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Remessas de imigrantes em Timor-Leste foram maiores que de emigrantes
Revista PORT.COM • 22-Mai-2019
Remessas de imigrantes em Timor-Leste foram maiores que de emigrantes



As remessas de imigrantes estrangeiros residentes em Timor-Leste enviadas para o estrangeiro foram, no ano passado, mais do triplo das remessas que timorenses no exterior enviaram para o seu país, segundo um relatório do Banco Mundial.

Em concreto, o relatório económico semestral do Banco Mundial sobre Timor-Leste refere que os trabalhadores timorenses no estrangeiro enviaram para as suas famílias cerca de 91 milhões de dólares no ano passado.

No sentido inverso, porém, trabalhadores estrangeiros em Timor-Leste, muitos deles da região da Ásia, enviaram para fora do país um total de 283 milhões de dólares no ano passado.

As remessas de trabalhadores timorenses - que rondam uma média de cerca de 250 mil dólares por dia - são hoje a principal fonte de receita para muitas famílias timorenses que, por isso, apostam no envio de jovens para trabalhar fora do país.

Isso leva a que continue a haver um fluxo diário grande de jovens que vão à Embaixada de Portugal em Díli no intuito de tratar da sua nacionalidade - a que podem aceder todos os timorenses que tenham nascido antes de 20 de maio de 2002.

Um estudo do ano passado sobre o mercado laboral em Timor-Leste feito pelos académicos Brett Inder e Katy Cornwell, do Centro para Economia de Desenvolvimento e Sustentabilidade, da universidade australiana Monash, mostra a importância das remessas.

O impacto da emigração timorense é também analisado num artigo do investigador Richard Curtin, do Development Policy Centre, da Universidade Nacional Australiana.

Só em 2017, referem esses estudos, foram feitas mais de 85 mil transferências para Timor-Leste, o que tornou a mão de obra "a maior exportação" do país, à frente do café, com receitas anuais entre 10 e 20 milhões de dólares, ou do turismo, com receitas de 15 milhões.

O valor é especialmente significativo num país onde o salário mínimo é de cerca de 125 dólares (100 euros) por mês e fora do Estado continua a haver oportunidades muito limitadas de trabalho.

O maior volume de remessas tem origem no Reino Unido - onde as transferências médias rondaram os 401 dólares (324 euros).


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