsonaro diz que as pessoas LGBTI representam um perigo para o Brasil. A sua eleição deu legitimidade ao ódio sem remorsos. Alguns amigos gays foram atacados na rua e alguns transexuais foram mesmo noutras cidades. O assalto que sofremos foi terrível, mas ao comparar com essas barbaridades, tivemos sorte», conta a brasileira à publicação espanhola.

Nessa altura, Ariadna percebeu que se não saísse do Brasil, era morta e começou a procurar exílio. Chegou a pensar em ir para o Canadá mas, ao deparar-se com a página de Facebook Portugay Tropical, que é gerida por brasileiros que se instalaram em Portugal, decidiu pedir ajuda. Algum tempo depois, com o auxílio desta organização, que conta com assistentes sociais e psicólogos, o casal conseguiu um visto temporário.

Em janeiro instalaram-se no Porto onde estão felizes. «É um alívio viver num lugar onde podemos andar pelas ruas sem medo», garante a brasileira. O casal procura agora uma forma de ficar por Portugal a longo prazo, porque não é fácil conseguir mais do que um visto temporário.

O caso de Ariadna e do marido é apenas um entre centenas de brasileiros LGBTI que, segundo o El Mundo, escolheram Portugal como refúgio depois de sofrerem ataques homofóbicos.

O Brasil é o país do mundo onde mais pessoas LGBTI são assassinadas e a tendência terá aumentado, na segunda metade de 2018, depois da eleição de Bolsonaro, que admitiu ser «orgulhosamente homofóbico» e que preferia que um filho seu morresse a ser gay.


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