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Novo mestrado em Macau vai ensinar patuá, crioulo português que está perto da extinção
Revista PORT.COM • 11-Mai-2019
Novo mestrado em Macau vai ensinar patuá, crioulo português que está perto da extinção



Esta língua, em tempos corrente na comunidade macaense, é um dos nove módulos da especialização em linguística do novo mestrado da Universidade de São José.

O patuá, crioulo português de Macau, vai ser «estudado e falado» no futuro mestrado em estudos lusófonos da Universidade de São José (USJ), numa tentativa de preservar esta língua a um passo da extinção, disse um dos coordenadores.

«Tanto quanto sei, é o primeiro curso oficial com este conteúdo. É uma primeira tentativa, ao nível da pós-graduação, de estudar, falar e tratar do maquista», explicou Alan Baxter, um dos coordenadores do novo mestrado da USJ, em entrevista à agência Lusa.

O especialista em crioulos de base portuguesa, que regressou a Macau em 2016 para dirigir a Faculdade de Humanidades daquela universidade, assumiu preferir o termo maquista, já que este «radica a língua dentro de uma tradição local».

Para Alan Baxter, «o patuá merece um lugar oficial e de reconhecimento na educação superior». Assim, esta língua, em tempos corrente na comunidade macaense, é um dos nove módulos da especialização em linguística do novo mestrado da USJ, mas é também opcional para os que optam pela outra especialização, literatura.

Derivado do crioulo de Malaca, o kristang, uma «língua ainda viva», o patuá não sobreviveu a «atitudes ignorantes e colonialistas», tendo «sido suprimido» com o passar dos anos, referiu Baxter.

Há quase uma década, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) classificou-o como “gravemente ameaçado”, o último patamar antes de uma língua se extinguir por completo. Uma posição que tem vindo a ser reiterada por vários linguistas. Em setembro passado, também o investigador da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Hugo Cardoso tinha dito, em entrevista à Lusa, que esta «fase avançada de declínio» motivou, entre a comunidade macaense, «um movimento de reapropriação da língua».

Assim, e apesar do perigo de extinção, Alan Baxter afirmou que houve, desde então, «alguns avanços».

«Há mais interesse agora do que havia. Há um interesse visível, sobretudo em termos demográficos», frisou o antigo diretor do Departamento de Português da Universidade de Macau (2007–2011).


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