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«Não vale a pena Cabo Verde ser membro da CPLP se não consegue exportar para a comunidade»
Revista PORT.COM • 17-Mai-2019
«Não vale a pena Cabo Verde ser membro da CPLP se não consegue exportar para a comunidade»



O presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Sotavento (CCISS) cabo-verdiano considerou que «não vale a pena» Cabo Verde ser membro da CPLP se os empresários não conseguem exportar para os outros países da comunidade lusófona.

«É preciso que as pessoas entendem uma coisa: da mesma razão que eu digo, se não conseguirmos exportar para a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] não vale a pena ser membro da CEDEAO, essa razão é válida para a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]. Não precisamos de uma comunidade só para discutir política, isso não é preciso, isso faz-se bilateralmente», considerou Jorge Spencer Lima.

O líder dos empresários da região cabo-verdiana de Sotavento - que representa as ilhas do Maio, Santiago, Fogo e Brava - falava à imprensa, na cidade da Praia, à saída de uma reunião do Conselho de Concertação Social, formado pelo Governo, patronato e sindicatos.

Spencer Lima voltou a tomar a posição, um mês após ter insurgido contra o que considerou uma «recusa continuada» da emissão de vistos a empresários pelo Centro Comum de Vistos (CCV), na cidade da Praia, que é gerido por Portugal e que representa 17 países da União Europeia.

Na altura, a direção da Câmara de Comércio de Sotavento decidiu interromper qualquer missão empresarial a Portugal e encorajar os seus associados a procurarem outros parceiros e fornecedores além de Portugal, até que a situação seja resolvida.

Na segunda-feira, foi a vez da Câmara de Comércio do Barlavento (CCB) alertar também que «não está fácil» organizar deslocações de empresários de Cabo Verde ao exterior, por dificuldades na obtenção de vistos.

O diretor do Gabinete de Promoção Empresarial da agremiação empresarial, José Lopes, pediu, por isso, «sensibilidade maior e alguma flexibilidade» ao CCV, enfatizando que, «se as coisas continuarem como estão» as possibilidades de organização de missões empresariais tornam-se «cada vez mais difíceis» e «por vezes impraticável».

Jorge Spencer Lima considerou que a questão de circulação é «fundamental» para que a comunidade lusófona se consolide.

Notando que há países que já são beneficiados por causa da sua maior capacidade de produção e por terem uma indústria mais desenvolvida, o líder empresarial afirmou, por outro lado, que são esses mesmos países que levantam dificuldades a essa circulação.

«Não pode ser assim, cada um tem de assumir as suas responsabilidades. O nosso grito de alerta é nesse sentido de dizer que deixem as coisas funcionar normalmente, até porque são os principais ganhadores quando os empresários se desloquem aos países», entendeu.

O presidente da CCISS considerou também que «não faz sentido» os países quererem que as suas empresas penetrem nos mercados da CEDEAO e depois não deixem os empresários viajar para os seus países.

«Há que encontrar uma solução, parece que a solução pode estar à vista, mas há muitos anos que estamos a ouvir essa história de solução à vista. A CPLP não existe hoje, há muito tempo que a CPLP existe e basta de impor empecilhos à circulação de empresários», continuou.

«A força da CPLP não são só os políticos, são as empresas também, o desenvolvimento económico e os benefícios para os países e é isso que tem conduzido a força da CPLP», terminou Jorge Spencer Lima.

A facilitação da mobilidade no espaço da CPLP é uma proposta de Portugal e Cabo Verde - que atualmente detém a presidência rotativa da organização -, embora não haja um calendário para a entrada em vigor de medidas nesse sentido.


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