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Rendas de bilros dão nova vida a velhas redes de pesca
Revista PORT.COM • 06-Jun-2017
Rendas de bilros dão nova vida a velhas redes de pesca



As tradicionais rendas de bilros de Vila do Conde integram um projeto inovador em que os fios de antigas redes de pesca são utilizados como matéria-prima.

A iniciativa partiu do município vila-condense que desafiou as rendilheiras locais a darem uma nova roupagem aos seus trabalhos, reutilizando materiais usados pelos pescadores de Caxinas e criando, assim, uma ligação entre duas mais vincadas marcas identitárias deste concelho nortenho.

O projeto foi executado no Museu das Rendas de Vila do Conde, onde uma dezena de artesãs prepararam os trabalhos que foram mostrados ao público num desfile de moda de bilros, que aconteceu este fim de semana, na cidade.

Os desenhos e coordenação dos trabalhos estão sobre a alçada de Eugénia Cunha, que explicou que estas invulgares rendas de bilros serão, posteriormente, aplicadas em vestidos de uma coleção de moda que tem o mar como elemento inspirador.

"Achei que seria oportuno darmos a conhecer um novo modo de fazermos bilros, utilizando estes restos de fios de pesca, que iam para o lixo, e transformando-os em material nobre e mostrando que é possível dar contemporaneidade a esta arte", vincou à Lusa a criadora.

Eugénia Cunha confessou que as rendilheiras "aceitaram o desafio com muito entusiasmo", considerando que esta é uma boa maneira de "promover a modernidade das rendas de bilros e a sua transmissão para as novas gerações".

"É fundamental que este saber continue a passar de avós para filhas e para netas. Creio que tem sido conseguido, porque já vemos meninas de 5 anos a fazerem bilros. Sinto que ainda há muitas coisas novas para se experimentar", confessou a coordenadora do projeto.

A adaptação das rendilheiras a esta invulgar matéria-prima correu sem grande dificuldade, despertando até, em algumas das artesãs, ligações afetivas e familiares.

"Trabalho com rendas de bilros há 62 anos, numa paixão que me foi transmitida pela minha mãe quando tinha 4 anos, e, ao fim de todo este tempo, estou a utilizar os fios de pesca que o meu pai, que era pescador, usava para trabalhar", partilhou, com alguma emoção, Maria Monteiro.

Esta rendilheira considerou, por isso, que o desafio é "fascinante", garantindo que o trabalho "saiu ainda melhor" e que utilizar um fio diferente "não perturbou".

"Já há alguns anos que sou desafiada a trabalhar com diferentes materiais, usando, por exemplo, cobre ou prata. Com tanto tempo prática que tenho nas mãos, e o saber na cabeça, não foi nada complicado", assegurou.

Para Maria Monteiro "estes desafios são importantes para motivar e até cativar mais jovens para esta arte", deixando uma mensagem às novas gerações de rendilheiras: "não tenha medo de arriscar e fazer coisas novas com bilros".

Essa é também a mensagem que Elisa Ferraz, presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, subscreve, garantindo que o município se tem esforçado para manter viva esta tradição.

"Temos de encontrar um caminho para que estas rendas tenham aplicações cada vez mais diferenciadas relativamente ao comum, e esta experiência, com os fios de pesca, é tão inovadora que esperamos que desperte uma grande curiosidade", partilhou a autarca.

E porque esta arte é um dos elementos identitários de Vila do Conde, a autarquia tem promovido várias iniciativas para a promover, criando, por exemplo, no ano passado, a maior renda de bilros do mundo, que foi, inclusive, reconhecida nos recordes mundiais do Guinness.

"A afirmação resulta sempre da diferenciação, e tentamos, por isso, impor-nos por algo que temos de invulgar, neste caso, uma arte de enorme sensibilidade que nos ajuda a projetar Vila do Conde", concluiu a presidente de Câmara.

Este projeto preenche também as pretensões de economia circular defendida pela autarquia local, onde, neste caso, os resíduos são transformados através da inovação em subprodutos que promovem a reutilização, recuperação e reciclagem.


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