ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola vai investir perto de 60 milhões de euros na Guiné-Bissau
Revista PORT.COM • 06-Mar-2020
Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola vai investir perto de 60 milhões de euros na Guiné-Bissau



O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola anunciou um investimento de quase 60 milhões de euros na Guiné-Bissau para reduzir a pobreza, aumentar a produtividade e a segurança alimentar, que vai abranger mais de 280.000 agricultores.

O objetivo do projeto, segundo um comunicado divulgado na quarta-feira pela FIDA, é promover a diversificação agrícola para reduzir a dependência do cultivo de arroz e castanha de caju, enquanto se introduzem medidas de adaptação às alterações climáticas.

O projeto, que vai ser executado nas regiões de Gabu, Oio, Cacheu e Bafatá, prevê também a inclusão económica dos agricultores, a criação de infraestruturas rurais, bem como ajuda para uma distribuição eficiente da produção nos mercados nacionais e sub-regionais, bem como a alfabetização de mulheres e de formação profissional aos jovens.

O financiamento do projeto inclui um empréstimo de 10,5 milhões de euros, uma doação do FIDA de 3,8 milhões de euros, uma contribuição do Estado guineense de 6,8 milhões de euros e 4,3 milhões de euros dados pelos próprios beneficiários, bem como financiamento de outros parceiros.

O acordo foi assinado entre o presidente da FIDA, Gilbert Houngbo, e o ministro das Finanças, Geraldo Martins, do elenco governamental de Aristides Gomes.

«O FIDA compromete-se a trabalhar com o Governo da Guiné-Bissau para uma transformação rural inclusiva do país, onde as pessoas com incapacidades e os emigrantes que regressem não sejam um problema para as suas comunidades, mas também parte da solução», disse o presidente da FIDA.

A Guiné-Bissau é um dos países menos desenvolvidos do mundo, com um índice de pobreza muito elevado, especialmente nas zonas rurais, onde 80% da população vive em condições de extrema pobreza e trabalha, sobretudo, no setor agrícola.

O país vive um novo momento de tensão política, depois de Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor das eleições presidenciais do país pela Comissão Nacional de Eleições, ter tomado posse há uma semana como Presidente do país, quando ainda decorre um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, apresentado pela candidatura de Domingos Simões Pereira, que alega graves irregularidades no processo.

Na sequência da tomada de posse, Umaro Sissoco Embaló demitiu Aristides Gomes, que lidera o Governo que saiu das legislativas e que tem a maioria no parlamento do país, e nomeou Nuno Nabian para o cargo.

Após estas decisões, os militares guineenses ocuparam e encerraram as instituições do Estado guineense, impedindo Aristides Gomes e o seu Governo de continuar em funções.

O presidente da Assembleia Nacional Popular, Ciprinao Cassamá, que tinha tomado posse na sexta-feira como Presidente interino, com base no artigo da Constituição que prevê que a segunda figura do Estado tome posse em caso de vacatura na chefia do Estado, renunciou no domingo ao cargo por razões de segurança, referindo que recebeu ameaças de morte.

Umaro Sissoco Embaló afirmou que não há nenhum golpe de Estado em curso no país e que não foi imposta nenhuma restrição aos direitos e liberdades dos cidadãos.

Mediadora da crise guineense, a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) voltou a ameaçar impor sanções a quem atente contra a ordem constitucional estabelecida na Guiné-Bissau e acusou os militares de se imiscuírem nos assuntos políticos.

As Nações Unidas, a União Europeia e a Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelaram ao diálogo e à resolução da crise política com base no cumprimento das leis e da Constituição do país.


Etiquetas
Partilhar

NOTÍCIAS RELACIONADAS
OPINIÃO
A sua atitude de confiança conta: não só com o vírus...
Susana Cor de Rosa
Consultora empresarial
Os efeitos do medo do coronavírus...
Daniel Bastos
Historiador
Novo Coronavírus provoca epidemia com desfecho imprevisível
Alfredo Martins
Internista e Coordenador do NEDResp
DISCURSO DIRETO
A Fundação ISS e o apoio na África Lusófona
Eulalia Devesa, Diretora da Fundação ISS Mais Um Sorriso
PORTUGAL
«Cada vez faz menos sentido falar de emigração»
José Cesário, Deputado do PSD
PORTUGAL
O Projeto de Mobilidade na CPLP
Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios estrangeiros
PORTUGAL
REDES SOCIAIS
GALERIA DE FOTOS
QUIZ