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Traje à vianesa é o primeiro fato regional de Portugal a ser certificado
Revista PORT.COM • 18-Fev-2017
Traje à vianesa é o primeiro fato regional de Portugal a ser certificado



A apresentação oficial da certificação do traje à vianesa decorre hoje, às 16H00, no Museu do Traje, em pleno centro histórico de Viana do Castelo.

Viana do Castelo, conhecida como a capital do folclore, é detentora de um traje reconhecido como o mais representativo da cultura popular portuguesa - o traje à vianesa -, que agora está “nas bocas do mundo” por ser o primeiro do país a obter certificação.

“Certificar e preservar a identidade do traje à vianesa foi, desde o primeiro momento, um dos nossos objetivos, que agora se concretiza com a publicação dos resultados de um estudo onde foi feita a recolha, triagem e análise de toda a informação relevante para o estudo do Traje à Vianesa nas suas múltiplas modalidades”, afirma José Maria Costa, presidente da Câmara de Viana do Castelo.

Com o estudo do Traje à Vianesa, nas suas múltiplas modalidades (Afife, Carreço, Areosa, Santa Marta de Portuzelo e Perre, segundo a definição de Cláudio Basto, do início do séc. XX), foi também efetuada a caraterização de cada uma das modalidades consideradas e definição de “trajes-tipo”, com descrição exaustiva de cada peça que integra a referida indumentária e respetivo registo fotográfico, assim como o estudo das possibilidades de registo e certificação.

O estudo deu lugar ao caderno de especificações, um instrumento onde estão definidas as caraterísticas do “Traje à Vianesa” e listados todos os parâmetros que pesam para a sua certificação, nomeadamente o nome que identifique o produto e que neste caso terá derivações; as referenciais histórico-geográficos que contextualizem a ocorrência e a continuidade da produção; e a caracterização do produto: características físicas (forma, dimensões, padrões, cores e desenhos predominantes); matérias-primas utilizadas; modos de produção (técnicas, saberes, ferramentas e equipamentos).

A partir de agora, informou ainda a autarquia, todos os artesãos vão ter um caderno de especificações, que funcionará como um manual. A empresa Adere Certifica será responsável por auditar os processos de produção e atribuir a certificação e os primeiros exemplares com selo de autenticidade estarão no mercado em agosto, altura em que o traje assume particular importância durante as tradicionais festas da Senhora da Agonia.

 

Traje à vianesa - símbolo da identidade local

Por traje à vianesa entendemos o vestuário usado pelas raparigas das aldeias rurais próximas da cidade de Viana do Castelo que ganhou características próprias que o individualizaram em medos do século XIX e foi usado até inícios do século XX. Estas características podem definir-se pela ousadia do seu colorido e pela enorme profusão de elementos decorativos que lhe conferem um aspeto exuberante. Estas características tornam-no único no panorama da indumentária popular em Portugal, sendo facilmente reconhecido e identificado com a região de origem.

Esta foi a principal razão de o traje se transformar num símbolo da identidade local.

O primeiro impacto do traje é de espanto pela sua beleza, mas não podemos esquecer que está integrado num contexto sócio cultural em que faz sentido: uma economia rural próxima da auto-suficiência, que recorria a trabalhos recíprocos, coletivos e gratuitos, com uma forte carga lúdica e de sociabilidade integrada.

Este contexto é a chave fundamental para compreendermos o traje e o relacionarmos com o ambiente em que era usado e fabricado: muitas vezes a mesma rapariga que cultivou o linho (e criou as ovelhas que deram a lã), foi quem o fiou e teceu e depois executou as peças de roupa que tingiu e decorou com bordados e outras aplicações. E não seria raro que fosse essa mesma rapariga a usar o traje, adaptando-o aos ritmos e momentos da vida rural de trabalho quotidiano, dos momentos de descanso, nomeadamente o dominical, e de festa, onde a rapariga se mostra orgulhosamente no seu esplendor.

Foi neste contexto que o traje evoluiu e desenvolveu as características que o individualizam e é por esta razão que é entendido como um espelho de um modo de vida tradicional e da identidade alto minhota.

Os exemplares que ainda hoje se conservam, alguns nas mesmas famílias, terão cerca de 60 anos. As características deste traje, como o seu colorido e a profusão de elementos decorativos, permitem identificar facilmente a região de origem, no concelho, motivo pelo qual se transformou, segundo os especialistas, “num símbolo da identidade local”.

A romaria d’Agonia, nomeadamente o tradicional desfile de mais de 500 mulheres devidamente trajadas pelas ruas da cidade de Viana do Castelo, assume-se anualmente, no mês de agosto, como a principal montra do “Traje à Vianesa”.


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