ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

«África continua a ser uma prioridade para a cooperação portuguesa»
Revista PORT.COM • 04-Nov-2019
«África continua a ser uma prioridade para a cooperação portuguesa»



Em entrevista à PORT.COM, Luís Faro Ramos traça um quadro bem ilustrativo da política da cooperação para o desenvolvimento apoiada por Portugal, onde a língua portuguesa se assume como um fator estratégico de alavancagem desta importante vertente da nossa política externa.

Como refere, «as vantagens comparativas da Cooperação Portuguesa assentam nos laços culturais e históricos, por um lado, sendo de destacar o património comum da utilização da Língua Portuguesa, e no conhecimento, experiência e expertise, por outro. Uma Língua comum, sistemas judiciais e administrativos similares e uma forte presença de comunidades portuguesas alavancam a intervenção portuguesa nestes países». E isto numa altura em que o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., acaba de aprovar o cofinanciamento de mais 35 projetos de Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento, apoio que representa um investimento de quase 2 milhões de euros para um horizonte temporal de 4 anos.

 

Podemos afirmar que Portugal é hoje um parceiro estratégico na cooperação, principalmente com os PALOPS e esse papel é internacionalmente reconhecido?

A política de cooperação para o desenvolvimento é um vetor chave da política externa portuguesa, que assenta num consenso nacional alargado entre as principais forças políticas e a sociedade civil, tendo como objetivo central a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável dos países parceiros, num contexto de respeito pelos direitos humanos, pela democracia e pelo Estado de direito. De modo a promover o impacto e a eficácia da atuação da Cooperação Portuguesa foram adotados os seguintes princípios operacionais: coerência e coordenação; concentração setorial e geográfica; apropriação e diversificação de parcerias. Face a esta nova realidade, o Governo português tem vindo a empreender um esforço significativo na procura de soluções inovadoras que passam, não só por novos modelos de financiamento, como também pela criação de novas parcerias entre novos atores, públicos e privados, nacionais e internacionais, envolvidos nesta área.

O novo modelo da Cooperação Portuguesa procura fazer face aos desafios do novo contexto internacional no âmbito da cooperação para o desenvolvimento. Esta nova abordagem assenta numa estrutura descentralizada composta por um conjunto de atores, estatais e não estatais, que têm objetivos e capacidades de intervenção complementares, e aposta num modelo de desenvolvimento menos assistencialista, mais focado na capacitação dos recursos humanos, na sustentabilidade económica, social e ambiental claramente alinhado com a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável e com a Agenda de Ação de Addis Abeba para o financiamento do desenvolvimento.

Portugal tem, assim, procurado promover uma nova cultura de coordenação institucional e de parceria entre todos os atores, tradicionais e não tradicionais, designadamente com os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), e esta maior coordenação procura responder às exigências da atualidade, projetando cada um dos países na senda do desenvolvimento sustentável.

A estratégia a prosseguir passa pela diversificação de fontes de financiamento bilaterais e multilaterais e de parcerias com instituições financeiras internacionais e outras agências de cooperação, bem como na aposta já referida da cooperação delegada no âmbito da União Europeia, mas também na Cooperação Triangular, como seja com o Brasil, Colômbia, Chile, Argentina ou Uruguai, e o reforço da ligação à sociedade civil ao setor privado e à academia.

Leia a entrevista na íntegra na edição de novembro da Revista PORT.COM


Etiquetas
Partilhar

NOTÍCIAS RELACIONADAS
OPINIÃO
Os efeitos do medo do coronavírus...
Daniel Bastos
Historiador
Novo Coronavírus provoca epidemia com desfecho imprevisível
Alfredo Martins
Internista e Coordenador do NEDResp
InPortugal 2020 Paris quer desenvolver nova rede de embaixadores
Ricardo Simões
Diretor do InPortugal
DISCURSO DIRETO
A Fundação ISS e o apoio na África Lusófona
Eulalia Devesa, Diretora da Fundação ISS Mais Um Sorriso
PORTUGAL
«Cada vez faz menos sentido falar de emigração»
José Cesário, Deputado do PSD
PORTUGAL
O Projeto de Mobilidade na CPLP
Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios estrangeiros
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ