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Portugal deve acompanhar interesse da China em África
Revista PORT.COM • 16-Dez-2019
Portugal deve acompanhar interesse da China em África



O último governador português de Macau considera que o interesse da China pelos países africanos de língua portuguesa, deveria ter sido «mais acompanhado», por Portugal, país que o governo chinês considera ter condições para ser «um bom parceiro».

“O interesse da China nos países de língua portuguesa, nomeadamente em África (...) deveria ter sido mais acompanhado por Portugal", afirmou o general Vasco Rocha Vieira, numa entrevista à Lusa, a propósito do 20.º aniversário da transferência da administração do território de Portugal para a China, que se celebra no próximo dia 20.

Fazendo um balanço de 20 anos, o ex-governador acha que nada "se perdeu", mas aponta aquele aspeto como um dos que Portugal deveria ter aproveitado melhor.

Se os dois países não estão mais unidos na presença em estados de língua portuguesa em África, "julgo que não foi tanto pelo lado da China, mas foi mais pelo lado de Portugal", afirmou.

Países "onde temos aquilo que a China não tem e a China tem aquilo que nós não temos", pelo que seria possível "uma complementaridade de diferenças muito útil para ambos", considerou.

"Portugal terá as suas razões, ou não se apercebeu a tempo, mas a China tem demonstrado esse interesse. Porquê? Porque há uma relação histórica, e porque houve uma transição que, para a China era muito importante que corresse bem e correu bem, na base do entendimento e da negociação".

A diferença de escalas entre os dois países favorece Portugal como parceiro porque Pequim não teme nenhuma ameaça.

Por isso, no seu entender, Portugal pode ainda vir a beneficiar, na ordem mundial, de uma relação de iguais.

"A China não respeita quem não defenda os seus princípios, as suas convicções e não o faça com firmeza, não explique porquê e não se bata por isso", disse.

A presença chinesa em Portugal constitui uma aposta de Pequim: a China "tem uma parceria estratégica com Portugal, que tem com poucos países, criou o Fórum da Cooperação Económica e Comercial com os Países de Língua Portuguesa e estabeleceu o Fórum em Macau".

Para o último governador do território, "o relacionamento de entendimento entre Portugal e a China" no que respeita a Macau, faz com que hoje o governo chinês "tenha confiança na outra parte".

E responde a essa confiança, "propondo até que haja parcerias e cooperação naquilo que são interesses que podem ser conjugados".

Ora, a ordem mundial está a mudar, por muitas razões, e nessa mudança a China está progressivamente a ter um papel mais importante, referiu, salientando que as relações internacionais serão marcadas pelos defensores do livre-comércio e do isolacionismo

No meio dessa disputa mundial, "Portugal está a colocar-se bem" e, no que respeita à China, tem vantagens: Portugal "conhece muito bem o Ocidente e é talvez o país que conhece melhor a China, a sua maneira de sentir, de reagir, a sua cultura".


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